Alice Portugal: O ano da resistência


No ano em que o golpe parlamentar e jurídico de Michel Temer se consumou no Brasil, a Bancada do PCdoB no Congresso teve papel decisivo na luta política para reduzir os graves prejuízos trazidos pelos sucessivos desmontes do Estado democrático soberano ao longo de 2017.

Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara

 

Enfrentamos batalhas difíceis. O presidente ilegítimo retomou a agenda ultraliberal dos anos 90, priorizando um projeto político derrotado nas eleições de 2014. O país começou a andar para trás, porque o governo apostou na redução do papel do Estado na economia. Privatizações, retirada de direitos sociais, restrições ao emprego, criminalização da política e postura subalterna na política externa passaram a ser foco do golpista. Em outra frente, houve um esforço do Executivo para arrebentar a indústria brasileira e para entregar o patrimônio público ao capital estrangeiro, com a desestruturação da Eletrobras, da Petrobras, do BNDES e demais bancos públicos.

Temer não tem envergadura para sustentar a faixa presidencial, porque não está coberto pelo manto da representatividade popular. Em meio aos ataques permanentes à democracia, a Bancada se mostrou criativa, proativa e propositiva para reduzir os danos causados por propostas, como a Reforma Trabalhista, que defenestrou mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e sepultou direitos arduamente conquistados desde a sua edição em 1943.

Lutamos duas vezes para garantir o avanço do processo criminal contra o presidente corrupto no Supremo Tribunal Federal (STF), mas fomos vencidos pelo poder do dinheiro. O golpista usa o desmonte do país como moeda de troca junto ao mercado financeiro para se manter no poder.

Conseguimos melhorar também a Reforma Política aprovada na Câmara, mantendo a atividade parlamentar não só do nosso partido, mas fortalecendo a possibilidade das legendas ideológicas e de esquerda existirem no Parlamento, com a manutenção das coligações em 2018. Derrotamos modelos exóticos de sistema eleitoral, como o Distritão e Distrital Misto, além de retomar o teto para autofinanciamento de candidaturas.

Os golpistas tentaram ainda retirar o direito à aposentadoria por meio de uma Reforma da Previdência excludente e desumana. Graças à mobilização social e parlamentar, conseguimos impedir o avanço da matéria. Em 2018, teremos de seguir atentos para que essa proposta seja definitivamente derrotada.

O Brasil precisa reerguer-se urgentemente. Somente com a saída do ilegítimo será possível retomar o crescimento nacional baseado numa lógica desenvolvimentista e socialmente justa. Só a pressão das ruas pode evitar que um projeto tão perverso ao Brasil e à população possa continuar. Em 2018, teremos a chance de eleger governantes comprometidos com o povo. Esperamos que o PCdoB amplie sua Bancada de deputados e senadores. Que possamos eleger governadores e até o presidente (a) da República. Afinal, o partido não se dobrou e reafirmou sua identidade aguerrida em meio à crise. Aqui tem luta!

 Alice Portugal é deputada federal pela Bahia e líder do PCdoB na Câmara.

Fonte: PCdoB na Câmara

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