Vivemos nos últimos dias no Brasil batalhas importantes de resistência e defesa do estado de direito, diante de ataques vis a um projeto em curso que tem como foco a defesa do povo , do desenvolvimento nacional e da democracia.
Causou indignação e revolta a sessão da Câmara que votou a admissibilidade de impeachment da presidenta Dilma no dia 17 de abril. Uma maioria raivosa, antidemocrática e machista envergonhou os democratas brasileiros, que sabem o valor desses anos de democracia construídos com a luta e o sangue de brasileiros e brasileiras, de norte a sul deste país, na guerrilha do Araguaia, nos embates urbanos de estudantes e trabalhadores,no exílio e nos porões da ditadura. O surrado discurso de Deus, família e… propriedade encobria o verdadeiro sentido do debate, revelando um ódio conservador que ameaça a nação, as mulheres e o povo brasileiro.
Perdemos esta batalha, mas muitas ainda estão em curso visando a defesa de nosso Brasil democrático. Resultou desse embate uma nova configuração política, com o deslocamento de forças que apoiavam o governo Dilma para o campo da oposição.
Nesse sentido, o meu partido, o PCdoB, que teve papel destacado nessa resistência, através de seus dirigentes e militantes, de seus parlamentares brilhantes, como Jandira Feghali aqui do Rio, deixa de integrar o governo municipal , dirigido pelo PMDB, devido a seu deslocamento nesse processo para a oposição ao governo Dilma.
Tomamos uma posição coerente com nossa histórica defesa da nação, de seu povo, das mulheres , do desenvolvimento do país e da democracia. Além do mais , o PCdoB decidiu lançar a pré-candidatura de Jandira Feghali à prefeitura do Rio.
Temos orgulho do trabalho desenvolvido nestes três anos e quatro meses à frente da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Rio, conquista histórica das cariocas. Vale registrar o fato do Prefeito Eduardo Paes ter levado em conta o anseio das mulheres e ter criado a SPM Rio em 2013 e o CODIM Rio ( Conselho Municipal dos Direitos da Mulher) em 2015 e viabilizado o orçamento para implementação dos projetos da SPM Rio. Contamos com uma equipe valorosa, pautada pela defesa apaixonada dos direitos democráticos das mulheres, de políticas públicas transversais, com recorte de raça, de respeito às diferenças .
Demos o melhor de nós para o funcionamento exemplar dos nossos equipamentos, como o CEAM Chiquinha Gonzaga, a Casa Viva Mulher Cora Coralina ( que mudou para melhores instalações) e as recém inauguradas Casas da Mulher Carioca de Madureira e Realengo, centros de reforço à cidadania e empoderamento das mulheres, que no primeiro mês de funcionamento superaram todas as metas de atendimento. Foram frutíferas as diversas parcerias com a SPM PR, com a ONU Mulheres, o Ministério Público, o TJ, o TRE, com as DEAMs , a Defensoria Pública e a Guarda Municipal.
A Câmara Temática de Gênero expressou a concretude da marca transversal de nossa gestão, realizando ações com as Secretarias Municipais em especial as de Trabalho, Saúde, Educação e Desenvolvimento Social.
Não podemos esquecer a estreita atuação com a Comissão de Mulheres da Câmara Municipal e a Comissão de Mulheres da ALERJ. Mantivemos também um intercambio frutífero com a intelectualidade carioca, as Universidades, os movimentos sociais e de mulheres. Dentre as várias publicações, a edição de quatro cadernos de gênero foi importante contribuição ao pensamento feminista e subsídio relevante para a ação entre as mulheres.
A exitosa 4 Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, em setembro de 2015, foi um espaço de democratização do debate das demandas das mulheres , com a realização inovadora de 5 pré-conferências nas diversas regiões da cidade.
O Prêmio Nise da Silveira engrandeceu a ação de cariocas em diversas áreas da sociedade. Por fim, a criação do Conselho dos Direitos das Mulheres da Cidade do Rio foi a consolidação da interação da SPM Rio com o poder publico e a sociedade civil, concretização de uma demanda de mais de 30 anos das cariocas.
Uma questão política de relevância, que tem a ver com os destinos democráticos do Brasil, de coerência com a minha militância e a trajetória de luta democrática e progressista do meu Partido, o PCdoB, é que me leva a me afastar da SPM Rio, na certeza de que o legado construído nestes três anos e quatro meses pertence às cariocas, e deve ser preservado e aprimorado pelas futuras gestoras.
Como disse Cora Coralina:“ Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e ser otimista.” Pelo avanço democrático Não ao retrocesso
Ana Rocha


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