Estudantes cobram do Congresso mais espaço para debate


Na manhã da última terça-feira (16), cerca de mil estudantes manifestaram-se em frente ao Congresso Nacional. Entre cartazes e bandeiras, a reforma política, maior atenção ao ensino médio e a posição contrária à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos foram pontos centrais. Participaram do ato a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG).

 

Richard Silva/PCdoB na Câmara

Representantes de entidades estudantis apresentam prioridades na presidência da Câmara

Representantes de entidades estudantis apresentam prioridades na presidência da Câmara

Recebidos pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, as entidades demonstraram sua disposição em participar e em promover audiências em torno da redução da maioridade penal, garantindo a manifestação de adolescentes e de jovens brasileiros. Barbara Melo, presidenta da Ubes, enfatizou que “a maioria da juventude é contra a redução por acreditar que a educação é a saída para diminuir a violência”. Barbara apontou a reforma do Ensino Médio, que estipule metas de redução da evasão e a valorização dos professores, como uma política permanente do Estado. “Essa discussão tem de ser feita maneira ampla”, ressaltou.

De acordo com Orlando Silva (PCdoB-SP), vice-líder do governo na Câmara, a sinalização das entidades, ao abrir o diálogo foi positiva. O deputado é contra a redução da maioridade penal. “Eu tenho confiança que, com manifestações como as de hoje, com os estudantes brasileiros aqui, nós vamos reverter e impedir que a Câmara dos Deputados cometa essa violência contra a nossa juventude ao reduzir a maioridade penal”, avalia o parlamentar.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que prevê a redução da maioridade penal, teve aprovada sua admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara no mês passado. Uma comissão especial foi instalada para apreciar a matéria.

Em levantamento realizado pela Agência Câmara, 77,8% dos deputados da comissão especial que vai analisar a matéria são favoráveis à diminuição da idade para que um jovem seja responsabilizado penalmente como um adulto. São contrários à mudança na legislação atual apenas 22,2% parlamentares. A comissão tem 27 titulares e igual número de suplentes (a pesquisa não foi realizada entre estes).

Eduardo Cunha comprometeu-se em assegurar maior participação dos jovens nos debates. O presidente enfatizou, entretanto, ser pessoalmente “favorável à redução da maioridade pela isonomia de responsabilidade”.

Para o secretário de Relações Institucionais da UNE, Patrique Lima, “é um absurdo oferecer mais cadeia aos jovens em vez de ofertar mais escolas e universidades. A redução da maioridade penal é um atraso de direitos e nós não concordamos”. Sobre a reforma política, o dirigente acentuou “a necessidade de aperfeiçoamento dos instrumentos de participação dos jovens na política”.

A pauta de reivindicações dos estudantes inclui ainda o fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais, a criação de um plano de assistência para alunos do ensino técnico e uma reformulação do currículo do ensino médio.

Fonte: Liderança do PCdoB na Câmara

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