Manuela d’Ávila: o Brasil deve reencontrar a democracia e o desenvolvimento


Em entrevista concedida ao jornal A Tribuna, do Espírito Santo, a pré-candidata do PCdoB à presidência da República, Manuela d’Ávila, falou sobre os objetivos da campanha  de seu partido: debater saídas para crise e o futuro do Brasil. Para ela, o país precisa de um projeto de desenvolvimento que retome o crescimento e garanta os direitos sociais. Manuela espera que a eleição seja o reencontro do Brasil com a democracia e o desenvolvimento e garante que tem energia e fôlego para a campanha.
Aos 36 anos, a jornalista gaúcha Manuela d’Ávila (PCdoB) é a mais jovem pré-candidata à Presidência do Brasil. Apesar da idade, ela já acumula 20 anos de carreira política, iniciada no movimento estudantil de sua cidade natal, Porto Alegre. E Manuela garante que tem energia e fôlego de sobra para a campanha. Em 1989, Fernando Collor tinha 40 anos quando foi eleito presidente. Na França, em 2016, Emmanuel Macron, o mais jovem presidente daquele país, tinha 39 anos. O primeiro cargo público ao qual Manuela chegou pelo voto popular foi o de vereadora de Porto Alegre, em 2004, com 23 anos. De lá pra cá, teve duas passagens como deputada federal, sendo a mais votada de seu estado, inclusive com recorde histórico em 2010. Quando decidiu trocar Brasília pelo Rio Grande do Sul, em 2014, foi a deputada estadual mais votada. Hoje, casada e mãe de Laura, Manuela se apresenta como uma alternativa “solidária, humanista e desenvolvimentista à crise”, na corrida eleitoral de 2018.

A Tribuna – Nas últimas sete eleições, o PCdoB esteve ao lado do PT na corrida presidencial. Por que lançar candidatura própria em 2018?

Manuela d’Ávila – Queremos colaborar com a busca de soluções para a grave crise que o Brasil atravessa, crise agravada após o golpe que tirou Dilma do governo. Esta eleição é a possibilidade de debatermos saídas para a crise, para o futuro do Brasil. Por isso, sou pré-candidata à Presidência. Para debater um projeto de desenvolvimento do País que retome o crescimento econômico, fortaleça a indústria nacional e garanta direitos sociais e individuais. Tenho energia e fôlego para enfrentar essa campanha num momento tão difícil para os brasileiros.

Em sua opinião, qual será o maior desafio destas eleições?

São muitos desafios. O mais importante é que o pleito seja o reencontro do País com a democracia e o desenvolvimento. As eleições precisam produzir um governo que tenha legitimidade, porque o Brasil não suportará mais a situação terrível aberta pelo golpe. Um desafio ligado à questão da legitimidade é o combate ao ódio e à intolerância. É preciso criar um ambiente de debate franco, sem as máscaras da marquetagem, para que o povo, ciente das diferenças programáticas, faça uma escolha consciente. Mas debate franco não pode ser o vale-tudo, o ódio desenfreado que vemos por aí, incentivado por grupos que vêm se tornando verdadeiras milícias. Um outro desafio, e esse me é particularmente relevante, é mostrar que as mulheres podem e devem ter lugar de destaque na política. Não é possível que, em pleno século XXI, as mulheres sejam alijadas dos espaços de poder. Sou candidata para defender o espaço das mulheres na política e a necessidade de sermos protagonistas da construção de saídas para a crise.

E como construir essas saídas para a crise?

Para que o Brasil dê ao seu povo uma vida digna são necessários desenvolvimento econômico, reindustrialização, valorização do trabalho e de quem produz, aproveitando as oportunidades trazidas pela chamada indústria 4.0. Investimentos pesados em ciência e tecnologia e, especialmente, em inovação, construindo ligações férteis entre as universidades e as empresas. Precisa ter a mão firme no leme, enfrentar as dificuldades sem ceder. Defendo ampla aliança daqueles interessados no progresso, trabalhadores e empresários. O setor financeiro tem lugar nesse arranjo, mas um lugar acessório. Em suma, defendo um projeto de desenvolvimento que vetorize o conjunto da ação governativa.

Quais são, sob sua ótica, as reformas de que o Brasil mais precisa?

Vou apresentar um programa que faça o Brasil se desenvolver como nação. Hoje, o governo se contenta em ter o País no papel de fornecedor de matérias-primas e produtos de baixo valor agregado. Estudos indicam a correlação entre riqueza, inovação e industrialização. Eu quero promover uma nova industrialização. Não há país rico sem indústria forte. A realização de todas as potencialidades do Brasil é o caminho para uma sociedade com direitos sociais, democracia e igualdade. Essa é a grande “reforma” a ser feita para recuperar a economia. Defendo o papel central do Estado na política econômica e a função dos bancos públicos no fomento ao desenvolvimento.

O discurso da extrema direita tem ganhado adeptos nos últimos anos e se fortalecido no Brasil e no mundo. Isso é, de alguma forma, consequência de erros da esquerda?

A sociedade tem espaço para todos os tipos de opinião. É legítimo que haja pluralidade de ideias. Mas isso não pode significar ataques às liberdades, não pode implicar em xenofobia, nem resultar em violência contra imigrantes, negros e pobres, não pode ser salvo-conduto para crimes contra as mulheres. Eu sou vítima de ataques desses grupos diuturnamente. É preciso ser firme e derrotá-los politicamente. Me parece evidente que eles crescem à medida que aumentam a crise e a incerteza sobre o futuro. Por isso, também sou candidata, para dizer que existe alternativa solidária, humanista e desenvolvimentista à crise.

O que fazer para oferecer mais segurança à população?

É preciso que o governo federal saia da situação cômoda e burocrática de jogar a responsabilidade para os governadores. Defendo a criação de um Ministério de Segurança Pública, fundo nacional de segurança pública e um piso salarial nacional para os policiais militares, e de uma Ouvidoria para garantirmos legitimidade a essa política. Quero inverter a forma como se conduz a segurança pública e colocar o governo federal no comando de uma nova política nessa área, pactuando com governadores e prefeitos dos grandes centros urbanos.

Em 2013, em uma entrevista, a senhora disse que não pensava em ser, um dia, presidente do Brasil e que desconfiaria de si mesma se quisesse isso. Cinco anos depois, o que mudou?

Essa é uma boa surpresa que a vida me reservou. Em 2013, o Brasil vivia outra situação política, e nós participávamos da aliança que governava o País. E mais, eu planejava engravidar, o que me fez priorizar de forma muito intensa Laura e seus cuidados nos mil primeiros dias. Quem está na política pensando em construir um outro Brasil, precisa assumir compromissos para mudar essa situação. Refleti bastante e concluí que a disputa eleitoral é um bom momento para que a população conheça as minhas propostas. Além disso, minha filha já está com mais de dois anos e meio, me acompanha nas atividades, viaja comigo, é minha parceira nessa jornada tão séria que assumi. Estamos aprendendo bastante juntas.

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