Luís Fernandes lança A Revolução Bipolar com palestra no Rio de Janeiro


Evento no auditório da Livraria da Travessa do Shopping Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco, 290) ocorre no dia 19 de outubro, às 19h, no âmbito da semana do Centenário da Revolução Russa, que reúne livrarias e editoras diversas do Rio de Janeiro.

Luís Fernandes fará palestra, seguida de sessão de autógrafos em seu novo livro “A Revolução Bipolar”, da Anita Garibaldi, Fundação Maurício Grabois e Editora da PUC-Rio.

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A Revolução Russa faz 100 anos. É indiscutível sua relevância. No século XX, constituiu uma primeira – e única – alternativa sistêmica ao capitalismo mundial. A URSS foi decisiva na destruição do nazi-fascismo e no desmantelamento dos impérios coloniais. Depois da segunda guerra mundial, suas propostas de direitos sociais igualitários, de planejamento econômico centralizado e de inovações tecnológicas inspiravam o entusiasmo dos partidários e o receio dos inimigos.

Quando e por que o sistema perdeu o rumo? O autor propõe uma chave interpretativa: a opção pela estatização integral da economia, ditada por considerações geopolíticas, teria embotado a capacidade de o sistema disseminar o progresso técnico na sua sociedade, justamente no período em que o mundo passava por nova e profunda revolução científico-tecnológica-informacional. As consequências dessa “encruzilhada da inovação” foram fatais para o sistema soviético.

O livro oferece uma contribuição original. E seu autor, Luís Fernandes, está particularmente apto para empreendê-la, pois alia pesquisa acadêmica sobre a história do socialismo na União Soviética com estudos sobre as dimensões geopolíticas e geoeconômicas da evolução do sistema internacional no quadro das relações internacionais. Merece ser lido.

Daniel Aarão Reis

De acordo com o próprio autor, durante entrevista ao Portal Grabois, a obra pode ser entendida como um desdobramento mais maduro de outras duas publicações anteriores, “URSS – Ascensão e queda” e “Enigma do socialismo real”.

Nesta nova empreitada, Luis Fernandes – que é professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e da UFRJ – debruça-se sobre o tema, somando seu saber acadêmico à experiência como gestor da área de Ciência, Tecnologia e Inovação.

No momento em que a Revolução de 1917 comemora cem anos, ele aponta o papel central que a URSS teve, por exemplo, nas discussões sobre as questões social e nacional pelo mundo.

“A marca da Revolução Russa é ter introduzido a questão social na agenda mundial“, defende. Na sua avaliação, o socialismo soviético promoveu uma expansão de direitos e uma redução de desigualdades, a partir da socialização da propriedade, apesar de conter contradições relativas aos direitos civis. “No gobal, foi uma agenda de realização de direitos, redução de desigualdades, promoção social”.

De acordo com ele, a própria existência do campo sacialista representava uma ameaça que forçou a inserção da questão  social na pauta do mundo capitalista. “Gerou um contexto histórico em que havia maior predisposição para concessões aos movimentos sociais, entre eles o sindical, por parte dos governos e das elites”, aponta.

O professor destaca ainda o apoio dado pela URSS às lutas de libertação nacional, com efeitos decisivos nos processos de descolonização do século 20. “Um dos impactos da Revolução Russa foi constituir o sistema internacional como o conhecemos hoje, organizado pelo princípio da soberania dos Estados e do respeito aos direito de autodeterminação, baseado no princípio da não intervenção. É um legado duradouro, que molda o mundo em que vivemos no século 21”, afirma.

Ao pregar uma análise materialista e menos romantizada sobre a União Soviética, Luis Fernandes defendeu que se tratou de uma experiência socialista, que gerou uma sociedade igualitária, não igualitarista.

Para o cientista político, contudo, o cerco hostil que o bloco socialista enfrentou durante toda a sua trajetória limitava o potencial do desenvolvimento democrárico interno da sua sociedade, uma vez que a sua defesa e preservação terminaram por se tornar o centro das preocupações.

“Isso afetou enormemente toda a evolução da revolução soviética, seja na política econômica, mas também nas carcaterísticas que o Estado assumiu, diante das tentativas de desestabilização”, avaliou, rechaçando, contudo, as críticas que tentam colocar na URSS a pecha de um regime totalitário.

 

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