Lécio Morais: O FED e os mercados financeiros sob estresse, o que está acontecendo?


Uma nova revoada de dólares atinge o mundo. Esse retorno do dólar para o mercado financeiro americano com a presumida elevação da taxa de juro do FED tem gerando instabilidade financeira em grande parte dos países. Esse esperado aumento da taxa pode ser entendido como tendo dois objetivos.

O primeiro é a avaliação de que a atual taxa real zero, mantida por muitos anos trouxe uma recente melhora no nível de atividade da economia americana sem gerar inflação. A segunda constata que as taxa real de juro vem gerando, nos últimos anos, uma busca especulativa de maiores retornos. Um movimento em que os investidores estão assumindo cada vez mais riscos e expondo o sistema a mais um crash.

Esse último movimento já fez a riqueza financeira recuperar as perdas de 2008 e dobrou o volume existente naquele ano. Esse resultado espetacular foi também facilitado pela segurança que o sistema põe em que um novo crash trará uma nova intervenção salvadora do FED e do Tesouro, repetindo a mesma operação feita em 2008, trocando títulos podres pelos confiáveis títulos do Tesouro americano. Uma operação que, nos anos seguintes, quase dobrou a dívida pública americana.

Essa generosa troca de ativos fez crescer a carteira do FED em títulos de dívida privada até os atuais três trilhões de dólares. Isso manteve o valor dos ativos no mercado, mas, indesejavelmente, criou a certeza de que novos riscos poderiam ser assumidos, pois o FED os salvará de novo. Essa certeza – o risco moral – relaxa a prudência. A ação do FED empurrou, m seguida, outros bancos centrais como a União Europeia, o Reino Unido e o Japão a fazer o mesmo, carregando também o seu ônus fiscal.

A atual manobra do FED será arriscada, pois ela virá acompanhada de uma venda paulatina dos títulos privado em sua carteira, derrubando o valor dos títulos em mercado. Mas, para tanto, o FED a vem preparando cuidadosamente desde 2014, com sucessivas indicações de elevação de sua taxa de juro. Um reajuste se deu em fevereiro de 2017, embora pequeno. Mas pode ter sido um ensaio geral.

Os grandes perdedores são os países periféricos que adotaram o livre movimento dos capitais em seus frágeis mercados financeiros. Há uma rápida venda de ativos, liberando dólares para encetar sua volta para casa. Sem ter os mesmos poderes do FED para deter perdas, os riscos de desestabilização de suas economias estão sendo maiores. Porém, para estes, pior do que o ajuste, está sendo esperar por ele. A volatilidade está tão grande que, incrivelmente, na reunião do FMI, no Peru, na semana passada, vários bancos centrais enviaram uma mensagem ao FED pedindo que ele decida logo!

O FED tem seus meios e tem seu próprio tempo. E pode dá certo. Pelo menos ele não será tomado de surpresa caso algo dê errado, como aconteceu em 2008. Mas, outra vez, os Estados pagarão a conta, bem como mais perda de legitimidade.

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