Resistência: Internacionalismo e luta política e ideológica


O ano de 2016 começa, entre outros êxitos do partido em todas as frentes, com uma grande novidade para os comunistas brasileiros. Surge a Página Resistência (www.resistencia.cc), porta-voz da Secretaria de Política e Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil.

Por José Reinaldo Carvalho*

Resistência soma-se aos diversos veículos com que os militantes e dirigentes do Partido protagonizam a luta de ideias, na continuação dos esforços para perfilar e consolidar no país uma corrente política e ideológica que reivindica o campo do socialismo científico, do marxismo-leninismo, do anti-imperialismo consequente, do internacionalismo proletário e dos povos em luta pela libertação nacional e social.

A tarefa que nos propomos assume nova dimensão numa situação mundial marcada por lancinantes contradições e conflitos. No 13º congresso do PCdoB, em outubro de 2013, a Resolução Política assinalava: “Está em curso uma prolongada transição, caracterizada por alterações nas relações de poder no planeta. Há uma nova correlação de forças em formação, e o mundo está passando por importantes transformações geopolíticas” (…) “A tendência à multipolaridade manifesta-se em conjunto com o acirramento de contradições, o agravamento de conflitos e a intensificação da resistência e da luta dos povos. Surgem novos polos geopolíticos, como reflexo da emergência de novos blocos econômicos. Para conter essa tendência objetiva a uma nova correlação de forças global, amplia-se a ofensiva imperialista e neocolonialista em todos os planos, inclusive o militar”.

Hoje, mais do que naquele momento, a despeito da retórica do chefe de turno da Casa Branca, dos seus parceiros de partido na campanha presidencial recentemente iniciada nos Estados Unidos e da agressividade da direita mais empedernida entrincheirada nas principais candidaturas dos republicanos, a situação mundial afigura-se carregada de incertezas, instabilidade, conflitos e ameaças à paz.

Os comunistas não se perdem em avaliações equívocas nem se comprazem com uma abordagem idílica do desenvolvimento da situação política do mundo contemporâneo. Somos conscientes de que, no quadro de uma crise sistêmica e multidimensional para a qual o capitalismo-imperialismo não é capaz de oferecer saídas efetivas, torna-se cada vez mais intensa e brutal a ofensiva do imperialismo contra os trabalhadores, os povos e as nações, que veem seus direitos e a soberania nacional ameaçados.

São traços desta ofensiva as políticas econômicas neoliberais, conservadoras e neocolonialistas, o militarismo, a eclosão de guerras de agressão e as intervenções de variados tipos por parte das grandes potências.

Resistência fará a condenação do sistema capitalista e das políticas supostamente saneadoras da economia e das finanças levadas a efeito por governos conservadores e mesmo por governos que, proclamando-se como de “centro-esquerda”, seguem essencialmente as orientações da oligarquia monopolista-financeira internacional. Denunciaremos o sistemático ataque aos direitos econômicos e sociais dos trabalhadores e dos povos, bem como à soberania dos países pouco ou medianamente desenvolvidos. Faremos a análise sobre a crise do capitalismo, que já se estende há muitos anos e acentua os traços de decadência do capitalismo e do declínio histórico relativo do imperialismo estadunidense. Ao liquidar conquistas históricas da humanidade, o sistema capitalista revela-se incapaz de assegurar desenvolvimento econômico e social, democracia, paz, justiça e sustentabilidade ambiental.

A aplicação da estratégia de construir o chamado “novo Oriente Médio”; as sucessivas guerras de  agressão a países da região; a contínua presença de tropas estadunidenses no Afeganistão; a intervenção na Síria; o golpe fascista na Ucrânia, com apoio das potências ocidentais e as ameaças de intervenção nesse país do Leste europeu; o prosseguimento da política de ocupação, colonização, limpeza étnica e terrorismo do Estado de Israel contra o povo palestino, com o apoio explícito do imperialismo estadunidense; a adoção de uma estratégia militar voltada para a Ásia; as intentonas golpistas para reverter as conquistas democráticas, patrióticas e sociais na América Latina – são os traços mais marcantes da ofensiva do imperialismo contra os povos, causas principais da instabilidade e incertezas do mundo contemporâneo.

