As eleições parlamentares na Venezuela foram marcadas para o dia 6 de dezembro deste ano. Será mais uma eleição, no país que mais realizou eleições livres e democráticas na América Latina desde 1998, com ampla participação popular. É o sistema democrático que a Constituição da República Bolivariana da Venezuela conceitua como democracia popular protagônica. O Conselho Nacional Eleitoral, ao marcar as eleições, também definiu uma cota mínima de 40% de mulheres para as listas de candidatos dos partidos. Apesar disso, ou por isso mesmo, o país vizinho do Brasil, é alvo de odiosa campanha difundida pela mídia monopolista internacional que a considera uma “ditadura bolivariana”.
A oposição ao atual governo venezuelano, parte importante da contraofensiva das direitas latino-americanas e do imperialismo estadunidense contra os governos de esquerda e progressistas da região, realizou as prévias para escolher seus candidatos algumas semanas antes. Participaram mais de 700 mil eleitores, um número significativo para um país com menos de 20 milhões de eleitores inscritos.
Para se ter uma ideia do que significa esse número em termos relativos, até 1998, o número de eleitores na Venezuela era de 11.031.021 inscritos e apenas 6.537.304 votantes. Após a vitória do Presidente Hugo Chávez em 1998 e a nova Constituição, a quantidade de eleitores cadastrados e votantes em 2012 cresceu para 17.772.768 de inscritos e 11.097.667 de votantes.
O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), partido do saudoso Presidente Chávez e do atual Presidente Nicolas Maduro, realizou as suas prévias eleitorais para definir os seus candidatos no dia 28 de junho. Para atuarem como observadores internacionais nas prévias eleitorais do PSUV foram convidados e atenderam ao convite, representantes de partidos políticos de 12 países latino-americanos e europeus, entre eles o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Acompanhamos o voto e conversamos com militantes e demais eleitores, e presenciamos o voto de importantes lideranças políticas como o Presidente da República, e Presidente do PSUV, Nicolas Maduro, e a chanceler Delcy Rodrigues.
Como representante do PCdoB nas históricas prévias de 28 de junho de 2015, pude presenciar e verificar com os próprios olhos o mais seguro sistema de votação do mundo receber o sufrágio de 3.162.400 eleitores que foram às seções de votação em todo o país para decidir a lista de candidatos do PSUV para as eleições parlamentares de 6 de dezembro deste ano. Conseguiu-se esse número graças à atuação das Unidades de Batalha Bolivar-Chávez, as organizações de base do PSUV, que entre outras façanhas, nas poucas semanas de campanha para as prévias, visitaram cerca de 2 milhões de casas para conversar com o povo, e argumentar sobre a importância de defender as conquistas alcançadas até aqui e de votar no dia 28 de junho.
Ao superar a mais ousada das metas e todas as previsões otimistas que ouvimos na véspera, e chegar ao histórico número recorde de mais de 3 milhões de votantes, com voto opcional, o PSUV, que lidera a aliança político-social do Grande Polo Patriótico Simon Bolivar, do qual também participa o Partido Comunista da Venezuela (PCV) como segunda força, demostrou uma imensa capacidade de mobilização de sua base popular de inscritos e de eleitores amigos. O PSUV também ousou inovar ao formar listas de candidatos com 50% de mulheres e 50% de jovens até 29 anos.
Além dos números que falam por si, o significado político dessa participação popular é reafirmar o caráter profundamente democrático e popular da Revolução Bolivariana e do sistema político da Venezuela. É uma democracia vibrante, impulsionada por uma militância de base consciente e apaixonada, sabedora e crítica dos problemas enfrentados pelo povo venezuelano, entretanto consciente ainda mais de que esses problemas só podem ser resolvidos de forma a atender os interesses populares dentro – e não fora – do processo da Revolução Bolivariana e do legado do Comandante Hugo Chávez.
A consciência popular e a força de uma organização revolucionária de massas como o PSUV derrotaram mais uma vez os que tentam desacreditar a Revolução Bolivariana, derrotaram mais uma vez as oligarquias de direita e o imperialismo estadunidense que tem feito e tentado de tudo, de guerra para restaurar a democracia liberal-oligárquica anterior.
As prévias do PSUV reforçam a convicção de que democracia tem conteúdo de classe, sempre. E que a verdadeira democracia, para os revolucionários, é a democracia popular, que na Venezuela ganha concretude e contemporaneidade.
Ricardo Alemão Abreu, é economista, membro do Comitê Central (CC) e da Comissão Política do PCdoB, na tarefa de Secretário de Relações Internacionais do PCdoB, sendo a sua atual função.


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