Manuela D’Ávila: O povo não vota em projetos que retiram direitos


 

A deputada estadual Manuela D’Ávila, pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, foi entrevistada pelo Jornal do Brasil no domingo (25) . Além de falar sobre a disputa eleitoral, Manuela também comentou o assassinato da vereadora Marielle Franco, a construção de um programa comum pelas forças progressistas e sobre a unidades da esquerda. Ela acredita que no segundo turno deverá prevalecer uma candidatura unitária que represente um programa avançado para superar a crise que o Brasil vive.

Jornal do Brasil – O que representa a comoção com o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes ? 

Manuela D´Ávila: Ela era a personificação da luta das mulheres, negras, lésbicas, das favelas. E a dimensão disso gera um impacto popular. Se isso aconteceu com ela, o que não acontece com a mulher negra que vive na favela e que não tem visibilidade? A morte dela também desnudou a violência que as pessoas sofrem na periferia do Brasil, que é um dos temas que o país precisa enfrentar, mas que quando se fala em violência jamais debate. Marielle acabou encarnando tudo isso. O grito da população que milita e vê mais um dos defensores de direitos humanos no Brasil. Ser morto é um grito de ‘é isso que nós vivemos no nosso cotidiano’. O impacto foi tão grande porque a Marielle se dedicava à vida, à luta coletiva, então a morte dela é uma morte coletiva. E o ataque é a um conjunto de pautas que ela defendia.

A morte de Marielle deixou uma lição sobre a violência e o discurso de ódio? 

Mostrou o quão é vital e necessária é a nossa luta unitária pela democracia e pelos direitos humanos. Veja como foi a proliferação de mentiras e a possibilidade que tivemos de descobrir esses atores mentirosos importantes da sociedade brasileira, como foi o caso da juíza (Marília Neves Vieira). Essa pessoa disseminou ódio e violência. Além de comemorar a morte da Marielle, ela sugeria que o Jean Willys merecia passar por um corredor polonês para ser executado e que a bala seria muito fina e não seria suficiente para matá-lo com prazer. A morte da Marielle tem que servir para gente perceber que a luta contra o fascismo é o que nos une. Em certo sentido isso matou a Marielle, mas são esses monstros que a morte da Marielle libertou.

Apoiadores do deputado Jair Bolsonaro fizeram protestos violentos durante a caravana do ex-presidente Lula pelo Sul…

É um pouco a demonstração de quem são essas pessoas, porque tentar impedir o Lula de se reunir com quem quer vê-lo e ouvi-lo é a cara do que essa gente representa e do pouco compromisso com a democracia no Brasil. ‘Se não reza a minha cartilha, essa pessoa não pode falar’. A democracia para eles é conjuntural, nunca foi uma premissa, mas pelo menos, eles disfarçavam. Se dá para aplicar nossa cartilha com democracia tudo bem, se não dá, dane-se a democracia, por isso o impeachment e, por isso, o esforço deles de tentar impedir o Lula de concorrer.

O apoio à candidatura de Bolsonaro, que tem pautas extremamente controversas, é expressivo? 

Eu ouvi que ‘o Brasil se divide entre os que tem esperança e os que tem pânico e pavor diante da realidade’. A gente precisa em primeiro lugar entender que existem razões para as pessoas sentirem medo e insegurança com uma realidade de desemprego e violência. Isso motiva as pessoas a buscar alternativas desesperadas. Foi assim no fascismo. Para mim, o Bolsonaro é aquele que, sem proposta nenhuma, tenta transformar esse medo em ódio, o ódio no diferente, no adversário potencial. A minha esperança é que, no processo eleitoral, a gente mostre que ele não tem nenhuma proposta para o povo brasileiro.

Os partidos de oposição estão lançando cada um o seu candidato, não seria a hora de um único nome? 

O golpe abre um novo ciclo político e, por isso, a esquerda apresenta candidaturas distintas. Mas nós avançamos. Claro que temos diferenças, mas não se pode permitir que isso fale mais alto do que os nossos pontos em comum. Nós construímos um programa em comum e isso foi a primeira vez que conseguimos. O manifesto foi o primeiro passo, porque antes nós não conseguimos sequer fazer isso. Nosso esforço deve ser no primeiro turno, se conseguirmos ter uma relação respeitosa na vida real. Não dá para ser bem-educado na frente e ficar pela internet um desconstruindo o outro…

Então a ideia é fazer uma aliança no segundo turno? 

É o mínimo que eu espero, que a gente esteja lá. Não perdemos as últimas quatro eleições para a Presidência. Foi o nosso programa que venceu as eleições. Eles tiveram que dar um golpe para implementar o programa deles derrotado nas urnas. É bom que a gente sempre lembre disso. O povo não vota em um projeto que retira direitos trabalhistas, um projeto que congela os gastos públicos por 20 anos. Como é que as mulheres vão votar em um projeto que congela gastos públicos, se elas não têm creche para deixar os filhos e voltar para o mercado de trabalho? Eu acho que a gente tem que enfrentar e garantir que um de nós esteja lá e, como disse o Lula, se tivermos dois que maravilha.

O presidente Temer está apostando na pauta da segurança alçada pela intervenção no Rio para reverter o cenário desfavorável a ele e cogitando a reeleição… 

Reeleição não, porque de voto ele não gosta. O forte dele é a luta antidemocrática e não a luta democrática. Seria interessante a gente poder vê-lo disputar uma eleição, porque nem deputado federal ele se elegeu na última vez que concorreu. Ele era suplente.

A gestão do governador do Maranhão, Flávio Dino, que é do PCdoB, tem sido bem avaliada. É uma vitrine para se espelhar? 

Ele é a grande prova de que existem saídas para a crise que passam por investir mais em política sociais e não menos. O Flávio aumentou o salário dos professores e tem hoje o segundo melhor Estado para investir no Brasil. E se a gente olha de onde ele saiu e para onde ele foi, aí a gente vê que é mais fantástico. Ele é uma vitrine para o nosso campo político e ainda mais para o PCdoB.

Fonte: Jornal do Brasil

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