Vanessa Grazziotin: Renúncia é o caminho para a democracia


Impressionam a contradição, a dissimulação e a tergiversação — cara de pau no linguajar popular — dos políticos que, ontem, patrocinaram o golpe contra Dilma utilizando a bandeira da ética e o combate à corrupção como principal apelo popular.

Pois bem, a máscara cai antes do que se esperava, desnudando o lado mais sórdido do ser humano, a falta de escrúpulos, que, nesse caso, objetivava a mudança de projeto de nação e a aplicação de uma política antipopular que elimina direitos sociais dos mais humildes para favorecer o grande capital.

Fatos graves na política, como a corrupção, agora são relativizados por essas velhas raposas. Diante do crime praticado por Geddel Vieira Lima e, agora se sabe, pelo próprio Michel Temer — os líderes do DEM, PSDB, PMDB, PSD, PP, PTB etc., assinaram nota de apoio e reconhecimento ao “excelente trabalho” do então ministro, defendendo a sua permanência.

E, agora, diante do envolvimento direto de Temer, é o próprio FHC que sai em defesa do usurpador: “é frágil como uma pinguela, mas é o que se tem”.

É assim que agem os protagonistas do golpe diante dos crimes confessos e já provados de concussão, tráfico de influência e advocacia administrativa. O que fica claro é que para eles o que importa não é, nem nunca foi, a ética, mas tão somente o poder, para que usem em seu benefício privado e dos setores econômicos que representam.

Outro exemplo foi o que fizeram no Senado. Para garantir a possibilidade de repatriar recursos não declarados mantidos no exterior por cônjuges e parentes de políticos, passaram por cima da vontade da maioria dos senadores e do acordo de plenário, alegando, cinicamente, questiúnculas regimentais.

Diante de tão grave quadro pugnamos pela renúncia já de Temer, com novas eleições para presidente. Precisamos nos reencontrar com a democracia e o Estado de direito, pois se é verdade que a presidenta Dilma Rousseff perdeu a governabilidade, é fato que esse “governo” nunca teve e jamais trilhará por esse caminho.

*

O mundo dos democratas, dos que sonham e lutam por uma sociedade mais justa para a humanidade, está de luto pela morte de Fidel Castro Ruz, um dos líderes mais importantes da América Latina e do planeta.

Desafiando a maior potência imperialista do planeta, os EUA, Fidel liderou uma das mais belas experiências de socialismo no mundo, baseada no engajamento popular, defesa da liberdade, justiça e igualdade social. Cuba é um exemplo de saúde e educação pública e de solidariedade internacional. Fato que nem seus opositores ousam negar.

Fidel se foi. Mas seu exemplo e seus ideais por um mundo livre das mazelas do capitalismo continuarão presentes.

Publicado no jornal Folha de São Paulo – http://folha.com/no1836472 Via Folha de S.Paulo

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