Comunistas vêem oportunidade ofensiva na crise capitalista


Por Cezar Xavier
Comunistas e dirigentes de esquerda de 26 países manifestaram-se  durante o Seminário Tendências da Situação Internacional, promovido antes da abertura do 13o. Congresso do PCdoB, no Anhembi, em São Paulo. O presidente do Pcdob, Renato Rabelo, apontou as consequências imperialistas e oportunidades para os partidos comunistas mediante a crise internacional que se agrava.

 

Aproveitando a presença de delegações estrangeiras de todo o mundo, a Secretaria de Relações Internacionais abriu este espaço de intercâmbio com os dirigentes de partidos de esquerda para ouvir um pouco sobre a avaliação de conjuntura de cada um. Estão previstas até o momento 90 pessoas, representando 60 organizações de cerca de 40 países. Discursaram 14 partidos de 12 países no período da manhã, 21 partidos de 14 países no período da tarde, e mais 13 dirigentes nesta quinta-feira (14) de manhã.

A crise capitalista internacional e suas consequências principalmente nos países centrais foi o tema que norteou o debate. Embora nos países periféricos a crise não tenha se expressado com a mesma intensidade, a ofensiva imperialista tem seus reflexos em todo o mundo, por meio de reação bélica e acordos bilaterais duvidosos como reação do países ricos para garantir os recursos necessários a sua retomada econômica. Nos países onde a classe trabalhadora mais sofre, abre-se uma oportunidade de intervenção mobilizadora rumo a uma alternativa de esquerda, da mesma forma que a direita disputa as massas com o pensamento nazifascista.

Capitalismo e imperialismo
Foi a partir desse debate, que o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, abriu o seminário apontando as lições que se impõe aos comunistas com a crise. “Podemos assistir o relançamento da luta pelo socialismo, ainda que condicionada pela defensiva estratégica”, afirmou Rabelo. Para ele, há um aspecto alentador na luta pelo socialismo em condições mais favoráveis, com a atual crise, pois observa-se uma tendência ao declínio dos países imperialistas, ao passo que emergem novas lideranças na geopolítica internacional.

Rabelo apontou como os países comunistas resistem exitosamente à crise, a partir da percepção de que não há um modelo único de transição para o socialismo. Na América Latina, Rabelo aponta experiências de relançamento da luta pelo socialismo no mundo, por meio de governos como Venezuela, Bolívia e Equador. Por outro lado, atualiza-se a visão leninista de imperialismo, com a ofensiva dos países ricos sobre economias e governos vulneráveis em sua soberania.

“O capitalismo não se desenvolve simetricamente, ao contrário, o desenvolvimento desigual é a chave para entender as dinâmicas estruturais desse sistema”, cita Rabelo. Se em outros momentos, os países centrais se beneficiavam da exploração dos países periféricos, a teoria continua valendo pelos efeitos desiguais que se manifestam na economia pujante dos países periféricos com seus amplos mercados de consumo, formados a partir de políticas de distribuição de renda, enquanto os países desenvolvidos vivem uma brutal recessão. Rabelo aponta as medidas que os Brics, grupo de países em desenvolvimento, buscam para proteger suas moedas e fluxos de comércio entre eles.

As potências manobram para prolongar o status quo, mas os países que emergem estabelecem uma nova ordem internacional de defesa da democratização e de reforma dos organismos das Nações Unidas. “No curso da luta para acelerar a correlação de forças, cabe às forças revolucionárias e progressistas valorizar o papel de coalizões contra-hegemônicas e contestadoras do status quo imperialista”, disse Rabelo, citando as relações entre China e Rússia e a Aliança Ibas (Índia, Brasil e África do Sul).

Rabelo evitou abordar a conjuntura brasileira, que será foco da intervenção multifacetada sobre o país, durante todo o 13o. Congresso do PCdoB, inclusive por meio de seu informe e dos discursos do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma. Mas Rabelo mencionou que o Brasil tem sido porta-voz de posições progressistas no cenário internacional para solução de controvérsias que ocorrem à revelia da Carta da Onu.

O governo brasileiro tem priorizado a integração da América do Sul, como um tema prioritário da geopolítica. “Por isso, tem manifestado grande preocupação com a situação do Pacífico Sul”, disse ele, citando o modo como os EUA tenta minar a integração do continente por meio de acordos bilaterais.

O PCdoB, como organização marxista-leninista, tem no internacionalismo um princípio constitutivo de sua organização e atuação. Lembrando isso, Rabelo afirmou que o seminário é parte de um esforço que deve ser intensificado para discutir temas políticos teóricos e ideológicos de grande importância para o cenário internacional contemporâneo.

Leia os trechos mais importantes das intervenções de cada representante internacional: (continua…)

Africa do Sul, Partido Comunista da África do Sul, Christopher Matllhako

O Partido Comunista da África do Sul tem garantido importantes vitórias eleitorais nos últimos 17 anos. No próximo ano, fará um importante balanço de lutas e conquistas, como este que compartilha agora com o PCdoB.

Matlhako afirmou que estas ocasiões são a oportunidade em que questões de tática e estratégia merecem atenção importante. Ele considera que o Estado tem um papel chave como concentração de força política.
Desde o colapso do comunismo e a sedução do consumo nos países do leste europeu, o capitalismo liberal se apresenta como a última fase da civilização.

O sul-africano aponta os limites dos movimentos antiglobalização surgidos no final dos anos 1990. Em sua opinião, nenhum desses novos movimentos conseguiu apresentar estratégias coerentes e consistentes contra o projeto político do capitalismo. O capitalismo absorveu os movimentos de massa e o poder do estado continuará como antes.

