Haroldo Lima:Greve vitoriosa dá condições para próximos enfrentamentos

A grande vitória da Greve Geral de 28 de abril de 2017 só foi possível porque os trabalhadores e o povo de nosso país conseguiram por em suas mãos uma enorme arma de combate, a capacidade de mobilizar multidões, através de uma frente ampla, formada por grande número de entidades, sindicais, políticas, estudantis, culturais, religiosas, de profissionais liberais e outras mais, levantando reivindicações sentidas.

Esta é a grande revelação de 28 de abril passado. Nosso povo encontrou os caminhos de mobilizar amplas camadas sociais e o fez com decisão e maestria. Será muitíssimo importante resguardar essa fórmula que permitiu por em ação forças poderosas, movimentos grandes, potentes, nacionais, capazes de enfrentar o reacionarismo insolente que cresce em nosso país, ousado bastante para querer liquidar as conquistas que com muito esforço fizemos no passado. 

Um povo é forte e respeitado quando tem capacidade de se mobilizar frente a grandes questões. A greve geral é um objetivo fundamental e é através dela que o povo testa até que ponto está armado para grandes embates. Constatado que sua arma está calibrada, o povo, articulado pela frente político-social ampla que construiu, passa a novas iniciativas, de acordo com as necessidades do processo. 

Foi enorme a vitória da Greve Geral de 28 de abril de 2017. O Brasil parou, de norte a sul, de leste a oeste, contra as chamadas “reforma trabalhista e da previdência” e contra o governo golpista do Temer. As diferentes categorias prepararam-se há semanas para dar um tranco no governo usurpador. Este, pressentindo que os trabalhadores do Brasil e povo em geral preparavam-se para sacudir os alicerces da Nação em protesto retumbante, atropelaram-se em correria desenfreada para “aprovar” a sinistra “reforma trabalhista”, dois dias antes que o povo a jogasse nos cafundós do inferno. Mas a manobra não deu certo. 

A arma poderosa recém forjada pelo nosso povo – a capacidade de se mobilizar – é duradoura e precisa ser usada outras tantas vezes, de variadas formas, de acordo com as circunstâncias. Para tanto é preciso que a frente se organize em certa medida, que se encontre, para se rejubilar com o acontecido e para ver os próximos passos.

Vem aí a apreciação no Senado da “reforma trabalhista”. O Renan já anunciou que ela foi “malfeita” e é “injusta”. Precisa ser abordado o mais rápido possível por uma “comissão representativa da frente que articulou a greve geral”, suficientemente ampla para nela estar, gente das centrais, dos estudantes, dos advogados, da Igreja, dos sem terra etc. 

Uma questão se coloca. O governo parece querer usar a tática fascista de dizer uma mentira com tal seriedade e tantas vezes que ela termina confundindo o povo. O ministro da Justiça Osmar Serraglio, cheio de empáfia,diante do noticiário distorcido da Globo, mas que não pode deixar de registrar a magnitude da greve geral, saiu dizendo, sem corar, que “a greve foi um fracasso” e que, sendo assim, deu mais força ao governo para prosseguir sua linha nefasta pelas “reformas”. O próprio Michel Fora Temer, fazendo uma apreciação similar, conclui que seu governo “continuará” com as reformas.

E, contudo, o governo de Michel Fora Temer não pode continuar desestruturando o mínimo que resta do Estado brasileiro. É um governo impostor. Formado por uma quadrilha não eleita pelo povo para estar onde se encontra. 

Quem é, por exemplo, esse Osmar Serraglio que olha um furacão e diz que é uma leve brisa? Era o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que amarrou o quanto pôde, com as manobras mais torpes, a análise do processo de cassação de Eduardo Cunha, de quem é íntimo. É o deputado citado na Operação Carne Fraca por uma das líderes da quadrilha que está sendo investigada, Maria do Rocio Nascimento, funcionária do Ministério da Agricultura, que se referiu a ele, em conversa com um comparsa, como o “velhinho que está conosco”. 

O dito “velinho” agora acha que uma greve que paralisou o Brasil e teve repercussão internacional foi um “fracasso” e que anima mais o governo do qual participa para praticar suas diatribes. 

Cabe ao povo mobilizado dar a resposta que tal insolência merece. As formas disto aparecer serão encontradas pela frente ampla. 

Ante o ocorrido, merecem parabéns as centrais sindicais, os jovens, os estudantes, os trabalhadores em geral, os em terra e sem teto, a Igreja Católica e outros religiosos, os advogados e outros profissionais liberais, todos os que estiveram nessa frente ampla viabilizando a greve geral.
Podemos estar nos aproximando de uma inflexão na tendência geral arraigadamente conservadora que predomina há tempos no Brasil, que coroou com o episódio do impeachment e que quer dissolver a Nação brasileira. 

 
Haroldo Lima é engenheiro, foi DeputadoFederal e é membro da Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil.

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