Orlando Silva: O ovo da serpente chocou; é hora de derrotar o fascismo


O breve período que nos separa do ano de 1985 é o mais longo de experiência democrática da história do Brasil. Ou seja, democracia é exceção, não a regra, em nossa República. Sustentar a democracia é um desafio permanente e não cabe hesitação.

Por Orlando Silva*

Richard Silva/PCdoB na Câmara

 

Há uma exaltação no debate público desde a eleição de 2010, quando temas comportamentais tiveram centralidade na agenda tucana e abriu-se espaço para um período tormentoso.

Os episódios de 2013 ainda hoje se projetam na cena política com suas atitudes antidemocráticas. Desde as eleições de 2014, a temperatura política do país segue elevada e o uso da violência passou a ser componente na disputa política nacional. O vale tudo que redundou no impeachment transformou a arena política numa “briga de rua” que deixou feridas abertas em nossa sociedade.

Os ataques à caravana do ex-presidente Lula passaram a atentados a tiros, numa insana escalada que, se não for contida, levará o país ao caos.

Os autores dos disparos de ontem foram encorajados pela omissão conivente de autoridades policiais, que assistiram passivos às agressões dos dias anteriores.

A esses repudiáveis eventos, somam-se o cruel assasínio da vereadora Marielle e outros recentes homicídios politicamente motivados que ocorreram recentemente no país.

É hora de reagir, não só com palavras, mas com a energia e intensidade necessárias.

Primeiro, há que se ter coragem e chamar o demônio pelo nome: é fascismo. E com ele não se pode transigir, deve-se combater até o fim.

Por isso, não pode passar em brancas nuvens a infeliz declaração de Geraldo Alckmin, para quem o PT “colhe o que planta”. Não, governador. Não é hora de demagogia eleitoreira, mas de vir a público corrigir a irresponsável afirmação, que é leniente com criminosos.

Segundo as autoridades públicas, a justiça e a polícia precisam agir. É inadmissível que passo nenhum tenha sido dado nas investigações sobre o caso Marielle, que atentados políticos fiquem impunes. O silêncio, nesse momento, fala: encoraja o banditismo de hordas intolerantes.

É preciso que o presidente da República se manifeste, os ministros de Estado se manifestem, os pré-candidatos a presidente condenem publicamente e constranjam o pré-candidato que fomenta a intolerância a segurar sua tropa de chacais.

É preciso cobrar, inclusive, que certos juízes e promotores do MP, tão céleres para presumir culpa e encarcerar, saiam da zona de conforto para repudiar esse estado de coisas que ajudaram a criar.

Há que se cobrar a responsabilidade da grande mídia, propagadores diários da intolerância política. É muita desfaçatez e hipocrisia que grandes veículos de comunicação queiram posar de isentos – como se viu no oportunismo dedicado à cobertura do assassinato de Marielle – e fomentem a violência diariamente através da criminalização da política, em particular das esquerdas.

Sobretudo, é necessário que a justiça e a polícia identifiquem, condenem e coloquem na cadeia, exemplarmente, os promotores de atentados fascistas.

Há também que se ampliar a resistência contra a barbárie nas ruas. Devem se unir todos – da esquerda aos liberais do centro e da direita – em repúdio veemente à marcha autoritária, pois hoje atinge um campo político, mas amanhã se voltará contra toda a sociedade.

Combater o fascismo e defender a democracia são tarefas de todos os democratas e patriotas. O ovo da serpente chocou. A hora de destruí-lo é já, antes que seja tarde.

*Orlando Silva é deputado federal pelo PCdoB de São Paulo e líder do PCdoB na Câmara dos Deputados

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