Polícia tenta criminalizar MST com invasão em escola

Vídeo do circuito interno de Escola Nacional Florestan Fernandes, que oferece cursos de formação para movimentos sociais, mostra policiais armados e invadindo a entrada da sede da escola nesta sexta-feira (4). A operação de guerra contra 250 pessoas , entre alunos, crianças e educadores, resultou em violência desmedida contra funcionários da escola e comunidade que resistiram à truculência da polícia. A escola fica no município de Guararema, há 70 km da capital paulista.

Por Railídia Carvalho

 

Divulgação Escola Florestan Fernandes

Policiais de armas em punho contra alunos, educadores e funcionários da Escola Nacional Florestan Fernandes

Policiais de armas em punho contra alunos, educadores e funcionários da Escola Nacional Florestan Fernandes

O saldo foram duas pessoas presas levadas para a delegacia e estilhaços de balas letais na área da escola. No momento da confusão, havia 15 crianças no local.

Um dos coordenadores da escola, Paulo Almeida, afirmou no início da tarde ao Portal Vermelho que o ambiente é de tensão entre alunos e educadores mesmo após a saída dos policiais, que se retiraram após ameaçar as pessoas com tiros para o alto e para o chão.
Entre os presos levados pela polícia está um senhor que é voluntário da escola e tem problemas de saúde. Tanto o senhor quanto a outra voluntária presa foram levados para a delegacia e estão acompanhados de advogados voluntários que estava em atividade no momento.
Criminalização do movimento social
“Ficamos tristes com essa ocorrência. Não há necessidade, temos endereço fixo, as pessoas sabem o trabalho que fazemos é uma escola conhecida. Não vamos parar as atividades porque sabemos que isso faz parte da repressão aos movimentos sociais”, declarou Paulo.
O coordenador informou que a violência começou quando se procurou saber dos policiais quando o motivo da abordagem. Segundo Paulo, foi dito que havia um mandato de busca contra uma pessoa que supostamente estaria na escola. Como o mandado era online a escola exigiu o documento impresso. Neste momento, a polícia começou o tumulto.
Paulo informou que a pessoa procurada não trabalhava na escola e não frequentava cursos no local. “Daí tentaram forçar a entrada e houve resistência. Iam entrar para revistar aluno, educador. Sinceramente, não faço ideia de quem seja a pessoa que estão procurando”, esclareceu Paulo.

Sobre a identificação do comandante da ação, Paulo informou que nao soube quem seria. Disse também não se recordar de ter visto identificação nos policias. “Eles estavam nervosos, violentos”, lembrou.

Educação Popular

A Escola Florestan Fernandes completa 11 anos em janeiro de 2017 realizando cursos de formação voltados para representantes de movimentos e lutas sociais. Circulam por ano no local aproximadamente 5 mil pessoas. Entre os educadores estão voluntários que vem de diversos estados do Brasil e de outros países. Neste período, a escola conta com representantes de pelo menos 30 países realizando atividades. Havia 15 educadores na manhã desta sexta, entre brasileiros e estrangeiros.
Os cursos continuaram acontecendo normalmente porque a polícia não conseguiu entrar na escola. Segundo Paulo, há uma distância de 130 metros entre a entrada e onde ficam as salas dos cursos. Por outro lado ele afirmou que as crianças, filhas dos participantes dos cursos, ficaram vulneráveis já que o espaço reservado a elas fica próximo à entrada.

“Fomos surpreendidos com a chegada de aproximadamente umas sete viaturas. A escola é aberta a todos e é de conhecimento público o que fazemos desde os cursos de formação política e cultural ao intercâmbio. Agora, estamos preocupados porque não sabemos se eles estão na região, se podem voltar”, ressaltou Paulo.

Nota de repúdio

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou nota pela manhã repudiando a ação da polícia: “O MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra repudia a ação da polícia de São Paulo e exige que o governo tome as medidas cabíveis nesse processo. Somos um movimento que luta pela democratização do acesso a terra no país e não uma organização criminosa”.

 

Do Portal Vermelho

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