Crimes contras os comunistas


A deputada federal Jô Moraes (PCdoB/MG) registrou dois crimes em extremos do País (Norte e Sul) que atingiram militantes da legenda e se solidarizou com os familiares das vítimas e com os filiados dos estados do Pará e de Santa Catarina.

No Norte, foi assassinado o líder quilombola Teodoro Lalor, do arquipélago de Marajó. Ele foi esfaqueado no peito e não resistiu. A direção partidária do Pará, em nota “denuncia os crimes cometidos a mando do latifúndio e grileiros no solo paraense que mancha nossa terra com o sangue dos trabalhadores que lutam pela regularização fundiária e pela reforma agrária”.
Já em Santa Catarina, também foi esfaqueado militante Patrick Monteiro, assessor parlamentar do vereador comunista Paulinho da Silva, da cidade de Chapecó. Patrick foi atacado  por dois homens ainda não identificados, no centro da cidade, no último dia e se recupera. A direção do partido na cidade aponta indícios de crime político.

Em seu pronunciamento, a deputada Jô Moraes lembrou que “Patrick foi esfaqueado na mesma cidade onde foi assassinado em 2011 um vereador do PT”.

Discurso

“Senhor Presidente, com muita tristeza, eu registro aqui a nossa solidariedade, a da bancada do PCdoB, expressa aos nossos camaradas da Direção Estadual, aos militantes e aos familiares do Estado do Pará e do Estado de Santa Catarina.
Nós tivemos a oportunidade de registrar com muita tristeza que, no Estado do Pará, acabou de ser assassinado o líder quilombola Teodoro Lalor, da Associação dos Quilombolas do arquipélago de Marajó.
É também com muita tristeza que a gente vê que, em Chapecó, Patrick Monteiro, assessor do vereador do PCdoB, foi esfaqueado na mesma cidade onde foi assassinado em 2011 um vereador do PT.
Por isso peço que sejam registradas as notas das duas direções partidárias,  e também a nossa tristeza.”

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Notas

Com o título: Punição ao latifúndio! Regularização fundiária e reforma agrária já!, eis o manifesto do PCdoB do Pará:

“É com tristeza que o Partido Comunista do Brasil – PCdoB escreve essa nota. Pois seu militante comunista Teodoro Lalor de Lima foi assassinado na madrugada do último domingo em Belém.

Seu Lalor era conhecido pelos trabalhadores como uma referência da luta dos extrativistas, também presidia a Associação dos Remanescentes de Quilombo de Gurupá, no município de Cachoeira do Arari, no Arquipélago do Marajó, liderança quilombola, amigo dos ribeirinhos, ativista da luta pela Regularização Fundiária e pela Reforma Agrária.
Lalor, sofria diversas ameaças de morte por denunciar várias formas de exploração e expropriação que as comunidades quilombolas da região de Gurupá sofriam. Na madrugada do último domingo (18), foi esfaqueado do lado esquerdo do peito por um homem que invadiu a casa e depois fugiu. Lalor não resistiu e morreu no portão da residência.

O militante comunista e líder quilombola estava em Belém para participar do Terceiro Encontro Estadual de Quilombolas do Pará que acontece de 19 à 22 de agosto, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. E foi esfaqueado, assassinado de forma muito suspeita na frente da casa de seus parentes onde estava hospedado no bairro da Cabanagem, em Belém.

No último dia 13 de agosto, ocorreu uma audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado, em Cachoeira do Arari, Teodoro Lima nessa ocasião havia denunciado a perseguição de fazendeiros da região à comunidade quilombola.

Seu Lalor, nesse mesmo evento relator que ficou preso por dois meses sem acusação formal, a mando de fazendeiros que se sentem prejudicados pela demarcação das terras quilombolas. O líder quilombola declarou ainda que crianças da comunidade estavam sendo presas por colher açaí em áreas quilombolas.

Alias essa tem sido uma realidade constante no Marajó, onde famílias extrativistas, ribeirinhos e quilombolas têm sofrido e amargado os prejuízos, sofrendo exploração e opressão, com ameaças e terrorismo dos fazendeiros e pela expansão do plantio de arroz na região. Em especial em seu município.

O PCdoB vem em público mais uma vez denunciar os crimes cometidos a mando do latifúndio e grileiros no solo paraense que mancha nossa terra com o sangue dos trabalhadores que lutam pela Regularização Fundiária e pela Reforma Agrária.

Essa tem sido uma dura realidade no Pará, não esquecemos dos assassinatos de Paulo Fonteles, João Canuto, Expedito Ribeiro, João Batista entre outros lutadores que tombaram na luta dos trabalhadores. E agora mais uma vez um militante comunista é assassinado a mando do latifúndio.

Exigimos do Governo Simão Jatene e da segurança pública de nosso estado a mais rígida apuração desse crime cometido contra um trabalhador e um lutador do povo.

Para a família do seu Lalor o nosso pesar e solidariedade. E para os militantes comunistas, para os ativistas da luta pela Regularização Fundiária e da luta pela Reforma Agrária, afirmamos que o exemplo de seu Lalor nos fortalecerá pra lutar contra o latifúndio e por uma vida melhor para os trabalhadores rurais e para o povo paraense e o povo brasileiro.
Punição aos crimes do latifúndio! Regularização Fundiária e Reforma Agraria Já!
Belém, 19 de Agosto de 2013. Comitê Estadual do PCdoB/Pará”

 Solidariedade e apoio

Aqui, a íntegra da nota do PCdoB de Santa Catarina:

“A Direção Estadual do PCdoB vem a público se solidarizar com a família do camarada Patrick Monteiro, assessor parlamentar no mandato do vereador comunista Paulinho da Silva, na cidade de Chapecó/SC. Patrick foi esfaqueado por dois homens ainda não identificados, no centro de Chapecó, no último dia 19. Desejamos a recuperação de Patrick e estamos solidários com os familiares nesse momento delicado.

Há fortes indícios de se tratar de represália política, já que Patrick é militante político, um cidadão que vivencia o mundo da política da cidade. Confirmando essa hipótese, ou não, é preciso investigar a fundo e levar à justiça quem executou e quem mandou. Chapecó tem seu histórico de coronelismo e atentados políticos e a última vítima foi o então vereador Marcelino Chiarello, morto em sua residência no ano de 2011.

O Partido Comunista do Brasil sempre lutou por um país livre das opressões, onde o povo tenha liberdade pra expressar suas opiniões, demandas e reivindicações, sem sofrer qualquer represália. Em 91 anos de história, derramamos nosso próprio sangue por um Brasil livre, forte e democrático, e não nos calaremos enquanto esse episódio não for esclarecido. Não aceitaremos que a injustiça continue imperando, que o coronelismo permaneça e que sangue inocente seja derramado no Brasil pelo qual lutamos. Somos de luta, temos esperanças e não nascemos para o silêncio!Força aos camaradas, aos familiares, ao Patrick, para que se recupere logo e nossa solidariedade ao povo de Chapecó! Direção Estadual do Partido Comunista do Brasil/SC.”

Parlatube

Você também pode assistir o pronunciamento da deputada Jô Moraes no Parlatube, endereço http://youtu:be/TkNYh-MVBJM

Graça Borges

 Foto: CD

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