Sindicalistas afirmam que medidas de Temer não combatem desemprego

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que um entre três novos desempregados no mundo neste ano será brasileiro. Informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgadas nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que o desemprego no país atingiu o maior percentual desde 2012. Para sindicalistas medidas de Temer não são capazes de barrar desemprego.

Por Railídia Carvalho

 

 

O balanço de desempregados em 2016 atingiu, em média, 11,8 milhões de pessoas, o maior desde o início da pesquisa em 2012. Em 2015 o número de desempregados era de 8,6 milhões em média. Também bateu recorde a taxa de desemprego do ano passado, que ficou em 11,5% enquanto em 2015 o percentual foi de 8,5%.

O aumento dos percentuais permanece quando se compara os números entre o terceiro e quarto trimestre de 2016. Este último registrou, segundo a Pnad, 12,3 milhões de desempregados. Um aumento de 2,7% se comparado ao terceiro trimestre do ano passado.

“Um dos fatores para o aumento do desemprego é influenciado por uma política deliberativa dos empresários com o governo para reduzir investimentos na produção para colocar esses investimentos públicos na ciranda financeira”, declarou Rogério Nunes, secretário de políticas sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

“Os recursos que são para pagar dívida deveriam ser direcionados para política de transferência de renda. O baixo investimento na indústria é uma opção de governo, que ao não investir no crescimento, na produção e no emprego deu uma guinada de 180 graus no país e ai consequentemente o desemprego aumenta”, completou Rogério.

Discurso enganador

Na opinião do secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, o que gera emprego é investimento na produção. “Ficar dizendo que a reforma da previdência e a trabalhista vai melhorar emprego é um discurso meio enganador”, enfatizou.

Apesar de admitir que a recente medida de redução de juros foi um passo positivo, Juruna criticou a demora na implementação, considerando que a redução leva pelo menos 6 meses para surtir efeito no mercado de trabalho.

“Por outro lado várias obras estão paralisadas quer seja pela questão da Lava Jato, dos embates em relação à apuração da corrupção e, ao mesmo tempo, por falta de investimento que o governo não tem feito”, explicou Juruna.

Ele reforçou a necessidade de se investir em infraestrutura e em obras de habitação para aumentar o emprego. “É fundamental o investimento social do ponto de vista da habitação. A gente está vendo os conflitos nas cidades por moradia”, completou o dirigente da Força.

Governo omisso

“A maioria das centrais está propondo que haja inversão de prioridades do governo, que insiste em financiar a privatização quando deveria financiar a industrial nacional, as pequenas e médias empresas também. A própria Lava Jato penaliza a empresa e não apenas o gestor. Tem que investigar o corruptor e não a empresa porque vai causar danos aos trabalhadores”, opinou Rogério.

Em recente matéria publicada no Portal Vermelho, o presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), o engenheiro civil e sanitarista Clovis Nascimento, afirmou que a Lava Jato em vez de punir os responsáveis promove a destruição das empresas.

“Obviamente que todas as pessoas corruptas devem ser exemplarmente punidas, mas destruir toda uma empresa é uma tragédia para o país, para a engenharia nacional e para toda a produção tecnológica”, destacou Clóvis.

Acordo de leniência

Na opinião do presidente da CTB, Adilson Araújo, a retomada de investimentos no país passa pela regulamentação do acordo de leniência previsto no Projeto de Lei nº 3636/2015 que aguarda ir à votação na Câmara dos Deputados.

As centrais de trabalhadores reivindicaram ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que seja acelerada a tramitação do PL. Em nota, os dirigentes das centrais afirmaram que o acordo servirá para impedir o avanço do desemprego além de sinalizar para a retomada do crescimento.

De novembro de 2014 até junho do ano passado, o setor da construção civil, que é um indutor de emprego e renda, demitiu mais de 700 mil pessoas com carteira assinada. Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo de meados de 2016 constatou que 5 mil obras estão paralisadas no Brasil inteiro. Os investimentos públicos somam R$ 15 bilhões.

Ciclo da economia

Quem não faz parte da estatística, vive em clima de apreensão. “Esse é o sentimento que percebemos nas conversas nos sindicatos. Cria-se um clima desfavorável para a economia: o trabalhador não quer gastar porque não sabe o dia de amanhã. Não gasta e a economia não roda. Cria um ciclo vicioso. Sem projeto, sem alternativa. Infelizmente esse governo não dá nenhuma esperança”, ressaltou Rogério.

“Se o trabalhador não tem, ele não gasta. É fundamental que o patronato entenda esse lado da economia”, disse Juruna. Segundo ele, os acordos coletivos estão pautados pela crise econômica. “Os salários não tem sido corrigidos com aumento real em sua maioria já e resultado da crise, do desemprego”, completou o sindicalista.

A defesa de políticas que gerem emprego é dos temas que unificam as centrais, assim como as reformas trabalhista e da Previdência Social. Está última será tema do seminário “Reforma da Previdência Social – Desafios e Ação Sindical”, que será realizado pelo conjunto das centrais e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) nos dias 7 e 8 de fevereiro na cidade de São Paulo.

“A participação do trabalhador nas mobilizações das centrais é importante para pressionar o governo para que retome os investimentos e as obras paralisadas. O trabalhador e a trabalhadora têm sido os mais penalizados pela crise e pelas medidas de ajuste deste governo”, finalizou Rogério.

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