15 de março: Sem transporte e sem aulas em defesa da aposentadoria


O maior e mais movimentado sistema de transporte do Brasil, o metrô de São Paulo, vai parar 24 horas nesta quarta-feira (15) contra a reforma da Previdência. Entidades de educação pública do país prometem envolver um milhão de trabalhadores na greve geral do segmento. O alvo das manifestações é a reforma da Previdência proposta por Michel Temer.

 

CNTE

Essas categorias, ao lado de metalúrgicos, condutores e diversos ramos, fortalecem os protestos que acontecerão nesta quarta-feira pelo Brasil, coordenados pelas principais centrais de trabalhadores do país e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

O governo de Michel Temer quer aprovar a reforma da Previdência Social a toque de caixa. Através da Proposta de Emenda Constitucional 287/2016 Temer estabelece a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem. Há ainda a exigência de 49 anos de contribuição para que o trabalhador e trabalhadora possam receber o valor integral do salário. A perspectiva é que alguns benefícios sejam desvinculados do salário mínimo, diminuindo o valor da aposentadoria ao longo do tempo.

Educação

A greve geral nacional da educação, que se inicia nesta quarta, foi aprovada pelas 48 entidades filiadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). “A meta é barrar essa reforma [da Previdência]. Existe escola pública em cada bairro de cada município desse país. Vamos dialogar diretamente com a comunidade explicando a gravidade das mudanças que estão sendo propostas. Não tem final de semana nem feriado, estamos em uma verdadeira campanha, mas, dessa vez, para evitar um grave retrocesso”, explicou Heleno Araújo, presidente da confederação.

Para a professora amazonense Isis Tavares, os projetos desse governo para a educação significam o fim do sonho da juventude da classe trabalhadora em ingressar na faculdade e a joga no mercado de trabalho totalmente sem preparação alguma. Para ela, a incorporação da greve geral das educadoras e educadores ao Dia Nacional de Luta com adesão das centrais sindicais “só fortalece o movimento em defesa da educação pública, que é a melhor maneira de ascensão social para os mais pobres”.

“[A reforma] Vai aumentar o exército de reserva de mão de obra, rebaixando os salários e precarizando ainda mais a vida da juventude no país.” Por isso, “é essencial a adesão em massa dos profissionais da educação nesta paralisação de quarta-feira”, defendeu ela, que é presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (AM) no Amazonas.

Trabalho precarizado

Segundo Ìsis, a reforma será um prejuízo para os trabalhadores em geral e especialmente para os da educação. “Lidamos com seres humanos em formação.” De acordo com ela, os profissionais “sofrem uma carga emocional e psicológica muito grande, principalmente com a falta de estrutura que vivenciamos nas escolas públicas”.

A reforma de Temer vai extinguir aposentadorias especiais como a dos professores. Atualmente, professores e policiais se aposentam após 30 anos de contribuição para homens e 25 anos de contribuição para mulheres, sem que seja exigida idade mínima.

Transportes

O metroviário Wagner Gomes confirmou ao Portal Vermelho a paralisação de 24 horas dos trabalhadores do metrô de São Paulo nesta quarta, a partir das 4h30 da manhã. Segundo ele, a categoria aderiu em massa aos protestos contra a reforma da Previdência. Durante a semana os trabalhadores distribuíram uma carta aberta aos usuários do metrô explicando as razões para a paralisação.

“A categoria está muito unida nessa questão porque sabe o que está em jogo. Esperamos uma grande adesão. Depois de muito tempo fazendo paralisações parciais por questões de juros agora resolvemos paralisar um dia porque esse problema da Previdência pega todo mundo da ativa. E isso a pessoa sabe que se não lutar agora não vai se aposentar. Ou vai se aposentar em condições precárias. Vai ser pra morrer”, disse.

Motoristas e cobradores também param as atividades das 4h da manhã até as 8h. Os trabalhadores vão realizar assembleias e protestos nas garagens das linhas da cidade de São Paulo. Bancários, metalúrgicos, eletricitários, químicos, trabalhadores dos Correios e da Sabesp também participam dos protestos.

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