Renato Rabelo: Leia na próxima edição da Princípios!


Apresento aqui no Blog — de forma muito resumida –apenas alguns pontos da entrevista que concedi à próxima edição da revista Principios que será impressa nas próximas semanas. Não deixe de ler o conteúdo completo desta entrevista que foi realizada por correio eletrônico, no dia 6 de setembro de 2016, com a edição final de Osvaldo Bertolino e Adalberto Monteiro.

Sobre o ato final do impeachment de Dilma Rousseff

“A destituição da presidenta da República, eleita pelo voto de mais de 54 milhões de brasileiros, atinge mortalmente o fundamento pleno da ordem democrática. Ou seja: a soberania popular. Sem a prevalência da vontade do povo, manifestada nas urnas, fica patente que houve uma violência, porquanto o compromisso político da presidenta nas eleições de 2014 está lastreado na soberania do voto. O impeachment foi uma usurpação, um golpe, que cria insegurança jurídica no próprio sistema presidencialista”.

A razão e o modus operandi do Golpe

“O golpe é a resultante do que estava em jogo, em intensa disputa: um projeto de poder da classe dominante capitalista, financeira e globalizada, das forças conservadoras brasileiras, apoiado em gigantesca máquina de propaganda midiática. Como eu disse, utilizaram avidamente um atalho, por meio da via golpista, cujo vetor de poder é a volta à ordem política fundada na sua concepção de Estado antidemocrática e autoritária, do preconceito e da violência. A premissa de tudo é a ordem política estabelecida, que se apoia em uma base parlamentar de maioria conservadora, retrógrada e fundamentalista”.

O programa golpista

“A reveladora agenda do governo golpista está centrada na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, a do Estado Mínimo, de congelamento de despesas essenciais, atingindo conquistas fundamentais, sobretudo na saúde e educação. E nas antirreformas trabalhista, previdenciária e política, na volta ao regime de privatização e desnacionalização, tendo à frente a entrega da grande reserva petrolífera do pré-sal. Além da volta à ordem política conservadora e de realinhamento automático às grandes potências, combinada com a negação da conquista da integração da região continental e das parcerias estratégicas fora da órbita imperialista”.

Sobre a trajetória golpista das forças conservadoras

“As forças conservadoras, a direita brasileira, na sua sucessão de golpes o empreendem visando à sua consolidação e perenidade, mesmo que para isso tenham que rasgar a Constituição, utilizando distintos caminhos a seu alcance, como a consumação do golpe parlamentar de 31 de agosto deste ano. Não devemos ter mais esta ilusão quanto ao propósito das forças conservadoras de se agarrarem e dominarem todo o poder de Estado, impedindo sempre qualquer tentativa e prevalência de um governo democrático, progressista. Nesse sentido, para defenestrar qualquer força progressista agem para impedi-lo de se eleger. E, se for eleito, não tomar posse; se tomar posse, derrubá-lo. Esse é o caráter de classe dessas forças de direita, historicamente marcado pelo DNA golpista”.

Sobre o quadro internacional atual

“No fragor ainda dos acontecimentos podemos situar que o contexto objetivo internacional, com a grande crise mundial do capitalismo, que ainda não encontrou uma saída, começou a atingir mais acentuadamente as economias em vias de desenvolvimento, como o Brasil, provocando-lhes uma desaceleração econômica desde 2011. A retração do comércio internacional, e sobretudo o desabar do preço das commodities, tiveram forte impacto para o desenvolvimento econômico nacional”.

Como as forças reacionárias aproveitaram esse contexto mundial

“No plano interno, as oligarquias empresariais e financeiras se aproveitaram da situação adversa para aguçar a crise. Exploraram uma crise econômica politicamente produzida, com decidida retração de investimentos e evasão fiscal, e no âmbito do Congresso atiçaram as pautas-bomba, uma ação dos partidos de oposição centrada no quanto pior, melhor. Tudo isso arregimentado e divulgado numa versão única, consequência da imposição de um pensamento único pela mídia hegemônica, impedindo que a ampla maioria pudesse ter minimamente opiniões de alternativas distintas para se informar. Essa mídia monopolista cumpriu a função de partido político oposicionista, sendo um instrumento decisivo no esquema golpista”.

