Brasil convoca embaixador e Israel se diz “decepcionado” com a medida


Ministério brasileiro de Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou uma nota, nesta quarta-feira (23), informando a chamada ao embaixador do Brasil em Israel para consultas, em Brasília. O texto condena a escalada da violência que, em quase três semanas, já resultou em 660 mortes entre os palestinos, com um “elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”. A Chancelaria israelense reagiu, nesta quinta (24), indicando que a medida “dá vantagem ao terrorismo”.

Mohammed Abed / Maan / AFP

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Parentes de quatro crianças mortas por um bombardeio israelense na praia da Faixa de Gaza, todas da família Bakr, em 16 de julho, participam do funeral.

“O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes,” afirma a nota do Itamaraty, que informa ainda o voto favorável do Brasil, enquanto membro do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, pela criação de uma comissão de investigação das denúncias de crimes de guerra.

A resolução, esboçada pelos representantes palestinos na reunião, foi aprovada por 29 votos favoráveis entre os 47 membros do Conselho. Os Estados Unidos apresentaram o único voto negativo, na sequência das posições declaradamente favoráveis à ofensiva israelense contra a Faixa Gaza palestina e da aliança sustentada com o governo agressor de Israel. As potências europeias, por sua vez, abstiveram-se.

O chanceler israelense Avigdor Lieberman, citado pelo jornal Jerusalem Post, acusou o conselho de ter se “tornado há muito um conselho de direitos de terroristas” – mencionando Cuba e Venezuela – e também de antissemitismo, reação usual contra qualquer crítica às políticas racistas e agressoras do governo. Lieberman defendeu repetidamente que a ofensiva só deve terminar quando o exército de Israel retomar o controle da Faixa de Gaza, de onde milhares de colonos israelenses foram retirados em 2005, embora a medida tenha sido sucedida pelo bloqueio completo do território litorâneo.

O Ministério israelense de Relações Exteriores também emitiu uma nota através da sua página oficial, nesta quinta-feira (24), afirmando “decepção” com a decisão brasileira, que “não contribui para promover a calma e a estabilidade”, mas “oferece vantagem ao terrorismo”. No dia anterior, o Equador também havia decidido convocar o seu embaixador em Israel.

Ofensiva contra os palestinos

Nos 16 dias desde que a operação “Margem Protetora” foi lançada contra Gaza, mais de 660 palestinos já foram mortos, principalmente civis e cerca de 180 crianças, de acordo com a ONU, em episódios brutais e de flagrante violação do direito internacional humanitário, que pretende proteger a população civil em tempos de conflito armado. Ainda assim, é importante enfatizar o caráter unidirecional da agressão contra um território sitiado há sete anos por Israel, o que resulta em constante emergência humanitária, enquanto a reação às ofensivas, inclusive através da resistência armada, é deslegitimada enquanto “atos terroristas”.

Em carta aos principais órgãos da ONU (Conselho de Segurança, Assembleia Geral e Secretaria Geral), o embaixador do Estado da Palestina Ryiad Mansour apelou, ainda na quarta-feira, por medidas concretas relativas às denúncias reiteradas sobre crimes de guerra perpetrados pelas forças israelenses. A carta, divulgada pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), é a 510ª enviada à ONU desde 2000, instando a comunidade internacional a cumprir seu compromisso de proteção dos direitos dos palestinos. O texto reitera o apelo:

“Ainda que a comunidade internacional tenha instado Israel repetidamente a encerrar esta agressão sangrenta contra o povo palestino, Israel, como em tantas outras vezes antes, escolhe deliberadamente ignorar esses apelos e continua, ao invés disso, a sua campanha de devastação e destruição contra a Faixa de Gaza e a sua população civil. A comunidade internacional precisa continuar a exigir que a potência ocupante encerre imediatamente essa agressão, sua grave punição coletiva e todos os outros crimes e violações que está perpetrando contra o povo palestino em todo o Estado ocupado da Palestina, inclusive em Jerusalém Oriental”.

Por Moara Crivelente, da Redação do Vermelho

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