“A reforma política está imbricada com a realização de outras reformas estruturais democráticas e a modernização de nossa sociedade no sentido civilizacional. O conservadorismo, o obscurantismo, a intolerância, o preconceito e o fundamentalismo político e religioso são hoje os maiores obstáculos a esse avanço modernizador e civilizacional, para a concretização das reformas democráticas.”

Em debate na Câmara dos Deputados, Renato Rabelo defendeu a proposta da Coalizão da Reforma Política Democrática.
Assim falou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, na audiência pública em que a comissão especial da reforma política da Câmara reuniu, na tarde desta terça-feira (14), presidentes de cinco partidos – PCdoB, PSD, PRB, PDT e PSB, dando seguimento ao debate do tema com os dirigentes partidários.
Renato Rabelo defendeu a proposta da Coalizão da Reforma Política Democrática que, segundo ele, “é a matriz de uma proposta ampla e expressiva que pode contribuir para a resultante da reforma política tão almejada.”
Ele destacou que a proposta é contrária à participação empresarial e garante doação de pessoas físicas com limitações. E defendeu ainda que a reforma política aprovada no Congresso seja submetida a opinião do povo por intermédio do instrumento do referendo, que é participação popular.
Dois pontos candentes
Segundo o dirigente comunista, o debate na sociedade sobre a reforma política polariza em torno de dois pontos mais candentes – o financiamento de campanha e o sistema eleitoral para as casas legislativas.
“O PCdoB tem defendido fora e dentro do parlamento o que vai se tornando exigência crescente da população, que é a abolição do financiamento empresarial da campanha”, avalia Renato, para quem o financiamento empresarial é causa do encarecimento das campanhas e da incidência de ilícitos que têm levado à prática de delitos.
Segundo Renato Rabelo, o financiamento empresarial é também inconstitucional, de acordo com ação impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que pessoas jurídicas são artificiais e não cidadãos.
“Quando a desigualdade econômica produz desigualdade política, estamos diante de um sistema patológico, incompatível com os princípios que integram o núcleo básico da democracia constitucional”, avalia Rabelo, para enfatizar a posição contrária ao financiamento empresarial de campanha.
Posição do PCdoB
Renato Rabelo (foto) destacou que “desde que o PCdoB deixou de ser proscrito, temos lutado por uma reforma política democrática que fortaleça os partidos, não exclua as minorias do parlamento, ressaltando e garantindo os princípios constitucionais, entre eles o pluralismo político e partidário e o princípio da igualdade de chances; e por um processo eleitoral mais igualitário reduzindo substancialmente a influência do poder econômico.”
Além do financiamento empresarial de campanha, o presidente do PCdoB também falou sobre a cláusula de barreira, o fim das coligações nas eleições proporcionais e o “distritão”, posicionando-se veementemente contrário a qualquer uma das três medidas discutidas no contexto da reforma política.
Quanto ao sistema eleitoral para o parlamento, o PCdoB sempre defendeu o critério proporcional e é contra a adoção do “distritão”. “A representação proporcional se assenta nos partidos políticos, não nos indivíduos”, explica Rabelo, acrescentando que o “distritão” apaga a expressão política dos partidos na disputa para os parlamentos.”
Sobre a cláusula de barreira, Renato Rabelo disse que “sempre fomos veementemente contrários à institucionalização de uma cláusula de barreira, que veta a participação de minorias no parlamento, no fundo partidário e no direito de antena. Isso é uma acintosa forma de exclusão, um retrocesso antidemocrático, contrário à concepção da Constituição de 1988.”
O PCdoB também se posiciona contrário ao fim das coligações nas eleições proporcionais. Renato Rabelo criticou “a proibição unilateral – admitida na eleição majoritária – ao direito democrático dos partidos poderem celebrar coligações eleitorais para o parlamento.” Para ele, se a medida passou a favorecer deformações que possam desnaturar a identidade partidária, deve-se buscar formas de superá-las, e não renegar uma forma legítima de aliança política na eleição parlamentar. “Não jogar o menino junto com a água suja da bacia”, explicitou, sugerindo o instituto da Federação de Partidos ou Frente de Partidos como uma resposta mais adequada.
Ponto central
O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), em sua fala durante a audiência, lembrou que já foram feitas diversas tentativas de reforma política no parlamento, sem que nenhuma tenha obtido sucesso. E afirmou que “diante da dificuldade e impossibilidade de chegar a algo perfeito, que não existe”, ele apresentou para reflexão a possibilidade de fazer uma reforma gradativa.
Ele manifestou preocupação com o risco de “aprovar coisas que não se combinam e deformar o nosso sistema político”, defendendo que o debate se concentrasse no financiamento de campanha, “que é central, e que está à beira de capturar o sistema eleitoral brasileiro”, disse, repetindo as palavras de Renato Rabelo.
Medo da pressa
O presidente do PRB, Marcos Pereira, fez apelo aos deputados para que não façam reforma política de maneira apressada para não se configurar mais um remendo à Constituição. Lembrou que 70% das leis aprovadas na Casa foram julgadas parcial ou totalmente inconstitucionais pelo STF. E criticou a fala do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que “nem que seja na marra a reforma política vai ser aprovada até maio”.
“O PMDB diz que esta é a reforma possível para dar respostas às ruas. As ruas pedem mudanças nas propostas eleitorais enganosas – mudanças na saúde, educação, na forma de financiamento de campanha. Não vi pedido de cláusula de barreira já declarada inconstitucional por unanimidade”, afirmou Pereira, defendendo o aprimoramento do sistema atual.
Carlos Siqueira, do PSB, também elogiou o sistema político brasileiro, para quem existem aspectos positivos, “que garante a representatividade das minorias, nos permite pluralismo político e ideológico.”
Ele disse que a questão do financiamento empresarial não é apenas a corrupção, mas a interferência do poder econômico sobre o voto popular. E, ao fazer o histórico do sistema político eleitoral e partidário brasileiro, destacou que o objetivo é de ampliação cada vez maior.
Partidos fortes
O presidente do PDT, Carlos Luppi, fez um discurso em defesa do fortalecimento dos partidos. Ele lembrou que “a democracia no Brasil é recente – de 1989, quando elegemos o primeiro presidente civil por voto direto – e de lá para cá nós estamos queimando nosso patrimônio de conquistas sociais.”
Do Portal Vermelho
De Brasília, Márcia Xavier

Gostei do Blog! Vejam ALINE falando sobre as mudanças reais que devemos efetuar no país! https://www.youtube.com/watch?v=17K_voaE8J8 … abraços!
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