Crise da Água em SP leva tucanos a apelar para a baixaria


A crise da falta de água em São Paulo levou o PSDB a apelar para a baixaria no lugar de dizer claramente como vai atenuar o problema. Depois de a presidenta Dilma se colocar à disposição do governo estadual para ajudar a população a superar a pior crise de abastecimento de água da história de São Paulo, alguns tucanos paulistas reagiram com total destempero.

O ex-governador Alberto Goldman, coordenador da campanha de Aécio Neves em São Paulo, usou palavras de baixo calão. Num momento flagrantemente infeliz, ele disse que “Dilma merece a medalha da sacanagem (sic)”. O governo tucano de São Paulo foi alertado desde 2004, pelos órgãos técnicos, que tinha a obrigação de aumentar a reservação de água para a cidade de São Paulo e diminuir a dependência da Capital em relação ao Sistema Cantareira. Mais que isso: quem renovou a outorga do Cantareira e assumiu o compromisso de reduzir a dependência da Capital, em 2004, foi o governador Geraldo Alckmin, que era governador também naquela época. Mas, nesses dez anos, ele pouco fez para cumprir o compromisso assumido.

Pior ainda fez o deputado federal José Aníbal, também do PSDB. Ele usou o Twitter para atacar o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu. “Este vagabundo”, falou Aníbal, baixando o nível. Mas o que fez Andreu, presidente da ANA? Simplesmente o que faria qualquer outra pessoa em sua posição: ao mesmo tempo em que encaminhou soluções, como a autorização à retirada de mais uma parte do volume morto do Sistema Cantareira, também colocou o dedo na ferida ao apontar os erros dos tucanos na gestão da crise hídrica.

O candidato Aécio Neves entrou no mesmo clima tucano de condenar quem deseja ajudar. Sua resposta ao problema da crise da água em São Paulo foi mais um ataque agressivo à presidenta. Ao invés de buscar soluções conjuntas, que unam os brasileiros de São Paulo, Aécio tentou jogar para o governo federal a responsabilidade pela falta de investimentos e obras de captação de água.

É uma dupla inverdade. Antes de tudo porque ele, como ex-governador, deveria saber que essa é uma atribuição estadual. De acordo com a legislação brasileira, a gestão dos recursos hídricos disponíveis no território de um estado é de responsabilidade do governo estadual. Aécio Neves, ao tentar usar eleitoralmente a crise que afeta São Paulo, mostra pouco conhecimento das leis, além de uma enorme insensibilidade.

E Dilma fez tudo o que estava ao seu alcance para enfrentar o problema. No início do ano alertou o governo tucano que a estiagem iria ser severa e que medidas precisavam ser tomadas. Mas nada foi feito. Como solução emergencial, o governo federal liberou o uso da primeira cota do Cantareira e agora mais uma parcela para diminuir o problema até que as chuvas cheguem. Dilma também anunciou a liberação de R$ 1,8 bilhão para o consórcio que irá construir o sistema São Lourenço, que ampliará a oferta de água a partir de 2017, mas que já deveria estar pronto, não fosse a lentidão do governo tucano em planejar e licitar a obra.

Hoje parece claro a todos que a crise da água em São Paulo é fruto do modo tucano de governar, pois se os governos do PSDB no estado tivessem feito as obras planejadas para diminuir a dependência do Sistema Cantareira, o quadro seria outro. No lugar de investir uma parcela do lucro da Sabesp nas obras que dariam segurança hídrica aos paulistas, os tucanos, tal qual na crise do apagão da energia elétrica do governo FHC, resolveram contar apenas com São Pedro. Provavelmente porque estavam mais preocupados em pagar altos dividendos a especuladores da Bolsa de Nova York, que compraram ações da Sabesp, do que em garantir água à população de São Paulo.

São Paulo agora precisa da ação de todos para pelo menos reduzir os danos causados por essa falta de planejamento, investimento e obras. E pela ausência de transparência e honestidade na condução da crise de falta de água. Certamente, o que as pessoas de São Paulo não precisam é da demagogia demonstrada por Aécio. E muito menos da baixaria protagonizada por Goldman e José Aníbal.

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