Em tal quadro, é natural o ressurgimento, com novas roupagens, por um lado das brigadas de choque da burguesia monopolista e do imperialismo – a extrema direita e o fascismo – e, por outro, das variantes atualizadas da social democracia acenando com a democratização da União Europeia ou com o “socialismo democrático”, devidamente demarcado do que seus intérpretes denominam “o totalitarismo da finada União Soviética”. Assim, é evidente a relação intrínseca entre luta política e luta ideológica, tarefa que os comunistas assumem em sua plenitude e da qual a página Resistência é também um instrumento.

Resistência nasce para ecoar e estimular as lutas dos povos e dos trabalhadores pela democracia, os direitos, a justiça, o progresso social, o desenvolvimento, a soberania nacional e a paz.

Estas lutas são reveladoras das potencialidades revolucionárias do processo de acumulação de forças em curso. Ainda que num quadro de defensiva estratégica, de dificuldades políticas, ideológicas e orgânicas do movimento comunista e revolucionário, os trabalhadores e os povos se insurgem contra a opressão e a exploração capitalistas, em defesa dos seus direitos, contra o intervencionismo, o militarismo e o belicismo e ocupam o cenário político como protagonistas incontornáveis da luta pela emancipação nacional e social.

Resistência será mais um porta-voz da solidariedade aos povos ameaçados e agredidos, da sua unidade e mobilização, e um elo entre as forças comunistas e anti-imperialistas de todo o mundo com as lutas do povo brasileiro.

Resistência estará diuturnamente engajada na solidariedade com a luta heroica do povo palestino contra a política genocida e opressora do Estado de Israel; igualmente, é solidária com o povo sírio, na sua luta em defesa da pátria, contra o terrorismo e a intervenção das potências imperialistas.

Resistência apoiará a luta pela independência nacional e direito ao seu território do povo da República Árabe Saarauí e se juntará ao clamor de outras nações pela descolonização completa do mundo, pela independência de Porto Rico e a devolução das Ilhas Malvinas ao povo irmão e vizinho da Argentina.

Resistência fará ouvir na América Latina e no Caribe a voz dos que lutam para levar adiante o ciclo progressista durante o qual se realizam importantes conquistas democráticas, sociais e patrióticas dos nossos povos. Há quase duas décadas a “Nossa América” está vivendo uma etapa inédita em sua história política, período em que ocorreram muitas vitórias eleitorais, inclusive no Brasil, fruto da acumulação de forças pelos povos, que levaram ao poder coalizões progressistas. Hoje, muitos países da região são dirigidos por governos democráticos, populares e anti-imperialistas que estão contribuindo para alterar a geopolítica mundial. O sentido mais geral dos fenômenos em curso na região é a formação de uma corrente transformadora e a acumulação de vitórias dos povos e países em termos de independência, soberania, democracia, mecanismos de participação popular, justiça, desenvolvimento e progresso social. É nosso dever reforçar esta corrente.

Resistência será a voz do Partido Comunista do Brasil, na esfera da propaganda e ação internacionalistas, em defesa dos países socialistas, com suas experiências inovadoras de construção de uma sociedade avançada.

Resistência toma também com sua a afirmação do líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, de que “a humanidade não tem outra alternativa do que mudar de rumo”. Esta mudança será fruto da mobilização social e da luta em múltiplas vertentes e cenários, lutas que já estão em curso, protagonizadas por governos socialistas, revolucionários, progressistas, de esquerda, por partidos de vanguarda, movimentos sociais, movimentos revolucionários e de libertação nacional, em que se destaca o insubstituível papel das classes trabalhadoras, da juventude, das mulheres, da intelectualidade progressista, as rebeliões das massas populares, os movimentos de resistência às guerras imperialistas de agressão e ocupação de países, as lutas de libertação nacional.

No curso do desenvolvimento dessas lutas, emerge e fortalece-se a solidariedade internacional, o internacionalismo proletário, o internacionalismo dos povos e das massas populares, como traço essencial da ética e da linha política do movimento comunista, dos movimentos populares e progressistas. O conteúdo fundamental que define a ação internacionalista hoje é a solidariedade classista e o anti-imperialismo. O objetivo central é derrotar as estratégias do imperialismo norte-americano, sua política de guerra, seu conservadorismo, seus dogmas neoliberais, a ofensiva brutal que move contra a paz, a soberania nacional, a democracia e os direitos dos povos.

* Jornalista, Secretário de Política e Relações Internacionais do PCdoB

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3 comentários Adicione o seu

  1. Anônimo disse:

    valeo apena

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