Reitor da UFPR critica perseguição da PF às universidades públicas


Reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca.

Para o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, há um padrão de operação da Polícia Federal (PF) nas universidades durante as investigações em entrevista ao portal de notícias Uol.

Por Verônica Lugarini*

Em entrevista ao Uol, o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, falou que há um estranhamento na utilização de conduções coercitivas e até prisões temporárias de reitores pela PF.

Para ele, a cobertura midiática massiva sobre essas operações contribui ainda para uma demonização das universidades.

O último caso foi a condução coercitiva dos reitores, ex-reitores e professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no dia 6 deste mês. Na ocasião, o reitor, prof. Jayme Ramirez, a vice-reitora, Sandra Goulart, o ex-reitor, professor Clélio Campolina, a ex-vice-reitora, Heloisa Starling, além de outros professores foram conduzidos coercitivamente. Lembrando que os advogados dos professores e reitores não tiveram acesso ao processo durante o dia da condução.

Anteriormente a esse caso, a Polícia Federal também deflagrou a operação Ouvidos Moucos, na Universidade Federal de Santa Catarina, quando prendeu preventivamente o ex-reitor Luiz Carlos Cancellier que cometeu suicídio dias após sua prisão. Antes de sua morte, o reitor já havia relatado a humilhação que passou ao ser conduzido pela PF sem antes ter sido intimado a depor.

Em dezembro de 2016, a PF deflagrou uma operação para investigar desvios de recursos em programas de incentivo à pesquisa na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Já em fevereiro deste ano, a Polícia Federal deflagrou a operação Research para apurar um suposto esquema de desvio de R$ 7,3 milhões em bolsas e auxílios de pesquisa na UFPR.

Em um ano, as universidades públicas estão na mira da Polícia Federal. Conduções coercitivas, falta de acesso aos documentos da investigação, acusações falhas e sem provas são algumas das lacunas nas operações que têm levado a uma difamação das instituições de ensino. Junto a isso, em novembro, o Banco Mundial sugeriu acabar com o ensino superior gratuito no Brasil.

A sugestão do Banco Mundial é um retrocesso imenso diante do processo de democratização da universidade pública e dos avanços em educação, ciência e tecnologia no país. Tal sugestão segue caminho oposto da experiência de países desenvolvidos que privatizaram as universidades e voltaram atrás por conta do aumento do endividamento estudantil.

Fora o teto dos gastos e os cortes incessantes que já vêm ocorrendo desde 2015.

Ou seja, há uma clara movimentação para a desqualificação do ensino público no país em que se unem as esferas política, policial, e financeira para o desmonte da educação gratuita e de qualidade no Brasil.

Diante desse contexto, o reitor da UFPR apontou que o seu desejo é “crer que isso não esteja ligado a um projeto de desvalorização consciente que se faça das universidades públicas, porque coincidentemente nós temos sido muito atacados, inclusive pelos meios de comunicação, com relação a uma suposta ineficiência, que seríamos muito caros como instituição pública. A prisão de um dirigente máximo de uma universidade é uma coisa que golpeia a instituição de uma maneira peculiar, digamos assim. A crise em que a UFSC entrou depois da prisão e mesmo antes do suicídio do reitor Cancellier bem demonstra isso. A instituição como que fica sem rumo, fica acéfala”, afirmou Ricardo Marcelo Fonseca em entrevista ao Uol.

Sobre as conduções coercitivas Ricardo ponderou: “Mas eu te digo que estranha muito, e essa é uma sensação que eu tenho de fato, que o artifício das conduções coercitivas e das prisões preventivas tenha se multiplicado aparentando uma certa banalização. E também acho que isso está ligado a uma correspondente desvalorização de direitos e garantias individuais, ligadas à liberdade de cada cidadão, que são conquistas civilizacionais e irrenunciáveis”, destacou o reitor.

Em nota divulgada no início desse mês, o reitor da UFPR já havia destacado que “em pouco menos de um ano, 4 das maiores universidades federais do Brasil (UFMG, UFRGS, UFSC e UFPR), sofreram impactantes operações policiais, com quantidade de agentes (geralmente também acompanhados de auditores de órgão de controle) suficientes para um conflito armado. Todas com imensa e desmedida repercussão midiática. Em alguns desses casos, com prisão ou condução coercitiva das autoridades máximas – no planos administrativo e simbólico – das instituições universitárias. Nunca se viu um cenário desses antes”, diz a nota de Mendonça.

Leia também:

Operação policial na UFMG é ataque à universidade pública

*Estagiária no Portal Vermelho

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