Luciano Siqueira: Todos pela emancipação da mulher


Quando se assinalam marcos da luta dos povos, como o Dia Internacional da Mulher, hoje, que envolve um sem número de atividades durante todo o mês, no Brasil e no mundo, há uma tendência natural a se acentuarem as denúncias e as expressões de revolta. No Recife, em Olinda e em outras cidades pernambucanas, por exemplo, o destaque é a escalada de violência sexista que continua vitimando as mulheres.

Nada mais justo. Entretanto, cabe igualmente comemorar as inúmeras conquistas obtidas pela mulher nas últimas quatro décadas em nosso país, nas mais diversas esferas da vida social. Os números são significativos – em relação ao mercado de trabalho, por exemplo, inclusive no que se refere à ocupação feminina de postos de mando em empresas privadas (mesmo que quantitativa e qualitativamente a balança ainda penda muito em favor dos homens).

Se no nascedouro da sociedade humana foi pela divisão do trabalho que se iniciou a desigualdade entre o homem e a mulher, como que num movimento em espiral, é novamente pelo trabalho – a mulher indo à luta pelo sustento da família – que toma corpo, objetivamente, uma nova prática social propiciadora da formação da consciência emancipacionista. Embora ainda tênue e circunscrita a limitadas parcelas da população, mesmo a feminina.

Isto se deve a que a opressão de gênero tem raízes culturais e ideológicas profundas, demanda uma luta permanente de idéias, recomenda a conquista de apoio junto à outra metade da população, formada pelo gênero masculino. Ou, melhor dizendo, a participação de todos os gêneros.

Daí porque, na modesta opinião deste feminista militante, nas ruas, nas redes e nos auditórios, há que mesclar indignação com alegria, protesto com leveza. O ato singelo de ofertar uma rosa vermelha às mulheres com que convivemos, trabalhamos e lutamos no cotidiano de nossas vidas tem esse sentido, o de fundir amor e luta, luta e amor; razão e emoção.

A luta pela emancipação da mulher, uma das pedras de toque do avanço civilizatório, precisa ser encarada, como o próprio movimento revolucionário, como um imenso ato coletivo de amor.

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