O ataque à Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que ganhou impulso com a posse do presidente interino Michel Temer, foi combatido nesta segunda-feira (13) em manifesto assinado por 20 dos 27 ministros que integram o Tribunal Superior do Trabalho (TST). Para os signatários do documento, desconstruir os direitos trabalhistas é “desproteger mais de 45 milhões de brasileiros”.
Por Railídia Carvalho

“Documento em defesa do Direito do Trabalho e da Justiça do Trabalho no Brasil” é o nome do manifesto que entusiasmou cerca de mil participantes da 16º edição do Congresso Nacional de Direito do Trabalho e Processual do Trabalho, que aconteceu em Paulínia (SP). Na ocasião, o documento foi lido pelo desembargador Francisco Giordani.
A cada ano mais de 700 mil trabalhadores são mutilados por acidentes de trabalho e contam com a Justiça do Trabalho para terem os direitos reconhecidos. Atualmente existem três milhões e trezentas mil crianças subjugadas ao trabalho infantil e o Brasil amarga o quarto lugar no mundo em acidentes fatais de trabalho.
Retaliação
A Lei Orçamentária Anual (Lei 13.255/2016) promoveu um corte de 90% nas despesas de investimento e de 24,9% nas de custeio no orçamento de 2016 da Justiça do Trabalho. De outro lado, a tendência é que o número de processos trabalhistas cresçam, uma vez que há um aumento do desemprego. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região, por exemplo, recebeu 13% a mais de demandas no primeiro quadrimestre deste ano se comparado ao mesmo período de 2015.
O manifesto recebeu o apoio do presidente do TRT-15ª, responsável pela organização do 16º Congresso. “Um deputado quis nos colocar de joelhos, a mando de muitos outros, mas nós somos fortes. Estamos resistindo e vamos resistir”, afirmou Lorival Ferreira dos Santos, fazendo referência ao autor da proposta de cortes no Judiciário e relator da proposta da LOA, deputado Ricardo Barros.
O ministro do TST Lelio Bentes também se manifestou durante o congresso dizendo que nos momentos de crise é preciso proteger o trabalhador. Segundo ele, a flexibilização das garantias trabalhistas é uma opção política que amplia a liberdade econômica em detrimento dos direitos sociais. “Preserva o lucro em detrimento às garantias e direitos dos trabalhadores”, complementou.
Confira aqui o manifesto na íntegra
Germano Siqueira: Direitos sociais em tempos de crise
Marcos Verlaine: Querem que o trabalhador pague a conta mais uma vez
Crise não pode ser pretexto para eliminar direitos, dizem juízes
Do Portal Vermelho, com informações do Conjur
