Luciano Siqueira: Os múltiplos detalhes da batalha eleitoral


Algumas décadas transcorridas, a experiência recomenda muita atenção às lições do passado e, com apoio nelas, uma apreciação cuidadosa das circunstâncias presentes.

Vale para tudo na vida. Para a luta política, mais ainda.

O navegador Amyr Klink, por exemplo, no livro em que narra sua solitária expedição ao Polo Norte (‘Paratii entre dois mundos’), demonstra que, por um pequenino erro de construção — a inversão de sentido no interruptor do dispositivo de gás — o seu moderníssimo barco de alumínio poderia ter explodido.

Por mais “perfeito” que seja um projeto, um único detalhe pode botar tudo a perder — adverte Klink.

Na luta política, então, essa verdade se confirma através da História. Tanto que, ainda em meados do século 19, Engels escreveu sobre a força do acaso (de um acontecimento fortuito) no rumo dos acontecimentos políticos.

Isto porque nenhuma batalha se vence ou se perde como produto de uma operação aritmética. Pesa sim, como fator determinante, o descortino tático.

Em eleições majoritárias, estamos caducos de presenciar coalizões formalmente fortíssimas soçobrarem diante de adversários inicialmente em desvantagem, em razão de erros de avaliação — e, por conseguinte, equívocos táticos.

Começa que todas as forças conjugadas, sem exceção, são importantes. Mesmo aquelas aparentemente menos robustas, pois estarão ocupando trincheiras que influenciam o conjunto da peleja.

O fato é que, em grande medida, o resultado será fruto da campanha eleitoral propriamente dita, ainda que a partir do próximo pleito de outubro as campanhas tenham sido oficialmente reduzidas a quarenta e cinco dias.

Será justamente o momento em que a maioria do eleitorado estará atenta ao movimento dos contendores.

Essas anotações podem parecer mera digressão aos olhos de alguns, mas não são.

Não faz muito tempo — em 2000 — ocorreram inesperadas vitórias no Recife e em Olinda, quando se elegeram prefeitos, respectivamente, João Paulo e Luciana Santos, ambos enfrentando coalizões “aritmeticamente” poderosas, mas incapazes de darem conta de diferentes visões e vontades políticas das correntes aliadas.

Basta um olhar minimamente atento para a movimentação de forças nos estados, Brasil afora, para identificar fatores de risco, tão evidentes quanto aparentemente subestimados, justamente pelos que se sentem antecipadamente fortes o suficiente para permitir que, em suas hostes, se acumulem elementos de insatisfação que poderão influenciar pesadamente a batalha.

É preciso enfrentar as eleições de outubro com um olho na missa e o outro no padre http://goo.gl/6sWRPX

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