A matéria “Ex-deputado que negocia delação cita Wagner e Aécio”, publicada na edição do último domingo (10), embora tenha a pretensão do furo jornalístico, não passou pela apuração necessária e condizente com o cuidado que o trato da informação jornalística requer.
O texto registra que o ex-presidente do PP Pedro Corrêa estaria negociando um acordo de delação premiada e teria adiantado “informações capazes de comprometer aproximadamente cem políticos”. E inclui o nome do ministro da Defesa, Aldo Rebelo, como um dos políticos dessa suposta lista, ao lado dos nomes do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e do senador Aécio Neves.
Não há na matéria nenhuma informação consistente sobre o contexto no qual os nomes foram citados, ela tão somente destaca nomes supostamente mencionados pelo ex-deputado, sem nenhuma prova, indício ou suspeita. No entanto, o texto ganhou chamada de capa e edição de destaque, com foto.
É de se notar que, no último parágrafo, o texto chega a informar que “investigadores ouvidos pela Folha disseram que, embora Pedro Corrêa venha narrando o enredo de uma ‘grande crônica política’, ele até agora não entregou provas convincentes para boa parte dos episódios relatados.” Mesmo assim, essa informação não foi suficiente para que a Folha de S.Paulo analisasse os fundamentos da notícia para sua publicação.
Em vez de informar o leitor, a matéria produziu apenas o desgaste inaceitável e desnecessário à imagem das pessoas alvo do texto e o consequente descrédito para um veículo jornalístico, do qual se espera, ao menos, o cumprimento do critério básico de apurar o que noticia.

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