Leia também aqui no blog a entrevista publicada no Diário da Manhã de Goiânia desta terça.
Comunistas estão com Dilma para 2014
Com Flávio Dino, no Maranhão, o PCdoB quer eleger, em 2014, sob o guarda-chuvas do Palácio do Planalto, o primeiro governador comunista da história da República. É o que afirma, com exclusividade ao Diário da Manhã, o presidente nacional da legenda da foice e do martelo, Renato Rabelo (SP). A estratégia da sigla vermelha é conquistar 20 cadeiras na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), e três senadores da República, relata, animado, o dirigente de linhagem socialista.
Fundado em 1962, mas herdeiro de uma parte da história do Partido Comunista do Brasil criado em 1922, o PCdoB jogará água benta no projeto de reeleição da presidenta da República, Dilma Rousseff, no ano que vem. Nada de Eduardo Campos (PSB), muito menos Aécio Neves (PSDB). Os comunistas mantêm aliança com os petistas desde a primeira eleição presidencial após o fim da ditadura civil e militar no Brasil, no ano de 1989. Eles integraram à época a Frente Brasil Popular, com PT e PSB.
Classe média
O capa-preta comunista concorda com a heterodoxa filósofa Marilena Chauí, professora titular da Universidade de São Paulo (USP). A ex-secretária de Cultura de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina (1989-1992), diz que a suposta criação de uma nova classe média sob os 10 anos do PT no Palácio da Alvorada seria uma mera”bobagem sociológica”. Segundo ela, o que houve na realidade foi a expansão da classe trabalhadora. Renato Rabelo faz uma ressalva: “trabalhador com padrão de classe média”.
Na realidade o que existe é uma ampliação da classe trabalhadora, dispara Renato Rabelo. “Agora, o padrão de vida dessa classe trabalhadora tornou-se um padrão de vida de classe média. Nesse sentido, essa mobilidade social de vida, a maior parte, é de trabalhador. Pelo padrão de alguns, você pode situar uma classe média baixa, uma classe média média, analisa. O líder comunista rebate o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP). Para ele, concessão não é privatização.
Concessão
“Eu não concordo. Concessão não é privatização, porque o Estado é quem regula os serviços. Ele (O Estado, a União) tem o poder de conceder e há uma série de regras que viabiliza o negócio, a regulação, ou seja, quem assume a responsabilidade de concessão não tem a propriedade, se houvesse a compra da propriedade pela empresa, seria privatização”, explica, em tom de indignação. Ele conversou com o Diário da Manhã acompanhado pelo presidente do PCdoB em Goiás, Fábio Tokarski.
Diário da Manhã – O PCdoB já definiu a sua estratégia para a eleição de 2014?
Renato Rabelo – Sim, o PCdoB já está trabalhando em função de uma estratégia bem definida: o nosso objetivo é eleger uma bancada com mais de 20 deputados federais, assim como fazer mais uns 2 ou 3 senadores. Nós temos condições políticas objetivas de eleger nosso primeiro governador, que é o do Maranhão, Flávio Dino, uma liderança com muita influência e muito prestígio. Agora, no que se refere à Presidência da República, nós temos uma aliança com a presidenta Dilma Rousseff. Existe uma previsão constitucional para que ela possa se reeleger, portanto, ela deve disputar as eleições e as pesquisas mostram que ela é bem avaliada pelas pessoas e pode ganhar as eleições.
DM – Qual é o balanço que o PCdoB faz dos 3 anos do governo Dilma Rousseff?
Renato Rabelo – Ainda não são três, caminha para três. Portanto, o tempo é relativamente curto, e a presidenta encontrou uma situação de crise mundial que já perdurava, o que gerou grande impacto no mundo e aqui no Brasil. E eu acredito que ela tomou medidas corajosas e foi além do governo anterior, sobretudo tentando redirecionar a política macroeconômica, tentando abaixar o custo Brasil, que era uma questão bem importante, e continuou investindo nas políticas sociais do governo anterior. Portanto, é uma pessoa bastante criteriosa e eu acho que ela ganha uma parte da classe média do Brasil, pois é uma pessoa que procura caminhos próprios para o Brasil, porque nós criamos condições para isso, ou seja, é esse tripé da política macroeconômica. A busca por uma nova política macroeconômica, uma estratégia de desenvolvimento, é o que se tem que construir agora.
DM – Michel Temer é a opção para vice?
Renato Rabelo – Essa é uma questão que não diz respeito ao PCdoB, é uma questão da frente. A presidenta vai contar com uma frente ampla, o Brasil tem uma realidade pluripartidária, e o PMDB é um partido grande, um partido com o qual é difícil governar sem. Agora, o que nós achamos é que, com base em um programa, a gente pode ter uma frente ampla e dentro dessa frente ampla ter a união dos partidos mais comprometidos com as mudanças.
DM – A filósofa Marilena Chauí diz que a ideia de uma nova classe média, alardeada pelo PT, é uma bobagem sociológica. Segundo ela, o que houve foi a ampliação da classe trabalhadora: o senhor concorda com essa análise?
Renato Rabelo – Na realidade o que existe é uma ampliação da classe trabalhadora, agora o padrão de vida dessa classe trabalhadora tornou-se um padrão de vida de classe média. Nesse sentido, essa mobilidade social de vida, a maior parte, é de trabalhador. Pelo padrão de alguns, você pode situar uma classe média baixa, uma classe média média.
DM – O senador Randolfe Rodrigues, do PSol, diz que concessão também é privatização, o senhor concorda?
Renato Rabelo – Eu não concordo. Concessão não é privatização, porque o Estado é quem regula isso, ele tem o poder de conceder e há uma série de regras que viabiliza isso, ou seja, quem assume a responsabilidade de concessão não tem a propriedade, se houvesse a compra da propriedade pela empresa, seria privatização.
DM – O PCdoB espera que a Comissão da Verdade elucide os casos dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia?
Renato Rabelo – É o que nós sempre esperamos, aliás essa questão foi a que a gente justamente levou a ela, essa importância de se elucidar essa questão dos desaparecidos em um dos movimentos mais importantes que foi o do Araguaia (organizada pelo PCdoB, a guerrilha do Araguaia ocorreu no norte de Goiás -atual Estado do Tocantins – e sul do Pará, de 1972 a 1975, e deixou quase 70 mortos e desaparecidos).

