Renato Rabelo: “A correlação de forças é central para uma efetiva transformação”


“Com base das realizações e lições do decênio, qual a perspectiva para o país?”. Esse foi o tema da primeira mesa, na manhã deste domingo (5), do Seminário ‘Balanço de uma década de governo democrático e as bases de uma nova arrancada para o desenvolvimento’, realizado pela Fundação Maurício Grabois em parceria com o Partido Comunista do Brasil e que contou com a participação de lideranças dos partidos de esquerda.

Joanne Mota, do Portal Vermelho em São Paulo

Ao iniciar sua fala, o presidente do PCdoB externou sua opinião sobre o processo de mudanças iniciado em 2003 com a eleição de Luis Inácio Lula da Silva e destacou que o Brasil encontrado naquele período foi construído a partir de uma herança perversa, fruto da barbárie neoliberal.

Para Renato assistimos a uma gestação em movimento, que ao longo destes 10 anos buscou romper com a treva neoliberal, especialmente com a herança do governo FHC. E lembrou: “não faz muito tempo assistimos esse governo tucano atacar o setor mais estratégico do país, os trabalhadores, exterminando 12 milhões de empregos. É sabido que o tucanato vestiu a camisa da intolerância e da criminalização aos movimentos sociais e foi contra isso que lutamos nestes últimos 10 anos”, disse Renato.

Reconstrução do orgulho nacional

O líder comunista afirmou que, em 2003, Lula iniciou um processo de transição, e que há ainda um longo caminho para se transformar o Brasil em uma grande nação. E destacou que “a reconstrução do orgulho nacional sempre foi uma bandeira defendida pelas forças populares, que unidas lutaram pela democracia.

“O rompimento das barreiras entre Estado e movimentos sociais foi fundamental neste processo. Lula soube valorizar os trabalhadores e as trabalhadoras, personagens que são fundamentais no processo de mudança no país. Sem falar no processo de distribuição de renda, iniciativa que o tucanato dizia ser impossível de acontecer no Brasil, e a valorização do salário mínimo. Essas e outras questões estão na linha de frente de luta deste grupo e é por isso que o Brasil assume o status que possui hoje”, pontuou Renato.

Centro da transição

Sobre o processo de transição, Renato explicou que para o PCdoB ainda há um longo caminho para a superação das desigualdades no país. “O Brasil e um país complexo, e o nosso processo politico sempre foi construído com propostas limitadas e que teve como principal oponente os setores conservadores que ganham forte apoio de uma mídia que também é conservado. Acreditamos que correlação de força, com o central apoio da sociedade de forma geral, é fundamental para se percorrer um caminho seguro para a uma efetiva transformação”.

Segundo ele, só haverá desenvolvimento quando houver impulso, e impulso se dá quando há distribuição de renda. E para nós isso é apenas o começo.

Fortalecer a soberania

Outra estratégia fundamental apontada pelo presidente do PCdoB foi a ampliação e fortalecimento das relações com as nações latino americanas.

“A América Latina torna-se uma região mais do que estratégica para romper com a hegemonia das nações que historicamente detiveram o poder”. Ele frisa que a formação do Brics aponta para a construção de um mundo novo, sem falar no passo gigantesco dado ao criar a Celac, a Unasul e o Mercosul”.

Passos a serem dados

“É preciso um pacto social pleno entre o trabalho e a produção que possa conduzir o processo de mudanças”, pontuou Rento ao falar dos caminhos possíveis para o efetivo desenvolvimento.

“Todo avanço consiste em um avanço entrelaçado, que tenha no cerne a questão social, a distribuição de renda e a soberania nacional. Sem soberania, não haverá avanço no país. Não chegaremos a ter as estruturas necessárias para o avanço nacional, sem soberania. Não conseguiremos vencer as gargalos que brecam o desenvolvimento do país, se não pensarmos em propostas que tornem nosso parque produtivo moderno e competitivo”.

E finaliza: “Na luta travada neste processo de transição, as forças progressistas e populares precisam se organizar ainda mais para galgar passos maiores, de forma a estruturar a proposta de desenvolvimento, que reúna as condições necessárias para a construção de uma sociedade mais avançada, uma sociedade socialista”.