Por outro lado, o consenso liberal está sendo desacreditado desde a queda do Muro de Berlim. “Não estamos no pré-óbito dessa situação, mas exige alternativa e os trabalhadores precisam de alternativas que não sejam cosméticas e reformistas”.

Para ele, o multipartidarismo é parte importante dessa luta. “Não implica em rejeição ao marxismo ou à analise de Lênin que continuam precisas e convincentes, mas devem ser aplicadas nas condições do mundo atual.”

Argentina, La Campora, Federico Montero

Montero compartilha da análise das tendências globais feita por Rabelo. Ele também avalia que há uma convivência da periferia em defensiva estratégica contra o imperialismo dos países centrais em crise.

“Acreditamos e defendemos, como a presidenta Cristina Kirchner, a luta pela reforma dos organismos multilaterais, assim como reivindicamos a autonomia das Ilhas Malvinas e agradecemos a solidariedade nessa luta”. Ele considera essas reformas importantes para arrefecer o afã militarista dos EUA, neste momento de crise econômica.

Seu partido acredita na construção de um novo modelo de soberania política e integração regional e defende as lutas políticas dentro da tradição do peronismo que é uma força muito popular em seu país. “Defendemos com unhas e dentes um processo iniciado em 2003 que significou o final de uma forca política e do neoliberalismo.”

A crise profunda pela qual passou a Argentina terminou um ciclo de retrocessos. “A recuperação da soberania para nós foi muito importante”, diz ele, referindo-se, principalmente, ao significado do não à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), em Mar Del Plata, ao sepultar essa tentativa de integração hegemônica norteamericana. “Os Kischner foram protagonistas do cancelamento da dívida histórica  dos fundos abutres”, comemora ele.

“Enfrentamos uma profunda reforma política do país, com regulação dos partidos, acesso ao financiamento público e dos espaços dos meios de comunicação para que todos possam participar”, diz ele, acrescentando a reforma judicial e dos meios de comunicação.

Hoje, os meios de comunicação tentam manter a hegemonia cultural dos poderes do neoliberalismo, mas o país passa por uma reforma importante dos meios de comunicação. Ou seja, o país vive uma ampliação de direitos sem precedentes.

Existe uma preocupação, segundo Montero, de construir maiorias sociais e não apenas maiorias eleitorais para consolidar esses processos de mudanças.

Argentina, Frente Grande, Javier Pablo Hermo

Bolívia, Partido Comunista da Bolívia, Senador Ignacio Mendoza

Canadá, Partido Comunista  (marxista e leninista), Margaret Villamizar

Coreia, Partido do Trabalho da Coreia, Pak Kun Gwang

Colômbia, Partido Comunista da Colômbia, Pietro Alarcón

Colômbia, Marcha Patriótica, Juan Pablo Tapiro

EUA, Partido Comunista dos Estados Unidos, Gary Dotterman

França, Partido Comunista Francês, Obey Ament

Galícia, União do Povo Galeco, Duarte Correa Pinheiro

Grã-Bretanha, Partido Comunista da Grã-Bretanha (marxista-leninista), Novjot Brar

Grécia, Partido Comunista da Grécia, Lefteris Nikolaou

Guatemala, Aliança Nova Nação, Eucevio Figueroa

Itália, Francesco Maringio, Partido Comunista Italiano.

Japão, Partido Comunista Japonês, Hiracu Sugawara

Laos, Partido Popular Revolucionário do Laos, Buakeo Phumvongsay

Nicarágua, Frente Sandinista de Libertação Nacional, Marvin Ortega

Palestina, Frente Popular para Libertação da Palestina, Nader Alves bujah

Palestina, Fatah-OLP, Fauzi El-Masheem

Panamá, Partido do Povo do Panamá, Moises Carrasquilla

Paraguai, Frente Ampla Guaçu, Victor Barreiro

Paraguai, Partido Popular Tekojojá, Ricardo Canese.

Peru, Partido do Povo, Luis Alberto Salgado.

Portugal, PCP, José Capucho

Peru, Partido Comunista Peruano, Roberto de la Cruz Huamán

Portugal, União Democrática Popular, Joana Mortagua

Grã-Bretanha, Partido Comunista Revolucionário (ML), Michael Chant.

Paraguai, Partido Comunista do Paraguai, Derlis Villagra.

Iraque, Partido Comunista do Iraque, Azet Salman Sadik

Peru, Partido Comunista Pátria Roja, Rolando Brena Pantoja

Líbano, Partido Comunista, Khaled Mahassen

Tunísia, Partido Watad Unificado, Farouk Jhinaoui

Uruguai, Partido Comunista, senador Eduardo Lorier

Partido Comunista da Federação Russa, Rashkin Valery

Alemanha, Die Linke, Dietmar Schulz

Benin, Gilbert Kouessi, Partido Comunista

Argentina, Partido Comunista, Victor Hugo Gomez

Chipre, Partido progressista do povo trabalhador, Vera Polycarpou

Argentina, Frente Transversal Nacional e Popular, Oscar Laborde

Palestina, Partido do Povo Palestina, Asem J. R. Abdalhadi

Itália, Partido da Refundação Comunista, Marco Consolo

Argentina, Partido Comunista Congresso Extraordinário, Ezequiel D Adamo

Saara ocidente, frente popular de liberacion de saguia el hamra y rio de oro polisario, Hash Ahmed

Siria, Partido Baath, Hassam Abbas

Venezuela, Partido Socialista Unido de Venezuela, Marelis Perez

Cuba, Partido Comunista, Maria Antonia Ramos

Vietnã, Partido Comunista, Nguyen van Kien

 

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