Adalberto Monteiro: 150 vezes Princípios!

150-vezes-principios-3194Princípios, com 36 anos de circulação, chega à sua edição número 150. Uma revista de teoria, política e informação do campo político marxista e progressista do Brasil. Neste gênero, é a mais longeva publicação do país. Foi fundada pelo histórico dirigente do Partido Comunista do Brasil, João Amazonas. Floresceu pelou trabalho coletivo, de sucessivas equipes editoriais que estiveram à sua frente.

Sua coleção de 150 números se constitui de mais 12.300 páginas, aproximadamente 2.400 textos, produzidos por cerca de 800 personalidades: um conceituado rol de intelectuais, jornalistas, cientistas, artistas, lideranças políticas e sociais, principalmente do nosso país, mas também do exterior.

Percorrer suas páginas é como empreender uma viagem no percurso intelectual da corrente marxista e progressista brasileira. Os acertos, as ideias inovadoras e impulsionadoras dessa corrente, bem como seus equívocos e insuficiências.

Itinerário que revela o trabalho persistente e continuado para um crescente domínio da realidade nacional, dos principais aspectos da dinâmica mundial, notadamente a crítica ao capitalismo contemporâneo, a oposição resoluta ao imperialismo, e a defesa do socialismo como alternativa.

Labor intelectual e jornalístico regido pela diretriz de que transformar exige conhecer a realidade.

A revista nasceu em 1981, no bojo da ofensiva final pelo fim da ditadura militar, e ei-la, 36 anos depois, participando da resistência democrática, na esfera da batalha de ideias, contra um governo ilegítimo, imposto por um golpe de Estado, tipo jurídico-parlamentar, consumado em agosto de 2016.

Princípios participou do debate da Assembleia Nacional Constituinte cuja Constituição aprovada, em 1988, apesar das limitações impostas pela luta política, se constituiu um marco na restauração do Estado Democrático de Direito e de importantes conquistas na esfera da soberania nacional e dos direitos sociais. Na atualidade, nossas páginas se concentram em combater o protagonismo despótico de corporações do Estado que pisoteiam o Estado de Direito; e nossas colunas procuram desvendar e denunciar a agenda de cunho neocolonial e ultraliberal do governo golpista de Michel Temer.

Nos anos 1990, a revista contribuiu para desnudar o significado teórico, político e ideológico do neoliberalismo que, por intermédio sobretudo dos dois governos Fernando Henrique Cardoso, provocou profundo retrocesso no país. Simultaneamente, Princípios se insere no trabalho de elaboração de um programa desenvolvimento, alternativo às imposições do Consenso de Washington. Polemiza com visões políticas eivadas de táticas sectárias e contribui para disseminar a ideia de que a esquerda sozinha nem venceria as eleições e nem governaria o país. “Ideia” que se consagra com a épica vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

No ciclo progressista dos governos Lula e Dilma (2003-2016), se dedicou a adensar as bandeiras e os conteúdos de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. Grandes temas, como soberania nacional e integração latino-americana, ampliação da democracia, combate ao rentismo, desenvolvimento robusto, distribuição de renda, Defesa Nacional, Energia, Inovação, Agricultura, Proteção do meio ambiente, Educação, Saúde, Esporte, Cultura, além das reformas estruturais democráticas, entre elas, a Política, dos meios de comunicação, do sistema financeiro, urbana, entre outras.

Neste período, tendo em tela a leitura de que de que os governos Lula e Dilma se regiam pela luta entre continuísmo e mudança, a revista se orienta por uma linha editorial de enfrentamento às concepções conservadoras presentes, dentro e fora do governo, e de apoio às forças políticas da mudança, e à mobilização do povo.

No triênio 1989-1991, quando se dá a grande derrota estratégica da classe trabalhadora e dos povos, com o fim da União Soviética, quando se instaura a crise do socialismo, Princípios abre suas páginas às reflexões sobre o porquê da derrocada da primeira grande experiência socialista, destacando o legado da URSS à humanidade e contribuindo com a sistematização das lições dessa magnífica experiência.

De lá para cá, desse grande esforço, realizado no Brasil e no Mundo, pelas forças revolucionárias, vem emergindo uma nova luta pelo socialismo, em que pese ainda prevaleça uma correlação de forças desfavorável ao campo da revolução. Neste ano, quando se comemora o centenário da Revolução Russa, Princípios acumula rico acervo sobre a luta pelo socialismo na contemporaneidade, jogando luzes sobre os países que persistem na jornada pela transição do capitalismo ao socialismo, destacadamente China, Vietnã e Cuba.

A revista também defende, dissemina o marxismo e está engajada no esforço de revigorá-lo, a partir da análise dos grandes problemas e dilemas da contemporaneidade. Como, por exemplo, o estudo e a pesquisa que realiza das singularidades e tendências da grande crise do capitalismo que teve início em 2007-2008.

Ante a escalada bélica do imperialismo estadunidense, com sucessivas guerras no Oriente Médio, que já custaram milhares e milhares de vidas; as investidas contra a Rússia e a China; a perigosa política de elevar as tensões na península coreana que expõe toda região ao risco de um guerra devastadora; a ofensiva contra a soberania e autodeterminação dos países da América Latina, Princípios tem erguido a bandeira da paz e da luta anti-imperialista, ao mesmo tempo em que sustenta que tais circunstâncias ressaltam a centralidade da questão nacional como vértice da jornada de resistência e por transformações.

Quando estamos a enfrentar uma das piores crises de nossa história republicana, quando, como diz um verso do poeta Thiago de Melo, faz escuro no céu da pátria, Princípiosprosseguirá com sua missão: desbravar saídas que retirem o país do buraco fundo e imundo ao qual foi empurrado pelo golpe de Estado; e ajudar a reagrupar, agregar as forças vivas da pátria e do povo.

Demandará muita luta e uma jornada longa, mas a Nação e a classe trabalhadora novamente irão salvar o Brasil.

Adalberto Monteiro
Editor

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