Golpe iniciado há um ano pela Câmara colocou o país no retrocesso

Há exatamente um ano, em 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados, comandada pelo então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), realizou a votação que deu prosseguimento ao processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade. A partir desse dia, o golpe, que até então era uma conspiração, se concretizou, agravando a crise política e arruinando a economia brasileira.
“Por Deus, pela pátria e pela família”, dizia a maioria dos deputados que votaram pelo impeachment. Outros discursavam contra a crise econômica e o desemprego, prometendo dias melhores com o afastamento da presidenta. Nada se ouvia sobre as acusações do crime que Dilma teria cometido por ter assinado decretos de créditos suplementares e cometido as chamadas “pedaladas fiscais”.

“Terra da Lava Jato, avante!”, gritou o deputado Diego Garcia (PHS-PR) ao justificar seu voto a favor do impeachment. O período que antecedeu a aprovação do impeachment foi marcado por uma série de operações da força-tarefa da Lava Jato e de vazamentos seletivos, que citavam somente lideranças do PT, prisões coercitivas – inclusive do ex-presidente Lula –, delações premiadas em série que ajudaram a construir o falso discurso de que o impeachment era um instrumento de combate à corrupção.

Essa narrativa da operação jurídico-midiática deu vasão a um debate político polarizado sem fundamentos, mas cheio de ilações e factoides. A mídia construiu o cenário do fim do mundo, com uma economia que diziam estar em coma, com empresários e a classe média em revolta.

Como moduladora da crise, as emissoras de TV, que tem o domingo como dia nobre, interromperam suas programações para transmitir a votação para milhões de brasileiros, dando palco ao seu Fla-Flu contra a democracia.

No dia seguinte, em pronunciamento à Nação, a presidenta Dilma resumiu a trama: “As razões que levam à aceitação não são razões fundadas na necessidade de aceitação, mas numa espécie de vingança pelo fato de não termos aceitado negociar os votos dentro da comissão de ética”. Ela se referia à chantagem e vingança de Cunha, pelo fato de o seu partido e o governo terem negado apoio e ele, no processo que respondia no Conselho de Ética.

O fato era notório e amplamente conhecido pela imprensa, mas foi desconsiderado pelo Supremo Tribunal Federal nas análises dos recursos contra a tramitação do impeachment e pelos parlamentares que aprovaram o golpe.

Agora, o próprio Michel Temer, em entrevista concedida à TV Bandeirantes neste sábado (15), confessou que sabia que o impeachment foi uma vingança de seu aliado Eduardo Cunha. Na entrevista, Temer contou o fato como se não fizesse parte do contexto, tentando dar uma falsa demonstração de que não atuou pelo golpe.

“Em nenhuma democracia um vice-presidente conspiraria contra a presidente e seria respeitado. A sociedade humana não gosta de traidores. O mundo e a história observam cada ato praticado neste momento. Nos tempos muito difíceis a história está presente. O mundo e a história observam cada ato praticado neste momento. Nos tempos muito difíceis a história está presente”, disse Dilma em 18 de abril de 2016.

Hoje, Temer está no poder, mas amarga um dos mais altos índices de rejeição. Segundo pesquisa do instituto Vox Populi, apenas 5% dos entrevistados consideram o desempenho do presidente ótimo ou bom; 65% classificam a atuação de Temer como ruim ou péssima.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) resumiu o fato como “um espetáculo de horrores”. “De lá pra cá, temos visto mais abusos acontecendo, com um governo que não tem legitimidade e não tem credibilidade, com nove ministros denunciados e com uma pauta de violação da Constituição todos os dias. É retirada de direitos para compensar aqueles que lhe apoiaram no impeachment. É a violação e retrocesso numa pauta democrática, da Previdência e trabalhista”, afirma a deputada, que reforça que o impeachment foi uma “violação da democracia e dos direitos do povo”.

De fato, o cenário é devastador. No dia seguinte a posse de Temer, os jornais diziam que Temer buscava o diálogo nacional e reformas para tirar o país da crise. A realidade é que a economia encolheu em pelo menos 10%. O desemprego, que na época da votação era de 11 milhões, saltou para 13,5 milhões. Ou seja, o golpe fez chegar ao poder um governo que promove medidas que jamais foram aprovadas pelas urnas.

Como bem afirmou a presidenta Dilma, logo após o Senado confirmar o seu afastamento, o golpe não era apenas para destituí-la do seu mandato, mas “impedir a execução do programa que foi escolhido pelos votos majoritários dos 54 milhões de brasileiros e brasileiras”.
Do Portal Vermelho

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