Lava Jato: Quebrar a economia do país. Viabilizar o golpe


ELIAS JABBOUR

Passou-se mais de uma década onde a ordem era privatizar, entregar, liquidar direitos sociais. O projeto de protetorado do FMI e região franca para trambiques econômicos de variada ordem, incluindo repasse direto de dinheiro público ao financiamento de privatizações. Estado mínimo para a maioria do povo sob a pena de repressão policial sem tréguas para os movimentos sociais. Estado máximo para a especulação e ao banditismo financeiro reduzindo a democracia a um elemento legitimador de uma ordem antinacional, antipopular. Tudo isso redundou numa quebra do tecido social brasileiro sentida até os dias atuais.

Essas forças de cunho ultraconservador foram derrotadas nas últimas quatro eleições. Não somente isso. Desde 2003 não se tem notícia de privatizações, leilão de patrimônio público. O contrário é verdadeiro com a retomada do poder do Estado em áreas estratégicas da economia. A Petrobras é exemplo claro deste rumo. O Brasil deixou de ser um país humilhado na arena das relações internacionais. Nos tornamos artífices de uma ordem internacional multilateral. E enfrentamos a crise financeira internacional de forma altiva, sem submeter a economia do país à quebradeira generalizada de empresas, nem o povo às agruras da fome tão notórias na década de 1990.

Foram anos de derrota da direita, mas também foram anos de acúmulo de forças por parte desta gente. Amplamente apoiada pelo aparato do oligopólio midiático e de amplas forças internas no próprio aparelho do Estado, conseguiram chegar a um termo estratégico claro. Tentar inviabilizar o governo Dilma, impedir a possibilidade de retorno de Lula em 2018. Para isso atacam os pilares fundamentais da ordem construída desde a eleição de Lula. Já foram além da simples mentira multiplicada e transformada em verdade ao ataque direto à tentativa de quebrar a Petrobras e as empresas nacionais diretamente ligadas às imensas carteiras de investimento produtivo e de infraestrutura numa forma brasileira de golpismo econômico e político que na Argentina ocorre sob a forma de ataques especulativos diários sob a moeda e na Venezuela com a escassez forçada de produtos básicos.

A prisão dos presidentes de grandes empresas do porte de uma Odebrecht e Andrade Gutierrez é o novo capítulo de uma trama que envolve a desde a concretização de expectativas artificiais de inflações até a criação de um ambiente de terrorismo econômico contra qualquer expectativa de investimentos. Abrindo caminho para uma recessão com vistas à derrota do projeto vencedor desde 2002. O objetivo político é evidente. Na esfera da economia eles tratam de garantir plenas condições ao capital especulativo estrangeiro e a velha receita de trocar os oligopólios nacionais por congêneres estrangeiras utilizando, para este fim, factoides morais, notadamente os chamados “escândalos de corrupção”.

A tentativa de médio prazo é utilizar de práticas medievais de provas longe de qualquer materialidade e colocar o ex-presidente Lula na prisão. Expediente típico de uma justiça politizada e reacionária se utilizando de juízes com claras posições conservadoras e prontos a rasgar a constituição e as premissas mínimas das garantias individuais previstas na constituição com operações policiais, publicidade total, vazamento de informações sigilosas e operações midiáticas espetaculosas. Um Estado paralelo cria-se para este fim golpista.

É neste momento de gravidade política que ganha mais corpo e sentido a necessidade de criação de uma frente ampla em defesa do Brasil, da democracia e do desenvolvimento. Sair da defensiva política em todos os aspectos. Aprender com a história, separar o essencial do periférico. A frente ampla, a denúncia do golpismo e a recomposição das forças de manutenção de nosso projeto e objetivos dentro e fora do Congresso Nacional. Atitude de amplitude. Resistir ao golpe em curso. Eis o sentido da luta política em nossos dias.

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