Aldo Rebelo participa de evento que apresenta o legado da Copa


Muito além dos gramados, a realização da Copa do Mundo em solo brasileiro deixou grandes marcas. Para discutir os benefícios alcançados, o auditório do Maracanã – palco da decisão e estádio recordista em média de público – recebe até esta quinta-feira (4) o seminário “Copa 2014: legados para o Brasil”.

“Copa 2014: legados para o Brasil” mostra resultados econômicos, culturais e de infraestrutura

“Copa 2014: legados para o Brasil” mostra resultados econômicos, culturais e de infraestrutura

Durante a abertura do evento, organizado pelo Ministério do Esporte e coordenado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), nesta quarta-feira (3), o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, destacou que o sucesso da competição no Brasil é reconhecido pelos organizadores das próximas edições.

“A Copa do Mundo foi a prova da nossa capacidade de enfrentar os desafios, e hoje o Catar e a Rússia querem a cooperação do Brasil. Nossa Copa foi um sucesso, um êxito de organização em uma logística muito difícil”, assinalou.

Em meio aos resultados econômicos, culturais e de infraestrutura alcançados, o ministro apontou outro fator como o grande ganho a ser deixado para o País. “Acredito que o mais permanente legado é o que vai ficar na cabeça das pessoas”, comentou.

“Que fique para as gerações mais jovens que somos um País em construção, mas muito capaz de enfrentar e superar desafios.”

E o próximo grande compromisso já está em curso por todo o Brasil.

“Temos obras importantes concluídas e entregues dois anos antes das Olimpíadas. Os Jogos não serão um acontecimento apenas do Rio de Janeiro. Estamos construindo 5 mil quadras em escolas públicas, piscinas oficiais, pistas de atletismo em todos os estados brasileiros, 285 centros de iniciação ao esporte em 263 regiões metropolitanas do país, além de termos o Plano Brasil Medalhas para a preparação dos nossos atletas”, afirmou.


Integração

A enorme estrutura em torno da organização da Copa do Mundo contou com a integração de todas as esferas participantes: foram 29 órgãos do governo federal envolvidos, 90 órgãos públicos locais e 2.200 gestores públicos e privados, participando, ao todo, de 277 reuniões de alinhamento e ajustes dos planos operacionais.

“Nosso objetivo era entregar a melhor Copa do Mundo de todos os tempos. Foi esse interesse em comum que presidiu a integração que se firmou em todo o processo e, no meu entender, foi a chave do sucesso da organização da Copa no Brasil”, analisou o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luís Fernandes.

“Sem integração, não funciona. Nenhuma entidade vai fazer um evento desse tamanho sozinha”, acrescentou Ricardo Trade, diretor executivo do Comitê Organizador Local (COL) e que foi convidado para atuar como consultor na Copa do Mundo da Rússia.

Transformação

Um dos legados de mais fácil identificação é a construção e reforma dos 12 estádios, o que já tem trazido benefícios para o País.

“A melhoria nos estádios é o que faltava para impulsionar o nosso futebol. Além disso, hoje temos estruturas de alimentação, transportes e no entorno. O Maracanã, por exemplo, é um dos pontos mais visitados do Rio de Janeiro e do Brasil. As arenas têm museus, restaurantes e recebem visitas. Viraram pontos de lazer para as pessoas”, exemplifica o gerente geral de operações de estádios do COL/Fifa, Tiago Paes.

Os benefícios do legado esportivo, contudo, vão muito além dos números concretos e dos valores investidos em cada equipamento.

“Existe também o legado que ainda não conseguimos mensurar, como o aprendizado que a Copa deixou. Fizemos, por exemplo, quatro seminários sobre preparação e manutenção de gramados, com a participação de quase 500 pessoas. Além disso, a entrada dos atletas em campo passou por mudanças após a Copa e isso já está sendo implementado no Campeonato Brasileiro”, exemplificou o gerente de competição e serviços do COL/Fifa, Frederico Nantes.

Os aprendizados também foram aproveitados pela aviação. “A Copa foi um divisor de águas porque não tínhamos experiência em grandes eventos no setor aeroportuário”, definiu Thiago Pedroso, gerente de projetos da Secretaria de Aviação Civil.

Segundo ele, a competição já permitiu também o início da preparação para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, a partir de novos testes de operações, da participação de concessionárias e das novas estruturas oferecidas nos aeroportos.

Além disso, o setor deve continuar em crescimento exponencial nos próximos anos: entre 2003 e 2013, o número de passageiros embarcados saltou de 70 milhões para 203 milhões, sobretudo devido à redução nos preços das passagens aéreas. A expectativa é que essa demanda seja triplicada nos próximos 20 anos.

Na mobilidade urbana, a Copa do Mundo também movimentou obras em várias cidades. “Em São Paulo, 95% das pessoas usaram o metrô e o trem para ir aos jogos no Itaquerão e foi possível dar uma nova cara à região. Além disso, há uma obra de ligação entre Congonhas e o estádio do Morumbi”, exemplificou Clodoaldo Pelissioni, secretário de Logística e Transportes do Estado de São Paulo.

As telecomunicações viveram grandes desafios durante a Copa do Mundo, com 12 cidades distantes interconectadas por fibra ótica com uma velocidade de 8k.

“Os estádios representaram um enorme esforço porque estariam reunidas de 50 a 70 mil pessoas querendo publicar na internet ao mesmo tempo em que havia a transmissão dos jogos”, explicou o secretário executivo do Ministério das Comunicações, Genildo Lins, destacando ainda que a competição foi um catalisador para a conexão 4G.

Painéis

O seminário segue até esta quinta-feira (4), com painéis sobre a imagem do Brasil, direitos de cidadania, sustentabilidade, inclusão social e desenvolvimento humano, além de uma discussão sobre o aprendizado dos grandes eventos esportivos.

Fonte: Ministério dos Esportes

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