Unidade da esquerda é possível e necessária, afirma Flávio Dino


Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) reafirmou a defesa de uma frente ampla na eleição presidencial e enfatizou que a garantia do direito de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é fundamental para o processo democrático.

 

 

Flávio Dino avalia que o quadro eleitoral ainda é muito fragmentado e com a indefinição sobre a eleição de Lula “todo mundo fica ali no mesmo patamar” e todas as candidaturas que lideram nas pesquisas podem desmanchar, casos do Bolsonaro, da Marina, do Joaquim.

“Temos dificuldade de prognosticar a presença do Lula na urna. Defendo o direito de ele concorrer porque acho que ele foi vítima de uma arbitrariedade. Ainda há muito em jogo, muita perspectiva, e acho fundamental que o Lula se mantenha no debate. Levo em conta dois cenários: se Lula for candidato, todos com Lula; se não for é uma eleição aberta”, argumentou.

Para Flávio Dino, a unidade da esquerda não só é possível como necessária “para polarizar setores sociais mais amplos e também setores políticos”.

“Se tiver uma eleição fragmentada pode ser que nenhum de nossos candidatos tenha viabilidade e isso pode resultar numa tragédia: ficarmos fora do segundo turno. Por isso acho importante, por exemplo, Ciro e Haddad conversarem”, disse.

Segundo ele, a prisão do ex-presidente Lula num processo sem provas e recheada de irregularidades criou uma incerteza no processo eleitoral. E esse foi o objetivo da prisão de Lula antes da findar os recursos que a sua defesa apresentou ao tribunal de segunda instância.

“Essa dúvida que paira sobre o Lula acaba impedindo esse debate porque a opção objetiva da sociedade, as pesquisas mostram, é em torno do Lula. Enquanto fica a hipótese do Lula você não consegue avançar em uma alternativa”.

O governador maranhense destacou que a prisão arbitrária de Lula deixou o debate eleitoral para segundo plano. “É uma prova de generosidade de todos nós compreendermos que não seria leal neste momento descartá-lo e dar como fato consumado que ele vai ficar preso e não será candidato. Tem que esperar esse processo decantar. É um trauma muito profundo encarcerar o maior líder político da história brasileira”, destacou.

Segundo ele, as decisões recentes do Supremo Tribunal Federal são indícios da fragilidade do veredicto. “É tão frágil que precisa produzir outros presos para se legitimar. É um negócio tão mal arrumado que é difícil de se sustentar por muito tempo”, acredita.

Como é de praxe, o Estadão buscou o factoide. Uma das perguntas foi sobre a aliança de partidos em torno da candidatura de Flávio a governador, em 2014, que reuniu os três principais candidatos a presidente: Dilma, Aécio e Eduardo Campos. “Agora sete dos 14 partidos que apoiam seu governo anunciaram pré-candidaturas, inclusive o PCdoB. O senhor pretende repetir a estratégia?”, questionou o jornalista Ricardo Galhardo.

“A fórmula é a mesma. Tenho meu voto pessoal que obviamente é na candidata do meu partido, a Manuela D’Ávila, mas ao mesmo tempo cumpro o papel de acolher os candidatos de partidos da nossa aliança”, salientou Flávio Dino.

Na linha de tentar constranger a aliança, o Estadão questionou se o governador se arrependia de ter dado palanque para Aécio. “Não, porque a conjuntura naquele momento indicava que tínhamos o apoio do PSDB que indicou o vice-governador e, atendendo a um pedido do PSDB, eu participei de eventos com o candidato Aécio contra o qual não existia nenhuma denúncia. Você não pode julgar o passado com os olhos de hoje”.

Sobre a volta do ex-presidente Sarney, que após 28 anos transferiu o domicílio eleitoral de volta ao Maranhão, Flávio disse que a mudança significa mais para a política do Amapá do que para o Maranhão.

“Eu diria que não foi um gesto de vontade. Ele chegou a ensaiar uma candidatura no Amapá mas aparecia mal nas pesquisas. Ficou evidente que não tinha mais nenhum papel a jogar lá. O certo é que ficou em uma situação frágil lá”, afirmou o governador comunista.

E acrescenta: “Mas ele tem articulado para tirar partidos da base do senhor. Ele fez isso mas, graças a Deus, com escasso êxito. São ciclos históricos. No Livro do Gênesis, na Bíblia, quando a mulher de Ló olha para trás ela vira estátua de sal. Acho que isso se aplica também aos ciclos políticos. É um ciclo esgotado no Maranhão porque ninguém quer virar estátua de sal”.

Do Portal Vermelho, com informações do Estadão

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