Câmara de São Paulo homenageia centenário de Pedro Pomar


A Câmara Municipal de São Paulo realiza, no dia 20 de maio deste ano, uma solenidade em homenagem ao centenário do nascimento do histórico comunista Pedro Pomar. Destacada liderança do PCdoB na luta por um Brasil soberano e socialista, Pomar foi covardemente assassinado em 16 de dezembro de 1976, em São Paulo, no hediondo crime da ditadura militar brasileira conhecido como Chacina da Lapa.

Por Mariana Viel, da redação do Vermelho

A iniciativa da homenagem é do vereador paulistano Orlando Silva (PCdoB-SP). Em entrevista ao Portal Vermelho, o parlamentar afirmou que Pomar foi um dos principais dirigentes do Partido e que sua história é marcada pela generosidade e por sua grande capacidade intelectual.

“O sentindo de fazer essa sessão solene, juntamente com a Fundação Maurício Grabois, é homenagear a história e a memória desse grande brasileiro e trazer para as novas gerações o conhecimento dessa grande liderança política de nosso Partido e do Brasil. Comemorar seu centenário significa homenagear e ao mesmo tempo preservar a memória da luta democrática no país”.

Direitos humanos e luta democrática

No final do mês de maio, a Câmara paulistana aprovou o Projeto de Lei 380/2010, de autoria do ex-vereador Jamil Murad e co-autoria de Orlando, que permite a mudança do nome de ruas e espaços públicos que homenageiam pessoas que violaram os direitos humanos. “Não é justo que nós tenhamos praças, parques e ruas homenageando agressores da democracia. É muito importante valorizar a memória”.

Após a sanção do prefeito Fernando Haddad, a nova lei entrou em debate na capital. Segundo Orlando, moradores da rua Doutor Sérgio Fleury — delegado que atuou na ditadura militar (1964-1985) e que é notoriamente conhecido por atuar em sessões de torturas e violência contra opositores ao regime — manifestaram constrangimento pela homenagem.

“A alteração dos nomes desses logradouros deverá ser feita através de diálogo com os moradores, o que significa um incentivo à reflexão. Não é apenas uma troca de nomes. Fiz um projeto de lei para que a rua Sérgio Fleury passe a se chamar Frei Tito, que foi um democrata e um homem que lutou por melhores condições de vida para o nosso povo e pela democracia em nosso país”.

Orlando afirma que essas e outras iniciativas fazem parte do processo de reencontro do Brasil com a sua história e de valorização da luta democrática. O vereador comunista afirma que essas serão algumas das principais linhas de atuação de seu mandato.

“Felizmente tenho tido uma acolhida muito boa de São Paulo por conta dessas iniciativas. Conquistei uma vaga na Comissão de Direitos Humanos, esse tema se mistura com a luta pela democracia – no passado e no presente. Os direitos humanos hoje abordam a temática da cidadania e do povo mais marginalizado. Significa a defesa do povo da periferia que é vítima de violência policial, da juventude pobre e negra, da população em situação de rua – que em São Paulo atinge seis mil pessoas”.

“Os direitos humanos se confundiram com a luta democrática nos períodos duros de repressão e hoje se confunde com a defesa de direitos do povo mais pobre e os comunistas têm que ter na sua agenda de trabalho a defesa desses brasileiros”.

Pedro Pomar — ideias e batalhas

Após a solenidade, será feito o lançamento da biografia Pedro Pomar — ideias e batalhas, do jornalista e pesquisador da Fundação Maurício Grabois, Osvaldo Bertolino.

Com 776 páginas e três cadernos iconográficos, o livro faz um relato cronológico da vida de Pedro Pomar. Segundo o autor, o texto segue os passos e os primeiros embates dos quais ele participou em Belém, chegando a pegar em armas no começo dos anos 1930. Depois ele foge para o Rio de Janeiro protegido pela escritora Eneida da Costa, que já era do PCdoB. Em 1934, Pomar volta para Belém já filiado ao Partido.

Preso durante o Estado Novo, ele foge com João Amazonas novamente para a capital carioca, onde Maurício Grabois já estava reorganizando o Partido. No Rio, forma com Grabois, Diógenes Arruda, João Amazonas e Luiz Carlos Prestes – preso à época – o núcleo de direção eleita na Conferência da Mantiqueira do PCdoB, em 1946.

Em janeiro de 1947 é eleito deputado federal por São Paulo e com fim do mandato vai para a clandestinidade em Porto Alegre. Em 1953 vai para a União Soviética onde fica um ano e meio na escola anexa ao Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, fazendo curso. Em 1956 inicia o processo de reorganização do Partido Comunista com Grabois e Amazonas, concluído em 1962.

Com o golpe de 1964, o PCdoB opta pela luta armada e Pomar percorre o país reorganizando o que seria a guerra popular contra o regime e se instala na região do Vale do Ribeira, em São Paulo. Com os acontecimentos do Araguaia o Partido reavalia a questão do caminho da guerra popular e durante uma das reuniões do Partido, em 16 de dezembro de 1976, Pomar é morto na Chacina da Lapa.

Serviço
Data: 20 de maio (segunda-feira)
Horário: 18 horas
Local: Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo
Endereço: Palácio Anchieta, Viaduto Jacareí, nº 100
8º andar, Bela Vista, São Paulo (SP)

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