Fernando Brito: Nem ponte, nem futuro, só esqueletos e desperdício

 

Reportagem de Martha Beck, Manoel Ventura e Geralda Doca, em O Globo, mostra o cenário devastador dos investimentos públicos no Brasil e, em consequência, a falta de qualquer perspectiva de retomada de um crescimento sustentado da economia, que vai ter, durante um bom tempo, com os soluções (positivos e negativos) da mera especulação financeira.

Por Fenando Brito*, no Tijolaço

Os investimentos caíram a 2003, quando o primeiro ano do Governo Lula ficou preso ao Orçamento aprovado no final do governo Fernando Henrique, com o Brasil praticamente quebrado.

A necessidade de honrar a meta de déficit fiscal de R$ 139 bilhões, em um cenário de receitas em queda, obrigou o governo a derrubar o investimento público. A taxa em proporção do PIB caminha para seu menor nível desde 2003, quando atingiu 0,3%, segundo levantamentos do Ipea e do pesquisador do Ibre/FGV Manoel Pires. O setor de infraestrutura tem sido o mais afetado por cortes. Faltam recursos para terminar obras como a ponte sobre o Rio Guaíba (RS) e a transposição do Rio São Francisco.

Dito assim, em percentagem do PIB, o valor é impalpável para nós, meros mortais.
Mas meio por cento de queda no investimento significa menos R$ 32 bilhões em investimento.

Uso as contas feitas pela Rede Globo, pouco tempo atrás, para chorar o que seria feito com os desvios feitos pela Odebrecht em oito anos para mostrar o que está deixando de ser feito em apenas um ano com este corte.

A construção de 18.602 creches, com capacidade para atender, nas contas da Globo, três milhões de crianças.

Ou a compra de 268.620 ambulâncias.

Ou construir, só este ano, 130 hospitais públicos.

E por aí vai. Projetos parados, obras abandonada, corroendo ao tempo, custos imensos com a suspensão de contratos e, amanhã, maiores ainda com a remobilização de construções. Afora o custo financeiro de tudo o que já se investiu e que fica parado, sem utilidade, como as 10 mil obras que Temer disse que iria retomar e…nada.

A “ponte para o futuro” não saiu, por falta de verba.

Todinha ela desviada para a turma do mercado, que os aplaude, ganhando muito bem para isso.

*Fernando Brito é jornalista e editor do Tijolaço

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