Em debate com UJS, Renato propõe mobilização juvenil e popular


O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, participou na manhã desta quarta-feira (29) do seminário nacional da União da Juventude Socialista. Com o tema “Avançar nas mudanças e na democracia”, o dirigente comunista deu uma verdadeira aula aos jovens que ao final, no debate, mostraram terem entendido a lição de casa.

Mariana Serafini, do Portal Vermelho

 

Renato Rabelo no seminário da UJS

Renato Rabelo destaca o papel importante da juventude nas transformações da sociedade

Renato começou alertando os militantes sobre a ofensiva política e ideológica que os setores reacionários da elite capitalista já prepararam para o Brasil e começam a colocar em prática neste 2014, quando vamos receber a Copa do Mundo e haverá eleições presidenciais. “Eles [partidos da direita reacionária] querem jogar a presidenta [Dilma Rousseff] às cordas, nós não podemos ser ingênuos num momento como este”.

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“Consciência política e unidade são vitais para a luta em curso”, afirma Renato

O dirigente comunista esclareceu aos jovens os reais interesses da oposição ao governo progressista do Brasil: “Eles querem o resgate da elite dominante capitalista”. E mostrou o caminho a ser seguido. Segundo Renato, a luta hoje não é só política, é também ideológica e é preciso se preparar para as eleições que estão por vir.

“Estamos vivendo um novo Brasil, em onze anos de governo progressista muito se avançou e as necessidades do povo brasileiro hoje são outras”, assinalou. Para Renato, este novo Brasil significa também uma nova etapa política onde os partidos políticos e os movimentos sociais organizados devem se renovar para atender aos anseios de uma população que hoje está disposta a exigir melhorias na educação, na qualidade de vida, na mobilidade urbana. “Nós precisamos nos renovar e conversar com esses movimentos que estão surgindo [refere-se às manifestações de junho de 2013]”.

Neste ponto, elogiou a iniciativa da UJS de ter convidado os organizadores dos chamados “Rolezinhos”, para participar do seminário. “Foi muito acertado isso que vocês fizeram, chamaram aqueles meninos do Rolezinho pra conversar e entender a necessidade deles, parabéns!”. Renato afirmou ainda que os jovens da periferia são o reflexo deste novo momento que o país está vivendo. “São pessoas que não tinham condições, hoje têm posses, têm como consumir e a cidade não está nem aí pra elas, só resta o shopping”.

Afirmou ainda que é papel não só da juventude, mas dos partidos políticos, construir um grande movimento das massas, organizado e com capacidade de mobilização. Destacou a importância das redes sociais, que “são importantes para a mobilização e organização, mas não são um fim sem meio, é preciso uma organização coletiva que norteie essa vontade de mudança que as pessoas expressaram nas ruas”.

Alertou sobre o posicionamento da imprensa tradicional cuja capacidade de falar diretamente com o povo nenhum partido político do país tem, e consegue, muitas vezes, pautar as reivindicações da população de acordo com uma realidade que não corresponde às necessidades reais dos trabalhadores e trabalhadoras. “Como vamos chegar ao povo? Precisamos da mídia, por isso a democratização dos meios de comunicação é tão importante”, disse.

Citou o exemplo da Venezuela, onde o presidente Hugo Chávez costumava convocar as massas através dos veículos de comunicação. “Hoje a presidenta faz muitos pronunciamentos se dirigindo ao povo, mas se fizesse como Chávez, a imprensa iria detonar a imagem dela”. Segundo Rabelo, é fundamental a democratização dos meios de comunicação para se fortalecer o quadro político da esquerda. “A mídia tradicional defende os interesses das elites reacionárias, hoje nenhum partido político tem o poder de comunicação da Globo, por exemplo”.

Para o Brasil seguir avançando

Segundo o presidente do PCdoB, para o Brasil seguir no rumo certo da democracia e das conquistas populares, é preciso trabalhar muito, especificamente em dois pontos: fazer uma grande integração nacional e redirecionar a política macroeconômica.

A grande integração nacional depende, segundo Renato, de uma infraestrutura que atenda as necessidades do país de Norte a Sul com ferrovias, aeroportos modernos, hidrovias, portos, autoestradas e outras vias que promovam a mobilidade nos centros e acesso às regiões mais distantes. Ele também defende que o país pode se tornar uma grande potência alimentar e energética.

Já com relação à política macroeconômica, Renato afirma que é preciso mudar os rumos da economia que favorece sempre as mesmas elites capitalistas. Para isso, o pilar é composto de três pontos importantes: juros, câmbio e salário. Ao contrário do que defendem os economistas da elite, os juros devem ser baixos, o câmbio competitivo e o salário com alto poder de compra. Desta forma o país tem capacidade de competir no mercado externo e continuar evoluindo em seu mercado interno, que hoje é um dos mais movimentados do mundo.

Renato defende que para essas conquistas a esquerda brasileira precisa compreender e ampliar o terreno político. “Precisamos mudar a correlação de forças para que o povo tenha mais poder, mas como fazemos isso? Com o acúmulo de forças. Precisamos acumular forças para mudar a correlação e ampliar o poder das massas”.

Criticou o sistema político do país, onde é necessário fazer muitas alianças políticas para se ter governabilidade e neste ponto defendeu a reforma política. “Precisamos ter um campo de esquerda mais definido com as bandeiras que nós defendemos”.

Após a apresentação do dirigente comunista, os participantes do seminário se dividiram em grupos onde debateram o assunto e elaboraram perguntas ou apontamentos. Uma das questões levantadas foi sobre os desafios da esquerda para trabalhar de acordo com as necessidades do povo brasileiro. Renato prontamente respondeu que no terreno político é necessário fortalecer os movimentos sociais organizados e conversar com os novos. “Para isso, o papel da juventude é fundamental”, afirmou.

Alertou ainda sobre a necessidade de orientar manifestações populares que começam com propósitos dignos e se perdem no meio do processo devido à falta de orientação política. “No Brasil, para haver consciência política, é fundamental que nós trabalhemos neste processo de conscientização, precisamos aproveitar a campanha eleitoral que é um momento muito importante”.

Por fim, parabenizou a UJS pela iniciativa e apontou o caminho para as conquistas: “Quando uma juventude determinada como essa sabe o caminho que deve seguir, não há quem segure. Vamos sempre em frente!”.

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