“Dilma é a melhor pessoa para vencer as eleições”


Por Cezar Xavier
Em entrevista a blogueiros, Lula defende constituinte para reforma política e regulação da mídia, além de pedir fim de “boataria” contra Dilma. “Eu não sou candidato. Minha candidata é a Dilma Rousseff. E eu conto com vocês para divulgar isso e acabar com essa boataria”, assim o ex-presidente Luiz Inácio da Silva abriu a entrevista coletiva para blogueiros que aconteceu nesta terça-feira (8) no Instituto Lula em São Paulo. Lula desmentiu que será candidato este ano e brincou, “Isso eu não posso registrar em cartório, mas não sou candidato”. A coletiva foi transmitida ao vivo pela internet e assistida por mais de dez mil conexões.

O ex-presidente, que foi o primeiro mandatário a realizar uma entrevista coletiva com blogueiros no Brasil, em 2010, voltou hoje a falar para os profissionais da internet sobre diversos assuntos. Lula falou sobre eleição, manifestações, democracia, PT, Petrobras, economia, saúde, Copa do Mundo, mensalão, reforma política e outros assuntos.

Ele explicou aos participantes que não fala há muito tempo com a imprensa por ser ex-presidente, e que a sua percepção é de que “os meios de comunicação no Brasil pioraram do ponto de vista da neutralidade”. Lula disse ainda a imprensa tem que colocar a verdade para a população. “Têm que ser pelo menos verdadeiros. Contra ou a favor, que a verdade prevaleça”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu o fim da “boataria” sobre sua possível candidatura à presidência da república nas eleições deste ano. Em evento com blogueiros em São Paulo nesta terça-feira, Lula descartou a hipótese de se lançar como candidato e endossou seu apoio a Dilma Rousseff.

“Não sou candidato. Gostaria que vocês contribuíssem para acabar com essa boataria. A Dilma é a minha candidata”, afirmou o ex-mandatário antes do início de entrevista com os presentes no evento.

Em meio à queda na aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff e perda de terreno na disputa eleitoral, segundo as últimas pesquisas, o nome de Lula voltou a ser cotado. Quando aparece em cenários nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente continua demonstrando musculatura para ser eleito no primeiro turno se fosse candidato, o que tem reforçado os rumores do “volta Lula”.

Os números da pesquisa mais recente, feita em abril e divulgada pelo instituto Datafolha no sábado, mostraram que se Lula fosse o candidato petista, 52% dos entrevistados votariam nele. Com Dilma candidata, o percentual ficou em 38% , ante 44 por cento de pesquisa feita em fevereiro.

No cenário com Lula, o pré-candidato do PSDB, o senador Aécio Neves, manteria os 16%, e o presidente do PSB e ex-governador pernambucano, Eduardo Campos, ficaria com 11%. O ex-presidente também se adiantou em assegurar que não tem divergências com a presidente Dilma. “Tem que ter cuidado para não dar palpite para quem está governando”, afirmou. “Eu disse um dia que se houvesse divergência entre a Dilma e mim, ela estaria certa, e acabaria a divergência”, acrescentou.

Mensalão

Durante o evento, em que foram abordadas diversas questões sobre a política contemporânea, Lula também abordou o julgamento da Ação Penal 470.

“Eu espero que o PT tenha aprendido a lição do que significou a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do mensalão. Essa CPI deixou marcas profundas nas entranhas do PT. Se o PT tivesse feito um debate politico quando deveria, e não ficasse esperando um debate jurídico, história seria outra. Vocês sabem que a imprensa construiu a historia desse julgamento e só o tempo irá mostrar”, disse o ex-presidente.

Lula questiona até hoje o início das investigações que resultaram no processo do mensalão. “Penso como é possível uma CPI que começou a investigar R$ 3 mil reais, em uma empresa pública comandada pelo PMDB, investigou gente do PDT e acabou no PT”, falou o ex-presidente, ao se referir à CPI dos Correios, origem do escândalo do Mensalão.

Sobre a Petrobras, Lula citou que, em 2009, “se levantou uma CPI contra a Petrobras”. De acordo com o petista, o Tribunal de Contas da União sempre esteve dentro da empresa e que tudo será investigado. “Esse caso de Pasadena já foi para o TCU, já foi para o Senado, voltou outra vez possivelmente porque algumas das pessoas que estão ansiosas por uma CPI trabalham com a o enfraquecimento da Petrobras. Que brasileiro se interessa pelo enfraquecimento da Petrobras?”

Para Lula, a questão de Pasadena é usada com propósito eleitoral por membros da oposição. “A gente vê oposição que nunca quis CPI, agora tentando tirar proveito de seis meses de campanha”, concluiu.

Mudança na base aliada

Lula também demonstrou estar desapontado com a candidatura do ex-aliado do PT, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). “Tenho uma bela relação com o Eduardo Campos, já tinha uma bela relação com o avo dele. Sou agradecido com tudo que ele contribuiu e ele deve ser muito agradecido a tudo que o meu governo contribuiu para o Estado de Pernambuco. (…) Espero que ele faça a campanha, se for fazer uma campanha de apresentação, tudo bem. A Dilma precisa governar esse País para que o País não seja pego de sobressalto”, disse.

Lula questiona o posicionamento de Campos ao se tonar concorrente do PT. “Na hora em que rompe com o PT, não há sinal de ir para a esquerda, o sinal é ir para a direita. Eu não compreendo”, falou.

Saúde

Quando questionado sobre a situação da Saúde no Brasil, Lula voltou a criticar o processo que resultou no fim da CPMF. O ex-presidente ressaltou os avanços dos últimos anos, mas concluiu que é impossível ter uma saúde de qualidade sem um imposto exclusivo. “Dizem que no governo tem muito recurso. Todo mundo acha que tem dinheiro de sobra, e não tem. A saúde custa caro”, disse.

“No fundo, no fundo, quiseram acabar com a CPMF para evitar a maior fiscalização do governo no negócio de sonegação de impostos do brasil. Eles tiraram, só naquele ano, R$ 50 bilhões da Saúde. Se você somar os 4 anos de mandato, foram quase R$ 200 bilhões que tiraram da saúde no meu mandato.”

O ex-presidente também manifestou-se contra a aprovação da lei antiterrorismo que é debatida no Congresso.

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