Por uma nação do futuro

Compondo também os debates destes segundo dia, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Ruy Falcão, parabenizou Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois, e Renato Rabelo pela iniciativa do Seminário. Segundo ele, o debate realizado é essencial nestes tempos para que pensemos não só nos avanços, mas também nos desafios.

Na oportunidade, Ruy Falcão também ressaltou a todos que constroem a mídia alternativa no Brasil, com um especial reconhecimento ao Portal Vermelho e ao papel jogado pelos blogueiros progressistas, espaços fundamentais para desconstruir os discursos proferidos pelos setores conservadores e detentores dos meios de comunicação.

Segundo ele, a partir de agora é preciso reiterar a unidade dos que estão juntos nessa luta por mudanças e combater àqueles que teimam em manter o país como uma nação do atraso, subserviente aos interesses neoliberais.

“Agora é o momento de pensar no futuro”, diz presidente do PT.

Para tanto, o presidente do PT diz que um passo fundamental é combater a investida da mídia. “Não podemos mais adiar a reforma da mídia, tão essencial para avançar nas questões candentes do país. E citou: não queremos nada mais do que estão na Constituição Federal, especialmente, a” regulamentação dos artigos 221, 222, 223 e 224”.

Ruy Falcão destacou que “agora é o momento de pensar no futuro. De olhar sim para trás e perceber o que precisamos fazer para tornar esse país ainda mais protagonista. E as lutas que precisamos travar devem se dá em todas as esferas, de forma a não deixar nossas bandeiras pararem de balançar. É preciso demonstrar que estamos firmes em nossas lutas. Além disso, não podemos perder de vista as importantes reformas (Política, Tributária, do Estado, da Mídia, Agrária e Urbana), sempre deixadas de lado pelos setores que sempre estiveram no poder em nosso país”.

Roberto Amaral, vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), também participou da mesa e destacou a trajetória de lutas, estas que tiveram como principais protagonistas os trabalhadores e trabalhadoras. E destacou como uma dos importantes marcos desta luta a eleição de Lula para presidente.

“É preciso mensurar o quão simbólico foi eleger um metalúrgico, monoglota e retirante e o quão simbólico também foi eleger a primeira mulher presidenta deste país. Só isso sinaliza a força daqueles que lutam por um país melhor, que tenha no seu cerne a inclusão social com distribuição de renda. E o fortalecimento da nossa base é essencial para que alcancemos os objetivos propostos no programa de governo”, acentuou o vice-presidente do PSB.

Protagonismo internacional

Amaral refletiu sobre a questão internacional é a edificação do Brasil como um novo agente do debate nesta esfera. Fator, que em sua opinião, foi fundamental para a recuperação do sentimento popular e nacional. Sentimento esse sempre podado, quando não eliminado, pelo tucanato.

Segundo ele, este “é o momento para se retomar, ou mesmo fortalecer, a luta ideológica, luta essa que não pode perder de vista a consciência de classe, fator esse que os setores conservadores entendem bem. É chegada a hora de enfrentar as idiossincrasias que povoam os espaços de decisão. É chegada a hora de quebrar os grilhões do pensamento único, com o monopólio da despolitização. Vivemos a primeira fase da retomada dos governos populares e estamos caminhando para uma transição e espero que esta transição seja rumo a uma sociedade socialista”, elucidou o dirigente.

Trabalhadores e trabalhadoras uní-vos

Encerrando os debates desta manhã de domingo, Luiz Antônio Medeiros, representante do presidente Nacional do Partido (PDT), agradeceu o convite e parabenizou ao PCdoB pela realização do que chamou de “espaço de discussão para a construção de um novo Brasil”.
Ele frisou que ao fazer um raio X no interior do cenário político nacional, “o PCdoB aparece como o legítimo herdeiro das lutas e da trajetória dos comunistas no Brasil e que sempre esteve na linha de frente das principais lutas no país e nunca perdeu de vista as necessidades do povo”.

Em poucas palavras falou sobre as conquistas e os desafios, mas ponderou que sem a força dos trabalhadores esses resultados não seriam alcançados. “A experiência já provou o que significa ter a atuação do movimento sindical nas disputas políticas, especialmente para o processo de mudanças nestes últimos dez anos”, finalizou o dirigente.

Fotos Ana Flávia Max

 

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