Aldo Arantes: A luta de ideia no combate ao Golpe

golpe-brasilia87654Cada vez mais vai ficando claro a importância da luta de ideias no combate ao golpe e na construção de um novo projeto para o País.  Tanto assim que a chamada guerra ideológica ou cultural foi uma arma decisiva na derrubada do governo Dilma e na campanha desencadeada contra o ex-presidente Lula e o PT.

O ponto de partida desta campanha foi a escolha da luta contra a corrupção como elemento chave para a formação da chamada opinião pública. No caso brasileiro este objetivo foi alcançado com a Operação Lava Jato em que vazamentos seletivos e denúncias falsas foram utilizados amplamente pela grande mídia visando criar um clima de repúdio às personalidades denunciadas.

Ao lado da luta propriamente politica, foi desencadeada uma intensa luta teórica e ideológica através de uma longa e planejada campanha de construção de um pensamento de direita na sociedade.

A construção da hegemonia do pensamento de direita, tendo como fundamento o neoliberalismo, se voltou para a econômica,  política e ideologia.   Na economia a defesa da “livre empresa”, da globalização neoliberal, das privatizações, da livre circulação dos capitais. Na política a negação dos políticos, da política e dos partidos políticos. Na ideologia a ênfase no individual em detrimento do coletivo, com a consequente exacerbação do individualismo. O abandono de valores como a solidariedade, o apoio aos setores oprimidos da sociedade e a defesa de princípios éticos na vida pessoal e social.

Tais pilares do pensamento neoliberal foram plantados junto à intelectualidade e juventude no Brasil e em vários países da América Latina, com destaque para a Venezuela.  Visitando este país pude constatar o conservadorismo de grande parte dos universitários.

No Brasil este plano foi bem arquitetado e financiado por empresários brasileiros e norte-americanos.  A  FIESP deu ampla cobertura e financiou os grupos que faziam mobilização contra o governo Dilma.

Declarações prestadas pelo cubano Raúl Capote, agente duplo da CIA, ajuda a descortinar o “por que”. Ele descreve sua ação em Cuba, baseada da “revolução suave” formula pelo professor norte-americano Gene Sharp e aplicada pela CIA mundo afora.

Tal concepção fixa cinco passos para a realização do “golpe suave”: 1º) Promover ações para gerar um clima de mal-estar social, utilizando os meios de comunicações. 2º) fazer denúncias fundadas ou não para debilitar a base de apoio do governo e criar um descontentamento social crescente. 3º) luta de rua com reivindicações políticas e sociais que se confrontem com o governo. 4º) combinação de diversas formas de luta para criar um clima de ingovernabilidade. 5º)se fora necessário a fratura institucional, realiza-la com base em manifestações de rua e ocupação de instituições públicas , pronunciamento militares até a renúncia do presidente (1).

Raúl Capote relata que a CIA constatou que “as universidades latino-americanas tinham sido, nas últimas décadas, um foco de insurreição e de formação de militantes de esquerda. Eles decidiram mudar isso e converter a universidade latino-americana em um centro de produção do pensamento  de  direita e não de esquerda” (2).

Segundo o cubano, a partir daí elaboraram um plano milionário que incluía bolsas para cursos de formação de lideranças, para professores e estudantes, nos Estados Unidos e em outros países como Israel e Alemanha.

Tal plano era financiado pelo Instituto Albert Einstein, o Instituto de Luta pela Guerra não Violenta, criado pelo milionário George Soros e pelo Instituto Republicano Internacional.

Raúl Capote relata, também, que para a execução do golpe utiliza cm ênfase os meios modernos de comunicação, sobretudo as redes sociais.

Pra atingir seu objetivo o golpe brando conta com a chamada “Guerra Cultural” visando  criar a hegemonia do pensamento conservador. Ao lado da mobilização de amplos setores da população em torno de bandeiras como a luta contra a corrupção, a defesa dos direitos humanos sob a ótica do imperialismo, entre outras.

O planejamento da Guerra Cultural na América Latina decorreu, segundo Raúl Capote, da constatação da CIA de que “as universidades latino-americanas tinham sido, nas últimas décadas, um foco de insurreições e de formação de militantes de esquerda. Eles decidiram mudar isso e converter a universidade latino-americana em um centro de produção do pensamento da direita e não da esquerda”. A força da direita hoje nas universidades e  junto a boa camada da intelectualidade são os maiores indicadores da vitória desta orientação.

O êxito da direita na chamada Guerra Cultural, na luta teórica teve como consequência a conquista da hegemonia de ideias, favorecendo a a hegemonia política que base para o golpe.

A ênfase nesta frente de luta é essencial para a conquista de uma nova hegemonia da esquerda e do movimento democrático no país.

O enfretamento das forças golpistas deve ser travado na luta política e social. Contra os retrocessos impostos pelo ilegítimo governo Temer e em defesa da retomada da democracia através de eleições diretas já, temas que dão respostas aos problemas mais imediatos sentidos por milhões de brasileiros.

Todavia torna-se necessário uma atenção especial à luta teórica e ideológica para retomarmos a hegemonia do pensamento progressista entre os estudantes e intelectuais. Este objetivo implica em estabelecer um planejamento meticuloso dos temas a serem abordados e dos meios a serem empregados.

 

Aldo Arantes

Constituinte de 1988

Membro da Comissão Política do Comitê Central do PCdoB

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2 comentários em “Aldo Arantes: A luta de ideia no combate ao Golpe

  1. Assim é. País sem pudor! TERIA SIDO UM GOLPE? TERIA SIDO UM GOLPE COMANDADO PELOS PODERES DA REPÚBLICA, SOB DOGMAS DOS PODEROSOS MULTI-NACIONAIS E GOVERNOS EXTERNOS?
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/01/05/assim-e-pais-sem-pudor-teria-sido-um-golpe-teria-sido-um-golpe-comandado-pelos-poderes-da-republica-sob-comando-dos-poderosos-internacionais/

    “TERIA SIDO UM GOLPE? TERIA SIDO UM GOLPE COMANDADO PELOS PODERES DA REPÚBLICA, SOB DOGMAS E PATROCÍNIO DOS PODEROSOS MULTI-NACIONAIS E GOVERNOS EXTERNOS?

    O que você acha? Você ainda tem dúvidas?
    Não as tem? Está convencido de que foi um golpe? Está convencido de que não foi um golpe?
    Em qualquer dos dois casos pouco ou, no segundo caso, nada esta crônica poderá acrescentar.

    Se você está convencido de que foi um golpe esta crônica apenas ilustra mais alguns fatos que eventualmente irão corroborar seu entendimento. …”

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