Luciano Siqueira: Três lances e um desafio


1 – Por três votos a dois, o STF condenou o senador Aécio Neves a se afastar do mandato e limitou sua liberdade de ir e vir obrigando-o a permanecer em sua residência no horário noturno. Como bem assinalou o ex-deputado Haroldo Lima em artigo aqui no Blog do Renato, “um desrespeito aberto à Constituição e não pode ser aceita. Mostra o quanto certos setores do Judiciário, e inclusive do Supremo, estão exorbitando de suas funções, assumindo funções que não têm, usurpando funções.”

Sinal de agravamento da crise institucional.

2 – Em duas rodadas ontem, pela manhã e à tarde, o governo conseguiu privatizar quatro usinas hidrelétricas da Cemig, entregando-as ao controle externo e avançou no leilão de exploração “offshore” de áreas da Bacia de Campos, com destaque para as estrangeiras Exxon, Murphy Oil e CNOOC.

Ponto para a alienação do nosso petróleo e a prevista internacionalização da exploração do pré-sal, parte da agenda entreguista de Temer.

3 – O Congresso Nacional falta apenas fechar a questão do fundo de Campanha para concluir o arremedo de reforma eleitoral que se arrasta há alguns meses, preservando distância quilométrica em relação a mecanismos efetivos de fortalecimento dos partidos e de indução do eleitor ao voto consciente, programático.

E assim segue drama brasileiro em suas faces política, institucional e econômica.

O desafio: qualificar o debate em meio ao massacre de notícias negativas que contribuem para satanizar a política e aprofundam diariamente a descrença e a desconfiança da população em relação à possibilidade de superação da crise.

Urge combinar a resistência em todas as frentes, através das formas possíveis, pondo o povo em movimento, e formular alternativas concretas à atual situação.

Mantendo-se o calendário eleitoral, estamos a poucos meses do próximo pleito presidencial. As forças oposicionistas têm o dever de construírem um ideário consistente e compreensível pelo eleitorado para que possam almejar a expectativa de êxito nas urnas.

Na fase atual, uma pré-candidatura do PCdoB à presidência da República contribuirá nessa direção, inserindo na cena política bases de um novo projeto nacional de desenvolvimento.

Como se sabe, essa hipótese é considerada na tese posta a debate no 14º Congresso do PCdoB, que se concluirá e novembro.

Tempo de sobra para decidir.

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