CTB: Seminário Internacional analisa ataques ao trabalhador no mundo

A programação oficial do 4º Congresso Nacional da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) se iniciou nesta quinta-feira (24) com o seminario internacional “A crise econômica global e o mundo do trabalho” e prossegue até sábado (26). A atividade conta com a presença de sindicalistas de 30 países. Pela manhã, Peter Poschen (OIT), Sérgio Barroso (Fundação Mauricio Grabois) e Augusto Praça (CGTP-IN) debateram o tema “A crise capitalista e os impactos no mundo do trabalho”.

O diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Peter Poschen, foi o principal porta-voz da entidade nas críticas às reformas trabalhista, já aprovada e sancionada no país, e da previdência, ainda em tramitação. Ele abriu a mesa da manhã que foi mediada pela dirigente da CTB, Gilda Almeida

Poschen apresentou um detalhado mapeamento da realidade trabalhista e econômica no país e destacou a estagnação da indústria e o aumento da desigualdade de renda simultâneo à elevação da concentração de renda.
“Se fizéssemos um retrato hoje, teríamos um país com forte desindustrialização e PIB em queda”, diz Poschen, que finalizou sua participação no evento anunciando que a OIT prepara um amplo documento que repensa o papel da organização “na governança dos direitos da classe trabalhadora” e sistematiza soluções e estratégias para lidar com o futuro do trabalho no mundo.
“O trabalho não está acabando – o que precisamos, fundamentalmente, é investir em infraestrutura e em pessoas, sobretudo nos jovens, negros e mulheres”, afirmou.
Barbárie
O assessor da CTB Sérgio Barroso fez uma retrospectiva da história da revolução industrial dentro de uma perspectiva marxista e destacou o fato de que os monopólios, desde a sua origem, ampliaram o emprego mas não diminuíram a pobreza.
Em sua exposição, ele lembrou que este mês marca os dez anos da deflagração do colapso imobiliário e da falência do banco Lehman Brothers nos EUA, que desencadearam uma das maiores crises econômicas dos últimos tempos do capitalismo mundial.

“Estamos vivendo ainda o colapso do financiamento do capital”, disse Barrroso. O dirigente destacou o papel da CTB como uma organização classista. “O sindicalismo da CTB trabalha na perspectiva da mudança, da visão do futuro”. E alertou: “A pespectiva que nos apresentam hoje é a barbárie”.

O sindicalista português Augusto Praça, da CGTP-IN é uma liderança do movimento sindical em seu país e participou ativamente das lutas recentes contra a imposição de reformas restritivas aos direitos trabalhistas no país.

Ele discutiu o tema A quarta revolução industrial e o futuro do trabalho e o papel da educação no avanço civilizacional. “Só com trabalhadores qualificados e com altos níveis educação teremos um país mais justo e mais igual, mais desenvolvido, mais competitivo e onde os trabalhadores sejam os sujeitos ativos do seu destino”, defendeu Praça.

Do Portal Vermelho com informações do Portal CTB

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