Comunistas debatem crise sistêmica do capitalismo e alternativas


Na manhã desta quarta (13), delegados de partidos da esquerda global deram ênfase às bases fundamentais do internacionalismo, à crise sistêmica do capitalismo, ao fortalecimento da mobilização socialista e, em tom de preocupação, ao oportunismo de forças reacionárias. O Seminário Internacional do 13º Congresso do PCdoB foi assim introduzido com o discurso do presidente do partido, Renato Rabelo, e com intervenções de diversos delegados convidados.

Por Moara Crivelente, da Redação do Vermelho

Clécio de Almeida

Seminário Internacional

Presidente do PCdoB, Renato Rabelo dá início ao Seminário Internacional “Tendências da Situação Internacional”.

A mesa de inauguração do seminário “Tendências da Situação Internacional” foi composta pelo secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu, pelo presidente do PCdoB São Paulo, Orlando Silva, por Ana Maria Prestes, membro do Comitê Central, e pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), membro da Comissão Política Nacional do partido.

O presidente Renato Rabelo, em antecipação do que seria o conjunto das intervenções dos delegados internacionais, destacou as grandes mudanças no quadro mundial e uma agenda de discussões políticas, teóricas e ideológicas com as quais se defrontam os comunistas atualmente.

Neste sentido, ressaltou a crise brutal do capitalismo, com a sua agenda contrária aos trabalhadores, a ameaça imperialista contrária à paz – com pretextos humanitários e de proteção da democracia para a promoção das intervenções e ingerências – e a disputa generalizada pelos recursos naturais, em uma luta de forças geopolíticas e geoestratégicas, entre outros tópicos.

Por outro lado, ressaltou Renato Rabelo, também é preciso dar centralidade aos aspectos positivos das atuais mudanças nas correlações de forças, com “traços de forte potencialidade a favor da luta dos povos e nações. É preciso observar tendências favoráveis e animadoras na situação internacional, relacionadas à busca por uma nova luta pelo socialismo e retomada da iniciativa pelas forças avançadas”.

Para o presidente, a crise do capitalismo reafirma a atualidade das teses marxistas-leninistas sobre a natureza e as tendências sistêmicas e estruturais do capitalismo, reafirmando, assim, os princípios básicos das contribuições ao pensamento coletivo dos trabalhadores e dos povos.

Solidariedade e unidade internacionalista

Ainda na manhã desta quarta-feira, representantes dos partidos comunistas e de esquerda da África do Sul, Argentina, Benin, Bolívia, Canadá, Colômbia, Coreia Popular, Estados Unidos, França, Galícia, Grã-Bretanha, Grécia e Guatemala deram contribuições fundamentais ao debate sobre a nova configuração mundial, sobre os desafios dos socialistas e sobre a importância da convergência para a proposta de alternativas decisivas e estruturais em um contexto de crise sistêmica com efeitos devastadores para a classe trabalhadora.

Além de tratarem da questão específica dos seus próprios países e das perspectivas socialistas sobre a representação da crise estrutural do capital em suas realidades, os representantes ressaltaram, em uníssono, o desafio posto ao imperialismo, mas também os perigos da reação contra a perda do espaço hegemônico em uma esfera global cada vez mais multilateral.

Neste sentido, o papel dos Estados Unidos na manutenção da sobrevida do capitalismo e no disfarçar da sua insustentabilidade revela outra face ainda mais estrutural do seu imperialismo, que não se traduz apenas em uma política externa agressiva e de violação da soberania dos países.

Por isso, os delegados enfatizaram a importância e a urgência da elaboração de alternativas socialistas palpáveis e estruturadas face à emergência de tendências políticas oportunistas, com destaque para a social-democracia. No caso da Grã-Bretanha e da Grécia (com partidos como o Trabalhista e o Syriza, respectivamente), esta denúncia foi mais acentuada.

Reflexos regionais da crise sistêmica

Representantes do Canadá, da França, da Grécia, da Argentina e da África do Sul, por exemplo, ressaltaram aspectos particulares dos efeitos do imperialismo e da escalada da sua política de agressão (militar e econômica) face ao seu declínio verificável, no mesmo sentido do sistema capitalista falido. Os representantes fizeram apelos, neste sentido, por uma avaliação ideológica e política sobre o “poder” e o papel do Estado no desenrolar deste processo.

Na Europa, Obey Ament, do Partido Comunista Francês, denunciou o que chamou de “otanização da União Europeia” (em referência à Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan) e a militarização das relações internacionais, enquanto alertou para o oportunismo da direita em ascensão no continente.

Margaret Villamizar, do Partido Comunista do Canadá, falou da campanha “Parem de pagar os ricos; comecem a financiar programas sociais”, no contexto dos ataques generalizados do neoliberalismo às conquistas sociais históricas dos povos, enquanto resgates trilionários são garantidos pelos governos às companhias privadas e ao setor bancário, através do endividamento público, outra vez cobrado à população.

São denúncias feitas também pela Grécia e, em outros âmbitos, pela Espanha, por Portugal, pela Itália e outras regiões classificadas como a “periferia europeia”, que sofre hoje o que foi imposto à América Latina na década de 1980, as duras medidas de arrocho e desregulação neoliberal formuladas e geridas pelas instituições de Bretton Woods (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e, em outro âmbito, Organização Mundial do Comércio).

Atualmente, a Europa passa pelo mesmo processo através das imposições de credores internacionais próprios, a chamada troika: União Europeia, Banco Central Europeu e FMI. As consequências são devastadoras, com o empobrecimento do povo continuamente denunciado e com o retrocesso de conquistas que resultaram de um longo processo de lutas.

Resolução de conflitos e luta dos povos

Destaques igualmente essenciais no posicionamento internacionalista de solidariedade entre os povos foram feitos por todos os delegados que se pronunciaram nesta manhã. Processos diplomáticos históricos como o mantido entre as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo colombiano foram ressaltados, assim como o posicionamento da Coreia Popular a favor de um mundo de paz socialista e prosperidade compartida.

Inevitavelmente, foi realçado o processo de integração da América Latina, que o Brasil tem colocado no topo das prioridades da sua agenda externa soberana. A diversidade regional e a variedade de objetivos devem ser instrumentos de uma unidade socialista para a continuidade do avanço progressista nos subcontinente, e a importância dos governos de esquerda neste esforço, assim como a mobilização social em torno deste projeto precisam ser evidenciados.

Neste sentido, Javier Pablo Hermo, da Frente Grande argentina, fez o apelo para a discussão sobre o que será a unidade latino-americana para ressaltar a centralidade do empenho socialista na continuidade da sua construção.

E mais adiante, o senador e secretário-geral do Partido Comunista da Bolívia, Ignacio Mendoza, lembrou as estratégias definidas pela Conferência Anti-imperialista em Cochabamba, com temáticas centradas na soberania política e econômica, na descolonização, nos tratados internacionais sobre direitos humanos e na espionagem.

Em contornos gerais, evidenciou-se o apelo à luta dos povos contra o imperialismo e o neocolonialismo, à luta dos trabalhadores contra a opressão capitalista, à construção socialista de uma alternativa política e econômica para um mundo imerso na mais grave crise do capital, a necessidade de conceituação estrutural do papel do Estado no novo processo e o fortalecimento das mudanças transformadoras para o progresso do socialismo.

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