Renato Rabelo: Lênin, gênio da Revolução Proletária

No ensejo das comemorações do centenário da Revolução Russa de 1917, a Fundação Maurício Grabois tem grande orgulho de lançar a coletânea – “Lênin, Presença da Revolução”, organizada por Sergio Barroso.

Lênin viveu apenas 54 anos. Que gênio! Sua obra teórica, política e filosófica é gigantesca. Tem permanência, universalidade e atualidade. Vladimir I. Lênin foi o grande condutor da primeira revolução proletária vitoriosa da história, o maior acontecimento do século 20. Tratou-se da primeira experiência de estruturação continuada de um sistema alternativo ao capitalismo – o Socialismo.

A época e o tempo de Lênin — final do século 19 e entrada do século 20 – tratava-se de uma nova etapa da história do capitalismo: a época dos monopólios e da internacionalização do capital; do desenvolvimento técnico-científico, da aceleração da produção industrial, era de transformações, rupturas e novas ideias; a era do imperialismo, de mudanças geopolíticas, embates entre as grandes potências, da deflagração da primeira Grande Guerra Mundial.

A dimensão do papel de Lênin está na marcante capacidade de dominar a singularidade da sua época, distinguir suas tendências no curso histórico e antever sua evolução. Lênin, o fundador do Partido Bolchevique, foi o que colocou o Partido à altura de Karl Marx. Isso tudo graças a Lênin. Porque ele não se limitou a sistematizar e divulgar o marxismo, mas, sobretudo, soube empenhar-se em desenvolvê-lo de modo original. Lênin desenvolveu a teoria revolucionária, pois sem ela não haveria a revolução proletária, baseada na concepção do materialismo dialético, na época do imperialismo, da internacionalização do capital e do proletariado, produto desse mesmo período histórico. Na minha opinião, o estudo da imorredoura obra de Lênin nos dá a sensação da largueza da sua visão, da impressionante construção das idéias como reflexo fiel da realidade em movimento e da síntese das idéias que se voltam como um encaixe, permitindo a transformação do movimento real.

O papel de Lênin, em curto espaço histórico, vai muito mais longe. Com uma densidade, uma lucidez e determinação excepcionais – a sua intensa e diversificada dedicação à luta revolucionária – da corrente mais avançada do movimento operário mundial — se refletiu numa história prática de quinze anos (1903 – 1917) e pós a conquista do poder político de mais sete anos (1917 – 1924).

Tudo isso aconteceu, sem paralelo no mundo, em virtude de sua riqueza e variadas experiências, que Lênin magistralmente pôde formular ensinamentos, prenhe de lições, gestando uma doutrina revolucionária que assume uma dimensão universal, permanente e atual. Seu tempo transpõe o século 20, penetra no século atual.

Destaco três exemplos de atualidade significativa da vasta e preciosa doutrina leniniana:

Em primeiro lugar, a atualidade do seu conceito de imperialismo, no contexto presente do desenvolvimento desigual do sistema capitalista. Este enunciado de “desenvolvimento desigual” é formulado originalmente por Lênin a partir de reflexões de Hobson e Hilferding nos debates acerca da Economia Política do Imperialismo, no início do século passado. Hoje, a transição do cenário de dominação unipolar, logo após o fim da Guerra Fria, com a intensificação progressiva de tendências à multipolarização – com o surgimento de novos pólos de poder no sistema de forças internacional – foi fomentada e sustentada pela dinâmica do desenvolvimento desigual do capitalismo.

Assim, o conceito de “desenvolvimento desigual”, formulado originalmente sobre a natureza do imperialismo, a partir de Lênin, (conforme o estudo do professor Luís Fernandes), fundamenta para o desenlace atual em curso: a tendência estrutural à erosão do poder do centro hegemônico face à ascensão de novos pólos de maior dinamismo econômico em áreas de desenvolvimento capitalista mais tardio, podendo ser no próprio centro do sistema ou na sua periferia como vem acontecendo.

Em segundo lugar, a atualidade da célebre formulação de Lênin acerca da NEP (Nova Política Econômica), que esteve no debate da nascente revolução soviética, acerca das alternativas de transição ao socialismo na Rússia concebidas pelo poder proletário. Acabou prevalecendo, como sabemos, outra opção de socialização acelerada, com todas suas conseqüências positivas até o imediato pós Segunda Grande Guerra e, em perspectiva, no seu desenvolvimento acabaram se tornando muito negativas.

Na atualidade — no debate candente sobre a transição para o socialismo, nos marcos da luta contemporânea pelo socialismo em países da chamada periferia, de desenvolvimento capitalista relativamente atrasado — se volta à retomada dos princípios e práticas que haviam orientado o período da NEP na União Soviética dos anos 1920, formulados por Lênin. É o que vem acontecendo na forma assumida pelo desenvolvimento chinês, desde a orientação aplicada por Deng Xiaoping, logo após de forma semelhante no Vietnã e mais recentemente em Cuba, cada uma dessas experiências com suas peculiaridades próprias e seguindo seu modo original, no contexto de novas condições geopolíticas da nossa época.

Em terceiro lugar, essa extraordinária capacidade de síntese de Lênin — fundada em rica, variada e singular experiência — trouxe ao nível do conhecimento uma verdadeira enciclopédia do conceito de estratégia e tática, da sua justaposição, da relação entre vanguarda e massas, entre liderança e bases, em um sentido amplo e, mais precisamente, no terreno político e revolucionário. Em conseqüência como impedir os extremismos na luta política e revolucionária; e desvenda a real dimensão política do papel dos partidos revolucionários, comunistas.

Em resumo, situa os dois procedimentos básicos contrastantes a seguir, que são universais e sempre permanentes na luta política e revolucionária: doutrinar sobre o comunismo, fixando-se nos marcos de uma seita: ou lutar para conquistar as grandes massas, transformando-se em grande partido proletário de ação política.

Todas estas questões estão presentes na magistral obra de Lênin, “obra de cabeceira” dos comunistas (nas palavras de João Amazonas), “Esquerdismo, doença infantil do Comunismo “, escrita por Lênin em 1920. É seu último escrito mais denso para orientar os Partidos Comunistas que começavam a surgir, imbuídos de paixão revolucionária, mas distantes ainda da compreensão dos desafios dos fluxos e refluxos e variedade da luta política, e do decisivo desafio de ganhar as grandes massas proletárias e do povo.

Concluo com um trecho do poema de Maiakovski (na tradução de Zóia Prestes), na abertura do livro, que diz tudo:

“Lênin, ainda está mais vivo que os vivos!

É o nosso saber – nossa força e arma”.

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