Pensamento de Xi sobre Nova Era do Socialismo significa desenvolvimento do marxismo na China

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A China evolui rapidamente e transforma a vida do país em benefício do povo, com forte impacto nas relações internacionais. Esta é a avaliação do editor-executivo da plataforma brasileira de notícias e análises sobre o Brasil e o mundo chamada Portal Vermelho, Inácio Carvalho. Ao analisar o pensamento do presidente chinês, Xi Jinping, sobre a Nova Era do Socialismo com Características Chinesas, Carvalho acredita que este seja resultado do desenvolvimento do marxismo na China. O editor-executivo visitou a China em duas ocasiões nos últimos dois anos e destaca, ainda, a formação cultural dos chineses, o interesse dos chineses em trocar experiências com outros povos e o grau de desenvolvimento do país.

Em entrevista exclusiva à Xinhua, Carvalho também conta sobre o desenvolvimento do marxismo no Brasil e sobre como as correntes socialistas estão estruturadas hoje no país. Segundo ele, a corrente marxista, que prevalece entre os comunistas brasileiros, preconiza a formação de uma frente ampla dos setores progressistas, avançados, democráticos e socialistas, pela democracia, tendo como objetivo futuro a abertura da transição para o socialismo. Mas ele destaca a diversidade de opiniões, dando origem não apenas à corrente marxista, mas também a de movimentos espontâneos, não organizados, da luta anticapitalista, e da corrente que considera estarem maduras as condições para a luta imediata pelo socialismo.

Segundo o editor-executivo, entre socialistas e comunistas no Brasil, a maioria é amiga da China especialmente devido aos feitos da China nas últimas décadas e que, portanto, provocam simpatia. Ele destaca o grau de desenvolvimento semelhante entre os dois países, embora haja diferenças acentuadas. Ele destaca entre estas diferenças os êxitos revolucionários desde 1949 e o tamanho expressivo da população chinesa, que é sete vezes maior do que a brasileira.

– Um grande aprendizado decorrente da experiência chinesa é o rigoroso respeito às caraterísticas nacionais da luta socialista. A não interferência nos assuntos internos de cada nação é um aprendizado que a experiência chinesa incorporou ao marxismo do século XX, e que se aprofunda sob Xi Jinping – afirma Carvalho.

Para ele, não apenas o fato de a China ser um país de história milenar, riqueza e diversidade cultural e grandes dimensões em termos de população e território, é responsável por despertar interesse. Carvalho acrescenta o fato de o país se constituir também numa ousada experiência de construção do socialismo, de haver superado a onda que provocou a derrota estratégica do socialismo na extinta União Soviética e na Europa e de buscar formas inovadoras da aplicação do marxismo como produtoras de interesse crescente.

– A China passa a ser um país que todos querem conhecer, especialmente as pessoas que lutam pelo socialismo – afirma o brasileiro.

Carvalho esteve duas vezes na China, a primeira no Fórum de Cooperação dos Meios de Comunicação “Um Cinturão e Uma Rota”, organizado pelo jornal Diário do Povo, em Beijing, em 2016, e a segunda no mesmo evento, mas realizado em Dunhuang, em 2017. Ele destaca o elevado grau de desenvolvimento do país, “possível de ver a partir da janela do hotel ou circulando pelas cidades”, bem como o acentuado uso de tecnologias avançadas, além de bons serviços públicos, segurança e estímulo à cultura.

– Nas duas ocasiões, os participantes do Fórum foram recebidos por altos dirigentes do Partido Comunista Chinês e do governo, quando foram apresentados importantes projetos do país. Em 2017, chamou-me atenção o elevado investimento em ciência e tecnologia e o esforço de superação da miséria que ainda atinge um parcela da população chinesa – relembra Carvalho.

Outro fato que chamou a atenção do editor-executivo foi o fato de o fórum ser uma demonstração de como a China preza pelo bom relacionamento com os demais países e respeita a opinião de todos os que participavam dos eventos, buscando conhecer e trocar experiência.

– No contato com alguns chineses, foi possível identificar um elevado conhecimento, boa cultura e um bom nível de satisfação com a vida – conta o profissional.

Ao falar sobre o marxismo no Brasil, onde o Partido Comunista foi fundado em 1922, Carvalho lembra dos pioneiros Octávio Brandão e Astrojildo Pereira. Brandão foi o primeiro tradutor do Manifesto do Partido Comunista no Brasil, em 1924, e autor de Agrarismo e Industrialismo, considerada a primeira obra de inspiração marxista para analisar a conjuntura brasileira, publicada em1926. Pereira foi autor de inúmeros ensaios marxistas e de um livro fundamental sobre a história do PCB. Ambos os dirigentes eram ligados à luta operária. Em 1946, a participação dos comunistas na Assembléia Constituinte é tida como um marco, quando, pela primeira vez, parlamentares sob a influência do pensamento de Marx apresentaram análises profundas da situação social do Brasil.

Outro marco ocorreu na década de 1960, quando o Partido Comunista do Brasil foi reorganizado, rompendo com a linha reformista e revisionista que prevalecia em sua direção nacional. Aprofundaram-se então as análises cientificas sobre a situação social e política brasileira, nas condições da clandestinidade imposta pela ditadura militar de 1964. Foi na década de 1960 também que ocorreu, pela primeira vez em idioma português, a publicação de O Capital, pela editora Civilização Brasileira, do Rio de Janeiro.

Em relação à recente prisão do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, Carvalho a considera injusta e um “acontecimento da luta de classes no Brasil, com influência no movimento popular pela democracia e pela legalidade democrática, expressas na indignação que sua prisão provoca e fomentando a luta por sua libertação”. Mas, segundo ele, é difícil dizer que o lulismo tenha se inspirado no marxismo.

– De alguma maneira, é um fator de ampliação da consciência de classe e, pode, assim, estimular o estudo do pensamento de Karl Marx – complementa.

Por Janaína Camara da Silveira

Portal Xinhua

 

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