Desemprego: “É muito cedo para dizer que o pior já passou”

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta (29) pelo IBGE mostrou que a taxa de desemprego recuou no trimestre, mas ainda apresenta alta em relação a 2016 – o país soma 13,1 milhões de desempregados. Mais uma vez, o crescimento no número de vagas veio do emprego precário ou informal. Quase 70% das vagas geradas no período foi na informalidade. Para coordenador do IBGE, Cimar Azeredo, dizer que o pior já passou é “muito otimismo”.

Reprodução

Os dados indicam uma retração no desemprego, cuja taxa saiu de 13,3% no trimestre encerrado em maio, para 12,6% no trimestre encerrado em agosto. No igual período de 2016, contudo, o percentual de desempregados era menor, de 11,8%. Em um ano, então, houve um aumento de 9,1% no índice, ou 1,1 milhão de desempregados a mais.

Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, destacou que o recuo no desemprego não sinaliza necessariamente a superação da crise no mercado de trabalho. “Quase 60% das vagas geradas, das 1,4 milhão, são empregos informais. Tivemos queda na desocupação, houve aumento da ocupação, mas quase 70% dessas vagas se deu na informalidade, o que é comum em períodos pós-crise, como em 2008 e 2003. As vagas criadas são para empregados sem carteira e por conta própria. Mas ainda é muito cedo dizer que o pior já passou, porque vivemos uma crise política que pode por a perder essa retomada do mercado”, ressalta Azeredo.

Segundo Clemente Ganz, diretor-técnico do Dieese, a recuperação de curto prazo é uma boa notícia, mas não há segurança de que, no longo prazo, ela se materialize de forma permanente. “Estamos muito longe de poder afirmar que é algo consistente. Muito porque não há segurança sobre a dinâmica da economia, principalmente porque não há investimentos”, disse.

De acordo com ele, depois do tombo do ano passado, já era esperada uma melhoria. Mas, por enquanto, ela não é suficiente para compensar as perdas de postos de trabalho do ano passado.

Na sua avaliação, uma tendência de recuo consistente no desemprego se confirmaria com a ampliação dos investimentos, algo que não está posto pela atual gestão. “As privatizações anunciadas pelo governo, além de retirarem um componente de desenvolvimento para a frente, não são suficientes para dar pujança à economia”, afirmou.

Informalidade

Como já havia acontecido no trimestre anterior, os postos de trabalho foram gerados, em sua maioria, no mercado informal. De maio até agosto, foram criados 1,374 milhão de postos de trabalho, indica a Pnad. Mas, destes, mais da metade foram de empregados sem carteira assinada (286 mil) e trabalhadores por conta própria (472 mil). O emprego com carteira teve leve alta, de 0,5% (153 mil).

No levantamento de um ano, foram criadas 924 mil vagas, das quais 552 mil foram para empregados sem carteira assinada e 612 mil de trabalhos por conta própria. No emprego formal, contudo, foram fechadas 765 mil vagas.

Clemente analisou que a pesquisa veio na linha das expectativas. “A economia parou de cair no ritmo que vinha e isso teve repercussões sobre a ocupação, sobretudo as precárias, no setor informal e nos empregos por conta própria”, apontou. Parte dessas ocupações precárias são resultado do desemprego de longa duração, que leva aqueles que já estão há muito tempo sem renda a procurarem empregos precários, acrescentou.

“É coerente com uma dinâmica pós-grave crise. Só teremos empregos formalizados com uma recuperação robusta”, previu. O diretor do Dieese crê que os últimos indicadores econômicos têm pouca relação com as políticas levadas adiante pelo governo Michel Temer. Indicam mais que o país chegou ao fundo do poço, que uma ação no sentido de estruturar as bases para o crescimento sustentado. Ele ressalta que há uma instabilidade e que as taxas de crescimento verificadas até então são extremamente baixas, especialmente diante das perdas.

Setores

Os setores em que houve aumento no contingente de ocupados, no trimestre encerrado em agosto, foram: Indústria Geral (1,9% ou mais 227 mil pessoas), Construção (2,9% ou mais 191 mil pessoas), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,7% ou mais 414 mil pessoas) e Outros serviços (3,0% ou mais 132 mil pessoas).

De acordo com a pesquisa, em um ano, contudo, a construção civil cortou 353 mil postos. O total de ocupados na atividade encolheu 4,9% no trimestre, ante o mesmo período de 2016. Nesse período, outros setores com corte de vagas foram agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-627 mil empregados, recuo de 6,8% no total de ocupados), serviços domésticos (-37 mil empregados, redução de 0,6% no total de ocupados) e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-102 mil vagas, queda de 0,6%). A indústria, contudo, abriu 365 mil em 12 meses (3,2%) e comércio/reparação de veículos registra acréscimo 219 mil (1,3%).

Rendimento

A massa de rendimento recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas ficou estável em relação ao trimestre móvel de março a maio e também frente ao mesmo trimestre do ano passado, em R$ 186,7 bilhões, segundo o IBGE.

Questionado sobre o que de fato vai configurar a plena recuperação do mercado de trabalho, Azeredo afirmou que é a geração de vagas formais acompanhadas de aumento nos salários.

Do Portal Vermelho, com agências

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