Manuela: Não há desenvolvimento se as mulheres não forem protagonistas

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A União Nacional dos Estudantes (UNE) realizou no sábado (31) o seu 8º Encontro de Mulheres Estudantes, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com a participação de lideranças femininas de gerações distintas.

A resistência feminista frente ao golpe e ao avanço neoliberal conservador foram alguns dos temas debatidos no evento, que contou com a participação da pré-candidata à presidência da República, deputada estadual licenciada e ex- diretora da UNE Manuela D’ávila (PCdoB).

Segundo Manuela, não pode haverá desenvolvimento nacional se as mulheres não forem protagonistas da construção dele.

“Para mim gênero não é uma pauta identitária. Para mim debater mulher é debater o desenvolvimento do Brasil. Como vamos debater indústria se a cada mil brasileiros que entram na graduação só um é uma mulher numa área de tecnologia dura, nas engenharias, na informática. Como é que vai desenvolver a indústria se 52% do povo somos nós mulheres dentro daquilo que há necessidade para que sejamos uma nação desenvolvida?”, questionou da pré-candidata.

Manuela salientou que as desigualdades entre negros e brancos, entre mulheres e homens e a força de opressão à população LGBT são centrais para estruturar a desigualdade econômica que são a base da desigualdade brasileira.

“O grande grito que nós temos a obrigação dar é que queremos construir um caminho que seja radicalmente democrático e não existe democracia enquanto nós somos invisibilizadas. Não existe democracia enquanto a única candidata mulher de esquerda sou eu, se fomos sobretudo nós mulheres de esquerda que resistimos ao golpe e ao desmonte de Estado isso para mim diz muito. Porque isso demostra que na hora H a democracia não nos envolve diretamente”, reforçou.

Em sua página nas redes sociais, Manuela afirmou que o encontro “é motivo de muita esperança”. “São muitas e muitas meninas, do Brasil todo, reafirmando que ocuparemos o poder e transformaremos o Brasil”, frisou. “Também é muito emblemático que esse encontro se chame Marielle Franco. Uma mulher, jovem, lésbica, negra e moradora de uma favela. Essa é a resistência com a cara da Marielle. Essa é a cara do Brasil. “, acrescentou.

A vereadora de Niterói, Talíria Petrone (Psol) também foi uma das palestrantes do encontro. Ela salientou que a mulher precisar promover uma revolução, mas que esta revolução também precisa ser negra.

“Que representatividade queremos quando falamos em mulheres no poder? Queremos ocupar o poder para quê? É para subverter, é para romper. É para imprimir um programa de feminismo radical, isso é necessário. A conjuntura está assustadora. O Brasil amarga índices de ser o país que mais assassina transexuais no mundo, o Brasil mata 30 mil jovens por ano e a cada 100 jovens, 71 são negros, isso é real e temos que encerrar agora esse genocídio do povo negro. São filhos de mulheres negras como muitas de nós, isso precisa acabar”, advertiu a vereadora.

Oriunda de um estado que está sob intervenção militar na segurança pública, Talíria defendeu que é preciso regulamentar o modelo de segurança, legalizar e regulamentar as drogas e defender o povo negro.

“Isso significa analisar a conjuntura de golpe, mas sem esquecer a realidade brasileira e sem colocar a questão racial como penduricalho como na esquerda. E eu falo nós porque temos que dar a cara ao feminismo que queremos construir”, defendeu.

Talíria, que é do mesmo partido da vereadora carioca assassinada, ressaltou que o assassinato da Marielle Franco foi um ataque ao resto de democracia que existia no Brasil. Ele argumenta que a democracia não se consolidou para o povo que vive na favela.

Para a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), a aliança entre os ultraliberais e os conservadores atual trouxe retrocesso ao país, como as reformas do governo de Michel Temer.

“Foi aprovado recentemente a Base Nacional Curricular Comum que reintroduz o ensino religioso e elimina a possibilidade de ter nos currículos escolares a discussão de gênero. Ao mesmo tempo se abriu campo para que conteúdos curriculares sejam vendidos para empresas privadas que virão, por exemplo, a dar aula de inglês na escola pública. Essa aliança espúria agride as mulheres e todas as pessoas que tem uma visão de família como a Marielle que era casada com outra mulher”, destacou.

Margarida também destacou a grande ofensiva neoliberal no mundo todo que ao desmontar o Estado de bem estar social – extinguindo políticas de proteção social- exige que as mulheres voltem para a casa para cuidar dos filhos de dos velhos.

Do Portal Vermelho, com informações da UNE

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