Deficiências e debilidades subjetivas

“Por outro lado, podemos destacar que o traço mais saliente dos erros, insuficiências e enganos do governo e do PT enquanto legenda principal da coalizão se resume em uma visão marcada de ilusões relativa ao verdadeiro caráter da direita brasileira, da ideologia e composição dos poderes do Estado e do real papel da grande mídia no Brasil, sob a condução de grupos conservadores, vinculados aos interesses da oligarquia financeira dominante. Característica balizada por uma nomenclatura dita “republicanismo ingênuo”.

Relativo esgotamento do ciclo político em 2013

“Evidente que se deve também enfocar o curso do final do primeiro governo Dilma, principalmente desde 2013. Dado que o ciclo de mudanças já exprimia relativo esgotamento, foi identificado pela própria presidenta como imprescindível uma “travessia” (transição). Ou seja: ajustes e reformas estruturais democráticas, uma nova etapa para seguir adiante no processo transformador. Enfim, a análise justa das causas e de seus respectivos ensinamentos requer maior tempo e mais discernimento.”

As contradições das forças golpistas

“Do ponto de vista político, suas disputas se acirram, tendo em vista o que almejam para as eleições de 2018 – sobretudo a disputa da hegemonia imposta pelo PSDB. E até –conforme a evolução política e econômica no campo da aliança que concretizou o golpe – a utilização de um plano B, C ou D:  cassação de Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e convocação de eleição direta para presidente até 31 de dezembro de 2016, conforme determina a Constituição (que pode ser inviável para eles); depois dessa data, restaria a realização de eleição indireta no âmbito do Congresso Nacional (mais exequível para eles) ; ou, em última instância, encontrar um meio de adiar a eleição presidencial de 2018.”

O crescimento das mobilizações anti-Temer

“As manifestações de massas do dia 4 de setembro  e as que se seguiram demonstram o ascenso do movimento democrático e popular, respondido com repressão gratuita e orientada, sobretudo em São Paulo. Aonde levará essa lógica ditatorial do governo impostor? Os exemplos históricos indicam até onde se pode chegar por essa via. A violência e impostura do golpe perpetrado só podem seguir esse caminho. Tal cenário é a reafirmação do que se tinha previsto: o golpe é o começo da crise mais profunda.”

A atitude corajosa de Dilma Rousseff

“Foi precisamente nesse leito de ação da luta democrática que a presidenta Dilma atuou, apesar de não ter conseguido mudar os votos de cartas marcadas da maioria dos senadores. Mas demonstrou grande gesto político, que mudou a história: não se matou, não renunciou, não se exilou. Sua atitude altiva e corajosa projetou-a como líder e referência maior para a luta de resistência; tornou-se um símbolo da luta pela democracia. Em justa afirmação, apontou o seu lado e a sua perspectiva, estímulo à resistência, quando declarou: “Jamais estar no lugar dos vencedores, a história será implacável com eles”. Foi persistente até a consumação do golpe, indicando que continuará na luta: “Voltaremos!”.

A proposta de eleições presidenciais diretas

“A antecipação das eleições diretas presidenciais, com a convocação de um plebiscito proposto pela presidenta Dilma na sua Mensagem ao Senado Federal e ao Povo Brasileiro, desde então revela justa alternativa política, que permite maior convergência e amplitude da resistência. Agora, como antes, é a bandeira que pode revigorar a mobilização contra o governo do golpe numa ampla ação conjunta e prática. Diante desse governo ilegítimo, antipovo e autoritário, é imperativo o pronunciamento do povo nas urnas para decidir o rumo da nação.”

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Um comentário

  1. LULA FEZ O PRONUNCIAMENTO E ARRASOU!
    1H:33MIN DE SABEDORIA

    “LULA: EU TENHO CONVICÇÃO DE QUE QUEM MENTIU ESTÁ NUMA ENRASCADA”
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2016/09/15/lula-eu-tenho-conviccao-de-que-quem-mentiu-esta-numa-enrascada/

    JUSTIÇA BRASILEIRA, CADÊ VOCÊ? POR ONDE ANDAS, DORMENTE. POR ONDE ANDAS SILENTE. POR ONDE ANDAS, CONIVENTE.

    QUE MERDA. QUE NOJEIRA. QUE ESBÓRNIA. QUE BACANAL.
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2016/09/15/que-merda-que-nojeira-que-esbornia-que-bacanal/

    Curtir

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