Conae 2014 debate a democratização da educação


Diante das conquistas recentes no campo da educação, a Conae 2014, que acontece em Brasília – DF, discute os novos desafios que envolvem a democratização da educação em um país onde a população universitária cresceu muito, mas que ainda é pequena diante dos desafios enfrentados por uma nação do nosso porte.

 

Reprodução

A Conae 2014, acontece em Brasília – DF e termina neste domingo (23)

A Conae 2014, acontece em Brasília – DF e termina neste domingo (23)

Nos últimos anos, 18 universidades públicas foram criadas, por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras (Reuni). Bolsas, parciais e integrais, do Programa Universidade Para Todos (Prouni), permitiram o acesso de mais de um milhão de alunos à universidade. Em 2013 cerca de 119 mil novos alunos se matricularam em universidades por meio do Sistema de Seleção Unificado (Sisu).

A mesa ‘’Democratização da Educação: limites, possibilidades e desafios” discutiu na tarde do último sábado (22-11) quais os novos desafios que este cenário atual da educação trazem para os estudantes e para a sociedade.

O diretor de comunicação da União Nacional dos Estudantes, Thiago José, foi um dos debatedores da mesa, e disse em sua fala que o processo seletivo para acessar a faculdade ainda não é o ideal, mas já não há mais a lógica do vestibular, classificada como “perversa” por ele. “O Enem e o Sisu acabam com a rotina do vestibulando que cada dia fazia vestibular em uma universidade. Era uma maratona de provas. Se você prestasse vestibular pra 5 federais, você gastava muito dinheiro. Isso excluía também os mais pobres”.

Para o coordenador do Movimento dos Sem Universidade, Sérgio Custódio, a lei de cotas foi um dos pontos importantes nesta construção, mas o ideal, para ele, é que o jovem possa entrar na universidade sem barreiras: “Em que medida 5 milhões de negros, num país em que temos menos de 20% dos jovens nas universidades, não podem ir direto para a universidade? Creio que o povo negro é estratégico para o Brasil. Não o enxergo apenas na universidade. Enxergo o negro no comando do país”, disse.

O diretor da UNE disse também que com a presença de diferentes personagens, a universidade ganha novas características: “a produção de conhecimento se altera com novos alunos. Antes a produção de pesquisas eram limitadas a determinados alunos, hoje o jovem da periferia influencia e traz experiências para dentro da instituição. A lei de reserva de vagas garante este cenário e coloca a universidade como política de estado. Ter também uma universidade em uma cidade pequena, muda a relação das pessoas com a cidade, e a perspectiva da cidade diante do Brasil”.

Mas a inclusão do negro na universidade, segundo a professora Zélia Amador de Deus, da Universidade Federal do Pará (UFPA), passa por outros desafios: “Temos a pessoa nos bancos escolares e a pessoa se vendo na narrativa da escola. Alguns grupos não se veem nas narrativas da sala de aula. E nós negros e pouco nos vemos. Queremos nos ver incluídos na narrativa da história brasileira. Por isso lutamos para incluir a história da África na grade curricular”. E concluiu lembrando que é preciso criar uma nova maneira de lidar com o quadro universitário que estamos construindo: “O Brasil é tão elitista no que diz respeito à educação superior, que durante muito tempo foi oferecida a educação dos mesmos para os mesmos, e assim nossa população universitária se manteve sempre muito pequena. Fomos obrigados então a ter metas de aumentar nossa população universitária. O Prouni, o Fies, são formas de se cumprir essas metas. Mas é preciso agora de políticas afirmativas que deem suporte para a permanência e o desenvolvimento de grupos historicamente excluídos das salas de aula”.

Fonte: UNE

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