Hawking para além da ciência, um crítico ao sistema capitalista


O mundo perdeu nesta semana um dos maiores pensadores deste tempo. O físico Stephen Hawking se foi na quarta-feira (14), coincidência ou não, mesmo dia que Albert Einstein veio ao mundo, muitos anos antes. Mas além de seu legado para a ciência, ele deixa o exemplo de quem atuou por um mundo mais justo e denunciou que o capitalismo não oferece soluções para os problemas da humanidade.

Por Mariana Serafini

Para o físico brasileiro Olival Freire, integrante do conselho da History of Science Sociey (HSS), Stephen Hawking é um modelo a ser seguido pelas novas gerações por três motivos essenciais: a superação diante de uma doença degenerativa, a independência de pensamento como cientista, e por sua consciência social sempre muito aguçada, em defesa de um mundo mais justo.

A erudição de Hawking e suas limitações físicas fizeram com que a própria ciência, de certa forma, avançasse para ampliar as expectativas de vida dos portadores de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Mas além da superação desta síndrome, e de ser um físico genial, Hawking sempre se posicionou de forma clara sobre questões que afetam a vida humana. Repudiou as guerras do Vietnã e do Iraque e, recentemente, integrou o grupo de intelectuais que boicotaram Israel pela ocupação do território palestino.

Segundo Olival, que também é professor Professor Titular da Universidade Federal da Bahia, este exemplo deve ser lembrado pelas novas gerações porque Hawking usou seu conhecimento científico também de forma política, mesmo sem ser um ativista, ao reiterar repetidas vezes sua opinião sobre a incapacidade do capitalismo de atender às necessidades humanas.

“Com o passar do tempo, há declarações de Hawking em que ele critica a sociedade capitalista por ser excludente, e faz críticas argumentando que o desenvolvimento tecnológico, que leve a uma maior exclusão de parcelas da sociedade, é injusto”, explica Olival.

Nos últimos tempos, o físico inglês vinha expressando uma preocupação com o futuro da humanidade, no sentido de que a sustentabilidade do planeta está em risco. “Esta foi uma das últimas grandes ideias dele, o ponto central era com o futuro da humanidade de forma sustentável”.

Outra preocupação de Stephen Hawking nestes últimos tempos foi o potencial da inteligência artificial, que ele via com cautela. Isso porque, defendia que os avanços tecnológicos devem servir para melhorar a vida humana de uma forma mais inclusiva, e não o contrário.

Mas além do inquestionável legado científico e do exemplo político, Olival acredita que Hawking “encantou o mundo devido à sua capacidade de superação diante de um quadro degenerativo que não o impediu de avançar em sua produtividade científica”.

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Do Portal Vermelhowq

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