Temer coloca o Brasil em liquidação, afirma Clube de Engenharia


“Brasil em liquidação”, resume o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, sobre as medidas do governo de Michel Temer. Para ele, o governo pratica o desmonte das econômicas e sociais do país colocando o patrimônio público a venda a preço de banana.

Divulgação

Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia

Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia

 

“O tratamento proposto para o equacionamento da crise fiscal consiste apenas na liquidação, como xepa de fim de feira, de ativos pertencentes ao nosso povo, comprometendo o futuro da nação”, enfatizou Pedro. “A persistir este rumo continuaremos em crise, apenas mais pobres, pelo que impõe-se à sociedade, pelas suas entidades representativas, empresariais, de trabalhadores, dos intelectuais e acadêmicos, resistir para impedir a continuidade do desmonte”, completa:

No artigo, o presidente do Clube de Engenharia afirma que, desde que assumiu, Temer dizia que traria a solução para resolver pretensa crise fiscal, mas o que se viu foi a implementação do desmonte sistemático das conquistas econômicas e sociais das últimas oito décadas, que levaram nosso país a passar da condição de mero exportador de produtos primários à de uma das maiores economias do mundo.

“A arrecadação federal está em queda livre, é verdade, mas por conta da depressão da economia e conseqüente colapso da demanda, fruto da política econômica conduzida por banqueiros, tanto no Ministério da Fazenda como no Banco Central, dedicados a atender única e exclusivamente aos interesses do setor financeiro, privilegiado com generosas taxas de juro, as mais elevadas do planeta, o que faz com que quase metade da arrecadação federal se destine ao pagamento de juros, ao mesmo tempo em que são congelados todos os demais gastos da União. A mesma lógica leva o país a manter mais de 380 bilhões de dólares em reservas internacionais, muito mais do que o necessário para o pagamento das nossas contas externas”, detalha Pedro Celestino.

Para ele, o governo criou um alardeou a crise fiscal e a usa como justificativa impor como única saída a venda, a toque de caixa, de ativos estratégicos indispensáveis ao nosso desenvolvimento, o que, “compromete-se o futuro do país nas próximas décadas”.

“Assim, propõe-se desfigurar o BNDES, como se fosse um banco privado qualquer, e não o principal indutor do nosso desenvolvimento industrial. Acelera-se o desmonte da Petrobras, fatiada para que passe apenas a ser produtora de óleo, e amplia-se a venda a petroleiras estrangeiras das reservas do Pré-Sal, a maior descoberta de óleo dos últimos 30 anos no mundo; nesse ritmo, dentro de 5 anos seremos grandes exportadores de óleo e importadores de derivados e petroquímicos, tal como os países do Oriente Médio”, diz ele.

Sobre a privatização das hidrelétricas da Eletrobrás, ele classifica como entrega ao mercado. “Energia passará a ser tratada como mercadoria, negociada em bolsa; as tarifas, que já são as mais altas do mundo, fruto de sucessivos erros cometidos desde 1995, subirão ainda mais, inviabilizando o desenvolvimento industrial”, pontua.

Ele cita ainda recentes Medidas Provisórias (MP), que reformulam o marco regulatório do setor de mineração, que extinguem o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) e reorganizam a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). “Tudo com o propósito explícito de desnacionalizar o aproveitamento dos nossos recursos naturais”, denuncia.

Ele abordou ainda o desmonte na ciência, tecnologia e educação, que estão “desorganizadas, e encaradas como negócio a atrair crescente apetite estrangeiro”. Além do abandono ao Sistema Único de Saúde (SUS), que “é esvaziado para que seguradoras estrangeiras passem a “cuidar” da área”.

Pedro abordou ainda outros pontos de preocupação para a soberania nacional: a privatização do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC); a emenda constitucional que elimina o monopólio da União nas atividades de exploração, pesquisa e produção de energia nuclear; e o corte de verbas no âmbito do Ministério da Defesa prejudicando o andamento de projetos estratégicos, como o submarino a propulsão nuclear, o projeto SISFRON e aquisição dos caças para a Força Aérea.

Do Portal Vermelho

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