PCdoB elege meio ambiente como fator estruturante do NPD


Após dois dias de debates, o PCdoB aprovou, neste domingo (19), sua política ambiental. O plano, que será apresentando no 13º Congresso Nacional do PCdoB e na 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, incorpora o meio ambiente como fator estruturante do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND).

Richard Silva

PCdoB elege meio ambiente como fator estruturante do NPDO secretário nacional de Meio Ambiente do PCdoB, Aldo Arantes, foi quem conduziu os debates.

Apesar da questão ambiental não ter, na época de Marx, a mesma importância que tem hoje, ele destacou em seus trabalhos a importância da natureza. E, para os comunistas, “é fundamental a construção de uma corrente ambiental que, herdeira do pensamento de Marx e Engels e em consonância com as mais avançadas concepções contemporâneas, incorpore os marxistas e os defensores do desenvolvimento sustentável soberano num único movimento em defesa da vida”.

Na elaboração do documento final do evento, pesou ainda a “compreensão da íntima articulação entre os seres humanos e a natureza”. E foi lembrada a Declaração do Rio de Janeiro sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, aprovada pela Rio 92 e eafirmada 20 anos depois na Rio+20, que concluiu que “os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável”, tendo “o direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza”, afirmando ainda que “a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada de forma isolada”.



Mercantilização da natureza

Para o PCdoB, a natureza está em constante mudança e cada modo de produção gerou suas formas de relação com o meio ambiente, mas foi o modo de produção capitalista, com a mercantilização da natureza e a busca desenfreada do lucro, que começou a colocar o planeta em risco.

“A crise ambiental é parte da crise global do capitalismo da época atual. Na busca de saída para a crise os capitalistas aprofundam a exploração dos trabalhadores e a degradação do meio ambiente. Por isto mesmo, nos marcos do capitalismo, é impossível uma solução cabal para a crise ambiental”, avaliam os comunistas.

Na avaliação dos diversos aspectos da crise ambiental, como mudanças climáticas, perda da biodiversidade, crise da água e crise urbana, o PCdoB considera que a solução de fundo para a crise econômica, social e ambiental do capitalismo só virá com a adoção de um sistema de produção e consumo voltado para o bem estar da humanidade, o socialismo renovado.

O PCdoB defende o direito ao desenvolvimento. A superação da pobreza só é possível com o desenvolvimento, com a geração e distribuição de riqueza. E não é possível haver desenvolvimento sem alterar a natureza. Todavia esta intervenção deve ser realizada levando em conta a sustentabilidade social e ambiental.

Para o PCdoB o desenvolvimento sustentável soberano incorpora o conjunto dos elementos da formação econômico social do País expressos no Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento cujo conteúdo é a “luta pela soberania nacional, democratização da sociedade, progresso social, sustentabilidade ambiental e integração solidária da América Latina”.

Plataforma de Lutas 

O documento final aprovada na Conferência também definiu uma plataforma de luta, descrita em 13 itens, que vão desde a luta em defesa do desenvolvimento sustentável soberano, incorpora os três eixos do desenvolvimento: econômico, social e ambiental, passando pela defesa da Amazônia e de todos os biomas – a Mata Atlântica, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o Pampa; até a defesa do princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas” entre os países responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, estabelecendo maiores encargos e responsabilidades aos países mais poluidores.

Também faz parte do documento a defesa do aproveitamento do potencial energético do Brasil, a água como bem público, a soberania alimentar, o meio ambiente urbano saudável e a prioridade para adoção de medidas relacionadas com as mudanças climáticas adotadas pelo governo brasileiro.

A política ambiental do PCdoB prevê ainda a luta contra danos ambientais e à sociedade, o fortalecimento do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) e do Sistema Nacional de Recursos Hídricos, a implantação de programas de educação ambiental nas escolas e a instituição de uma Política Nacional de Juventude e Meio Ambiente.

Moção de Solidariedade

Ao final do evento, os participantes aprovaram por unanimidade uma Moção de Solidariedade ao ex-secretário estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul: “A plenária da 1ª Conferência Nacional de Meio Ambiente do PCdoB manifesta solidariedade e confiança no camarada Carlos Fernando Miedersberg, ex-secretário de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, vítima de criminalização da política e de ações intempestivas da Polícia Federal”.

De Brasília
Márcia Xavier

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