PSB fecha questão contra reformas e põe cargos à disposição de Temer

As reformas de Michel Temer (PMDB) começam a derreter sua base aliada. Nesta segunda-feira (24), o PSB, quinto maior partido da base, decidiu fechar questão contra as reformas da Previdência e da legislação trabalhista.

 

PSB/Divulgação

 Carlos Siqueira é presidente nacional do PSB

Carlos Siqueira é presidente nacional do PSB

A decisão é uma derrota do governo que pressionava os partidos aliados a fechar questão em apoio às medidas consideradas por ele prioritárias no Congresso.

Na reunião da comissão executiva, Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, defendeu que a militância engrosse os protestos marcados para o dia 28 contra as reformas de Temer.

Siqueira reforçou que a decisão do PSB inviabiliza a participação do partido no governo Michel Temer. “O PSB não se vê obrigado em votar matérias que são contraditórias com sua história, com seu programa”, afirmou ele, em entrevista ao Estadão.

Para ele, o partido nunca integrou o governo Temer e que nunca solicitou cargos no Executivo, assinalando que a escolha do deputado licenciado Fernando Coelho Filho (PE) para o Ministério de Minas e Energia foi decisão pessoal de Temer. “O cargo não é do partido, porque nunca indicou. É do presidente da República, ele tem a plena liberdade para fazer o que desejar”, disse.

Ele lembrou ainda que o parlamentar que votar contra a posição do partido estará sujeito ao crivo do eleitor. “A maior punição para eles seria dos seus próprios eleitores. Ninguém ignora que são reformas extremamente impopulares e que a grande maioria está contra elas”, enfatizou.

“Eu aposto na possibilidade de que os deputados cumpram a decisão. Esse partido não é um trem descarrilado que se entra sem saber para onde ir. É um partido que tem 70 anos de história e não pode rasgar seu manifesto e seu programa”, declarou Siqueira.

Ao decidir fechar questão contra as reformas de Temer, os deputados do PSB ficam obrigados a votar de acordo com a orientação do partido no plenário, sob pena de punição.

“Não estamos no governo. É prudente o Planalto começar a contabilizar votos a menos”, disse o vice-presidente de Relações Governamentais do PSB, Beto Albuquerque.

Já o senador Fernando Bezerra (PSB-PE), pai do ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, afirmou que o cargo ocupado pelo PSB está à disposição do governo. Temer, contudo, tenta reverter a decisão mantendo o ministro no cargo. Ele vai se reunir nesta terça (25) com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), para tentar costurar uma saída.

“Na medida em que as bancadas não respaldam as matérias que são importantes para o governo, é importante deixar o governo à vontade para compor a sua equipe com aqueles que possam contribuir na aprovação das matérias legislativas”, disse Bezerra.

Com a decisão, Temer perde pelo menos 35 integrantes, passando de 411 para 376. No Senado, deixaria de contar com 7 de 67 parlamentares de partidos aliados. Para aprovar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) como a da reforma da Previdência, são necessários ao menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado.

Com o sinal vermelho acionado, Temer se reuniu com os ministros ligados às bancadas aliadas. A ordem foi para que todos os auxiliares com mandato peçam demissão temporária do cargo quando chegar a hora de votar a reforma da Previdência no plenário.

“O presidente entendeu que deveria, no momento oportuno, exonerar todos os ministros que têm atuação de liderança nas bancadas parlamentares”, afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy.

Do Portal Vermelho, com informações de agências

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